Moradores protestam contra destruição de escola em Macaé de Cima neste sábado

O prédio foi depredado no último domingo. A Polícia Civil abriu inquérito e intimou um suspeito pelo crime
sexta-feira, 02 de outubro de 2015
por Alerrandre Barros
Foto de capa
A Escola Horst Garlipp após a investida criminosa

Moradores se reunirão em um ato público na tarde deste sábado, 3, para cobrar que a Justiça puna os responsáveis pela tentativa criminosa de demolição do prédio da antiga Escola Municipal Horst Garlipp, em Macaé de Cima. No final da manhã do último domingo, 27 de setembro, seis homens invadiram o terreno e depredaram o colégio, retirando portas, telhas, janelas e quebrando paredes com marretas. Alguns objetos, como carteiras, placas e um roteador para internet também teriam sido furtados da escola. A manifestação, organizada pela associação de moradores da localidade, será às 16h, em frente ao Hotel Fazenda São João.

Um grupo de cinco homens depredou o prédio da antiga escola por ordem do morador Paulo Roberto Schossler Barboza, 60 anos. No dia do ato criminoso, Paulo estava no local, orientando o grupo que destruía o prédio. O subsecretário de fiscalização de edificações e do meio ambiente, Juarez Pereira da Costa, foi chamado e determinou que Paulo parasse com a destruição do prédio.

“Ele alegou que o prédio da escola estava dentro de um terreno que ele havia arrendado, mas isso não é verdade, porque o terreno foi doado para a Prefeitura. Nós temos a escritura”, disse. Paulo não obedeceu à determinação de Juarez e foi levado por policiais militares para a 151ª DP.

“Enquanto Paulo esteve com os policiais na delegacia, os homens continuaram depredando a escola. Eu não sei por que eles também não foram levados pela polícia”, disse um morador de Macaé de Cima que pediu para não se identificar. Mesmo com o flagrante, Paulo prestou depoimento e foi liberado.

No mesmo dia em que o prédio foi destruído, o assessor jurídico da Associação de Moradores de Macaé de Cima, Welken Fernandes Cunha, fez um registro de ocorrência sobre o caso na delegacia. “Essa justificativa que o Paulo deu não é verdade. O prédio da escola pertence à municipalidade e havia um projeto para transformá-lo em uma biblioteca ambiental, tendo em vista que a localidade está em uma Área de Proteção Ambiental (APA de Macaé de Cima)”, contou o advogado.

Na última terça-feira, 29 de setembro, a delegada Danielle Christine de Barros, que estava de plantão na 151ª DP, intimou Paulo a comparecer à delegacia no próximo dia 19 para prestar esclarecimentos sobre o caso. Se Paulo não aparecer para prestar depoimento, ele pode responder pelo crime de desobediência, previsto no artigo 330 do Código Penal. Os investigadores agora estão em busca de informações que ajudem a identificar os outros homens envolvidos na depredação da escola.

Após as investigações da Polícia Civil, o caso será encaminhado para o Ministério Público em Nova Friburgo. A Procuradoria do município também informou que irá processar os responsáveis pelo crime. Todos eles podem responder por infrações nas esferas criminal, cível e ambiental.  

Escola foi fechada por falta de profissionais em 2014

Somente quatro alunos estudavam na Escola Municipal Horst Garlipp quando o prédio foi desativado no final do ano passado. Segundo a Secretaria de Educação, o colégio foi fechado porque a única professora que dava aula no local entrou em licença maternidade e a merendeira se aposentou. “Não havia disponibilidade de profissionais para substituir as duas servidoras”, informou a pasta. Os alunos da unidade foram transferidos para a Escola Municipal Francisco Ouverney, em Lumiar. A Horst Garlipp era multisseriada, oferecia aulas para alunos do 1º ao 5º anos.

“É inconcebível que esses estudantes tenham sido transferidos para a Francisco Ouverney, que fica a cerca de 20 quilômetros daqui. Não havia necessidade disso”, criticou o morador Ricardo Freitas. “Provavelmente é muito mais barato manter um professor do que pagar todo dia uma van para transportar as crianças pela estrada de terra. É um desperdício de espaço também, porque a Horst Garlipp tinha vocação para educação ambiental. Seria maravilhoso se o espaço fosse usado para oferecer educação básica para a comunidade local. Como alguém destrói uma escola?”, disse o empresário.

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