Moradores de Varginha protestam pintando buracos

Eles também reclamam da falta de iluminação pública e perigo para motoristas à noite
quarta-feira, 21 de março de 2018
por Alerrandre Barros (alerrandre@avozdaserra.com.br)
Foto de capa
As crateras pintadas para alertar os motoristas (Fotos da leitora Fernanda Neto)

A Avenida Dom Pedro II, que liga os bairros Parque Imperial a Varginha, amanheceu nesta quarta-feira, 21, com buracos contornados com tinta. Moradores realizaram a intervenção como forma de protesto e para alertar motoristas e pedestres que passam pelo local à noite, porque em alguns trechos falta iluminação pública. Outras ruas também foram pintadas.

“Foi o jeito que encontramos para chamar a atenção das autoridades. Parece que abandonaram Varginha. Há buracos que não acabam mais nas ruas do bairro e, para piorar, há postes com lâmpadas queimadas. Pagamos nossos impostos em dia, a taxa de iluminação pública, mas não recebemos o retorno em serviços públicos”, reclama a moradora Fernanda da Silva Neto.

A comunidade vem se mobilizando há tempos para cobrar da prefeitura a resolução de problemas no bairro. Moradores afirmam terem feito solicitações ao governo que ainda não foram atendidas. Nas redes sociais, em torno da hastag #JuntosPorVarginha vêm fazendo reclamações e também ironizam, com a hastag #RumoAos200Buracos, em referência ao bicentenário de Nova Friburgo a ser comemorado em maio deste ano.

No último sábado, 17, o grupo União dos Moradores realizou mais uma caminhada “Cidadão Fiscal” pela região para recolher demandas da população. Como A VOZ DA SERRA noticiou no último fim de semana, eles estão registrando problemas de calçamento e pavimentação nas ruas, sinalização, falta de lixeiras e transporte público que serão levadas a secretários de governo.

Além dos buracos e da falta de iluminação pública em Varginha, moradores se queixam do mato alto, que cresce às margens das ruas e pedem uma praça com parquinho para crianças. Mas a demanda mais cobrada é a entrega da nova Escola Municipal Juscelino Kubitschek de Oliveira, que em agosto de 2015 foi fechada por causa das péssimas condições do prédio.

À época, a Secretaria municipal de Educação, ainda na gestão do ex-prefeito Rogério Cabral, transferiu os alunos provisoriamente para o antigo Colégio Cêfel, no Paissandu, com a promessa de que uma nova escola seria construído em três terrenos vizinhos, já desapropriados, e próximos ao antigo JK, na Rua Leonino Dutra.

Quase um ano depois do fechamento da escola, em junho de 2016, um acidente envolvendo um ônibus que fazia o transporte de alunos do Cêfel para Varginha assustou os responsáveis pelos alunos, que voltaram a cobrar a reativação da Escola JK. O coletivo bateu em um poste no viaduto Geremias de Mattos Fontes e deixou cinco crianças levemente feridas.

Dias depois do acidente e após protesto de pais de alunos, a Defesa Civil realizou nova vistoria no imóvel e desinterditou somente o primeiro piso do imóvel. Após pintura e reparos na parte elétrica e hidráulica e divisão de cômodos para as salas no térreo, alunos voltaram a ter aulas na unidade.

Passados mais de dois anos, porém, o projeto da nova escola do bairro, já sob o governo Renato Bravo, ainda não saiu do papel, para a insatisfação dos pais que preferem que os filhos estudem mais próximos de casa. Procurada, a Secretaria municipal de Educação informou nesta quarta-feira, 21, que a empresa vencedora da licitação desistiu de fazer a obra da nova Escola JK, mas a segunda colocada vai realizar o serviço.

“No momento, estão sendo realizados os procedimentos administrativos para que toda a situação seja formalizada e a nova empresa possa começar a construção. A previsão é de que a obra seja iniciada em algumas semanas”, diz a nota. Sobre os buracos, a Secretaria Municipal de Obras informou que as chuvas intensas e constantes que caíram sobre a cidade durante o último mês atrasaram o cronograma de recuperação das vias no bairro. “Varginha é prioridade devido a necessidade urgente e está com operação tapa-buracos prevista para ocorrer assim que o tempo permitir, uma vez que este tipo de ação não pode ser realizada com chuva”.

O governo também disse que uma licitação para aquisição de massa asfáltica será realizada no próximo dia 6 de abril e, tão logo o material seja entregue, irá reiniciar a operação tapa-buracos por toda cidade com a ativação da Usina de Asfalto, na Chácara do Paraíso. Já sobre a iluminação pública, a prefeitura informou que está em andamento o processo de licitação para a compra de lâmpadas a fim de que a Secretaria municipal de Serviços Públicos faça o trabalho com mão de obra própria, enquanto aguarda a análise do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ) sobre a licitação do serviço por empresa terceirizada.

 

 

 

 

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TAGS: buracos | Obras | Protesto