Motoristas se queixam de congestionamentos provocados por obra na RJ-116

Antiga linha férrea tem servido como alternativa ao trecho da RJ-116 nas imediações do quilômetro 78
quinta-feira, 03 de dezembro de 2015
por Dayane Emrich
Foto de capa
(Foto: Lúcio Cesar Pereira)

Quem tem optado pela antiga linha férrea da Leopoldina para fugir dos congestionamentos da RJ-116 tem encontrado alguns contratempos no meio do caminho, como buracos e lama, além de dificuldades em função da via ser, em alguns pontos, muito estreita. A antiga linha férrea tem servido como alternativa ao trecho da RJ-116 nas imediações do quilômetro 78, próximo à Ponte da Saudade, onde, desde o último dia 9 de novembro, vem sendo promovida uma obra de drenagem de uma encosta, cuja infiltração no solo, com as chuvas de 2011, causou um desnível na pista, o conhecido “calombo” . Por causa da obra no local, o fluxo de veículos na RJ-116 tem sido escoado naquele trecho através do sistema pare e siga.     

Embora a via alternativa tenha recebido uma camada de bica corrida, muitos motoristas observam que a via não está em condições adequadas ao uso ainda mais depois das recentes chuvas que comprometeram o piso. “Eu tenho preferido passar por aqui porque chego a ficar mais de 20 minutos esperando a liberação do pare e siga, do outro lado (na RJ-116). Mas, confesso que vou parar de utilizar esse trecho. Tem muitos buracos e em dia de chuva fica ainda pior. Enche de lama”, disse o vendedor Enivaldo Lopes, de 44 anos.

Opinião semelhante tem a professora Marta Guedes, de 37 anos, que mora na Ponte da Saudade e trabalha no Centro. “Sou obrigada a fazer esse trajeto todos os dias e, para não perder tempo em congestionamentos, resolvi passar por aqui. Mas além de estar cheia de buracos, essa estrada é muito apertada. Não comporta o fluxo de veículos que vem recebendo. Acho que se sabiam da necessidade de se fazer uma obra na RJ-116, deveriam ter feito melhorias nessa estrada para que nós, motoristas, pudéssemos passar por aqui com segurança e tranquilidade” disse ela, acrescentando: “De que adianta não trafegar pela RJ-116 para fugir do congestionamento, mas se chegarmos na antiga linha férrea termos que esperar a passagem de carros, já que a estrada, em alguns locais, não permite a passagem simultânea de dois veículos?”, questionou ela.

Para o técnico em informática Andelvan Passos, que mora na Ponte da Saudade e passa diariamente pelo trecho do calombo, não há vantagens em optar pela antiga linha do trem. “Estou preferindo passar pelo trecho em obras e ficar parado algum tempo do que enfrentar os buracos na antiga linha férrea. Esse tempo chuvoso deixou a estrada ainda mais precária”, exclamou ele.

Na manhã da última quarta-feira, 2, a equipe de reportagem de A VOZ DA SERRA esteve no local e pôde acompanhar o serviço de cerca de dez funcionários da concessionária Rota 116 que colocavam uma nova camada de bica corrida na antiga linha do trem.

Entenda o caso

As obras no quilômetro 78 da RJ-116 visam conter o movimento de terra que se forma pela ação da água e que cria uma elevação do pavimento, formando uma espécie de ressalto. Para tanto, a Rota 116 vem instalando dutos para captar e drenar as águas de uma nascente localizada no alto do morro, lateral à pista e que já foi alvo de vários serviços de contenção nos últimos anos.

Antiga linha do trem não pode ser asfaltada

Se por um lado alguns motoristas reivindicam o asfaltamento da antiga linha férrea para facilitar o escoamento do tráfego, por outro, uma lei municipal criada pelo vereador Professor Pierre determina que a estrada deve permanecer de terra, sendo considerada como ponto de encontro de turistas, praticantes de caminhadas e passeios ciclísticos.

A legislação estabelece que a antiga linha férrea seja transformada em Via Parque de Caminhada do distrito de Mury, intitulada “Caminho do Trem”. Conforme reportagem publicada pelo jornal no último dia 13, a pavimentação do trecho fere o parágrafo 2º do artigo 1º da lei municipal, onde se lê: “O Caminho do Trem, Via Parque de Caminhada, será melhorado e conservado como estrada de terra, à exceção dos trechos asfaltados dos centros comercial, industrial e residencial de Mury entre a Avenida Hamburgo e a Rua Apolônia Pinto, mantendo-se em terra os trechos entre a Rua Prefeito Cezar Guinle, na Ponte da Saudade, e a Usina Hans, e entre a Belvale, no Centro de Mury, e Debossan, formada pela Rua Gertrudes Stern”

Ainda de acordo com o texto da lei, serão instalados ao logo da via q uiosques, pontes cênicas, fontes naturais e mirantes com a finalidade de estimular deslocamentos a pé ou a pedal e agregar valor turístico ao caminho.

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Funcionários da Rota 116 colocaram nova camada de bica corrida na rodovia parque (Foto: Lúcio Cesar Pereira)
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