Morte no Terra Nova leva Friburgo ao "Onde Tem Tiroteio"

Serviço registra, pela 2ª vez, a cidade como palco de violência. Rapaz foi atingido na cabeça
terça-feira, 10 de abril de 2018
por Adriana Oliveira (aoliveira@avozdaserra.com.br)*
Foto de capa
O alerta do OTT-RJ na noite desta segunda-feira (Reprodução da internet)

A morte de um jovem de 20 anos, baleado na nuca na noite desta segunda-feira, 9, no conjunto habitacional Terra Nova, no distrito de Conselheiro Paulino, levou  Nova Friburgo à página do aplicativo OTT-RJ (Onde Tem Tiroteio no RJ). Eram exatamente 23h29 quando o OTT-RJ disparou o alerta de tiros na localidade.  "Tiros em Nova Friburgo, bairro Conselheiro, Terra Nova 3, com uma pessoa baleada. Atenção na região", dizia a mensagem.

É a segunda vez desde janeiro de 2016, quando o OTT-RJ entrou no ar, que Nova Friburgo aparece como palco de tiroteios. A primeira vez foi em 1º de setembro de 2017, quando uma troca de tiros durante uma tentativa de roubo de carga às 9h49 próximo ao Cadima Shopping deixou um policial baleado, como lembrou a leitora Viviane Mansur. 

O OTTRJ é uma página/aplicativo, já com meio milhão de seguidores nas redes sociais, que envia alertas de tiros, assaltos e arrastões, em tempo real, em todo o Estado do Rio. Alimentada pelos próprios usuários, a ferramenta foi criada por um grupo de cidadãos, de forma voluntária, com o objetivo de ajudar a população a reduzir os riscos que correm diariamente, com o recrudescimento da violência. As estatísticas geradas pelo sistema produzem dados que já alimentam o Mapa da Violência do Estado do Rio.

Os organizadores da página explicaram ao jornal A VOZ DA SERRA, por messenger, na manhã desta terça-feira, 10, que na última sexta-feira, 6, foi fechada uma rede de colaboradores em Friburgo. Com isso, eles acreditam que o OTT passe a divulgar mais ocorrências em Friburgo, embora, destacaram, nada comparável à capital ou a cidades como Angra dos Reis, que vêm registrando tiroteios diários.

O jovem morto no terra Nova foi identificado como  Bruno Rodrigues da Silva. Segundo a Polícia Militar, ele foi socorrido com vida por bombeiros, mas morreu no Hospital Municipal Raul Sertã.  No local do crime, os policiais militares da Radiopatrulha, do 11º BPM, encontraram um projétil deflagrado. Ainda de acordo com a PM, nenhuma testemunha do homicídio foi encontrada pelos agentes para falar sobre o caso após o assassinato. O homicídio foi registrado na 151ª DP. 

Nesta terça-feira, 10, policiais civis, já sob comando do novo titular da delegacia, Adriano Marcelo Firmo França, estiveram no Terra Nova para fazer a perícia e tentar obter informações com moradores e familiares da vítima. Até o fim da tarde, porém, a Polícia Civil continuava tentando encontrar o autor do disparo e descobrir a motivação do crime.

Outros casos

Com a morte deste rapaz, Nova Friburgo já registrou pelo menos três homicídios desde fevereiro até agora. No dia 28 de fevereiro, Bruno dos Santos Venturino, de 20 anos, foi morto com um tiro na nuca, em plena luz do dia, na Avenida Emil Cleff, no Bairro Ypu. O assassino ainda não foi preso.

No mês passado, no dia 20, o diretor da Escola de Samba Imperatriz de Olaria, Rafael Valeriano dos Santos, o Rafinha, de 35 anos, também foi assassinado na esquina das ruas Presidente Sodré e Gustavo Lira, em Olaria. Outra morte que está sendo investigada pela delegacia.

A origem do OTT

O OTT-RJ hoje é considerado um serviço de utilidade pública. "A ideia surgiu em dezembro de 2015. Vi uma reportagem sobre uma vítima de bala perdida em uma comunidade do Rio e pensei: por que não criar uma página, um meio de alertar a população carioca sobre onde acontecem os tiroteios?", explicou em uma entrevista à Agência Efe Benito Quintanilha, petroleiro de 41 anos e criador do projeto.

No início, Benito pedia a seus amigos de sua rede de contatos do Facebook que compartilhassem os alertas, mas, ao ficar sobrecarregado, pediu ajuda a dois amigos, Marcos Vinicius e Denis Colli, um físico e um programador de 36 anos, aos quais depois se juntou Henrique Coelho Caamaño, de 50 anos.

Os alertas foram ampliados para outras redes sociais, como Twitter, Instagram e Telegram, e chegam hoje, 24 horas por dia, a mais de três milhões de pessoas, quase a metade da população do Rio de Janeiro.

"Hoje temos grupos próprios de Whatsapp com mais de 11 mil pessoas. Constantemente chegam mensagens para denunciar tiroteios, arrastões e qualquer tipo de incidências. Para evitar falsos alarmes, o grupo tem normas rígidas de funcionamento e uma rede de 'informantes' de extrema confiança, divididos por áreas em toda a cidade", explicou.

*Com colaboração de Alerrandre Barros (alerrandre@avozdaserra.com.br)

 

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