Minas de Cricova, a maior adega do mundo

Localizada na União Soviética, ela tem cerca de 100 quilômetros de túneis subterrâneos
sábado, 09 de novembro de 2019
por Jornal A Voz da Serra
(Foto: Reprodução Internet)
(Foto: Reprodução Internet)
As adegas de Champagne são tão grandes, algumas atingindo mais de 20 quilômetros, que - durante as duas últimas grandes guerras mundiais - foram usadas para muito mais do que conservar garrafas de vinho, servindo de abrigo para refugiados, estocagem de munição, esconderijo etc. Durante os conflitos, a vida dos habitantes locais ocorria debaixo da terra, como as aulas das escolas, por exemplo, ministradas no subterrâneo enquanto as bombas caíam na superfície.

Hoje, 1,3 milhão de garrafas de mais de 600 marcas (incluindo licores) estão descansando nos inúmeros corredores, que chegam a ter 7,5 metros de largura e 3,5 de altura, com profundidades que variam de 35 a 80 metros
No entanto, engana-se quem acha que estão na França as maiores caves subterrâneas do mundo. Fica na Moldávia, uma das antigas repúblicas da União Soviética, a adega de maior extensão do planeta. Cerca de 15 quilômetros ao norte de Chisinau, capital do país, estão as ditas "minas de Cricova", com mais de 100 quilômetros de comprimento.

Até a II Guerra Mundial, essas minas não tinham como finalidade guardar vinhos. Eram fonte de cal. Foi somente depois do conflito que elas passaram a ser usadas para isso, tanto que metade da adega pessoal de Hermann Göring, o segundo homem mais importante da Alemanha de Hitler, foi transferida para lá (a outra metade ficou na Crimeia). Hoje, 1,3 milhão de garrafas de mais de 600 marcas (incluindo aí não somente vinhos, mas também licores) estão descansando nos inúmeros corredores, que chegam a ter 7,5 metros de largura e 3,5 de altura, com profundidades que variam de 35 a 80 metros. 

Essas características mantêm o ambiente com temperatura constante entre 12 e 14°C e com umidade de 97 a 98%, ideal para a conservação das garrafas por longo tempo. Os túneis são tão grandes que podem comportar carros e é possível dirigir pelas "ruas", que possuem nomes das diversas variedades de uva. Mas, além de estocar vinhos, os túneis têm inúmeros "ambientes", com salas de degustação, reunião, de jantar, em diferentes estilos arquitetônicos e de decoração.

Em 1954, foi fundada a Cricova Oenotec, empresa vitivinícola moldava que usa cerca de 60 quilômetros dessas minas para seus próprios vinhos. Durante o regime soviético, os túneis de Cricova ficaram fechados para o público e apenas delegações de políticos e celebridades, como os presidentes Mikhail Gorbachev e o astronauta Iuri Gagarin, podiam acessá-la. Uma lenda diz que Gagarin, primeiro homem orbitar a terra, em 1961, visitou a adega em 1966 e só saiu dois dias depois escorado. Em 1967, a coleção de vinhos de Cricova foi considerada um símbolo da república socialista.

Mais recentemente, em 2007, em seu aniversário de 50 anos, o presidente russo Vladimir Putin também esteve nas caves da Cricova para celebrar. Curiosamente, seus túneis continuam crescendo, pois ainda hoje há escavações em algumas partes para a obtenção de calcário. Aliás, as primeiras escavações datam do século XV e começaram exatamente para obter cal para a construção da cidade de Chisinau.

Ainda maior

Não muito longe de Cricova, ainda na Moldávia, outra adega alega ser a maior do mundo. A vinícola Milestii Mici diz ter cerca de 200 quilômetros de túneis subterrâneos para guarda de vinhos, porém "apenas" 50 são usados para esse fim. Assim como sua "concorrente", essa cave antes era usada como mina de cal. Em agosto de 2005, o Guinness Book, o livro dos recordes, atestou que Milestii Mici possui a maior coleção de vinhos do mundo, com mais de dois milhões de garrafas estocadas. (Fonte: Revista Adega)

 

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