Marlon Moraes escreve capítulo gigante ao vencer José Aldo no UFC

Atleta de Nova Friburgo mostrou bastante maturidade para vencer uma das lendas dos octógonos
segunda-feira, 16 de dezembro de 2019
por Vinicius Gastin
Marlon retoma rumo das vitórias e aguarda por novos desafios na organização
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Desta vez não foi preciso magia, embora o chute no início da luta e outros tantos momentos pudessem ter se transformado em novos passes de mágica de Marlon Moraes. Cabe a ressalva e o destaque: do outro lado estava uma lenda do esporte, e o maior mérito para Marlinho ter o braço erguido foi a execução da estratégia de maneira impecável. Ao deixar de lado a ansiedade demonstrada diante de Cejudo, o lutador de Nova Friburgo foi frio, calculista e preciso. Contundente quando precisou ser e sem erros defensivos nos momentos em que o oponente buscou castigá-lo.

Marlon demonstrou uma maturidade poucas vezes vista quando um atleta que ainda escreve sua trajetória enfrenta um capítulo inteiro da história do UFC. Gigante, Moraes venceu José Aldo por decisão dividida dos juízes (29-28, 28-29 e 29-28), e merece sim, todos os aplausos e reverências por seu feito.

 As vaias do público presente ao UFC 245, em Las Vegas, podem ser interpretadas muito mais pelo significado de Aldo para o MMA do que por injustiça. Afinal, há outro brasileiro, friburguense, pedindo passagem. E ele acaba de eternizar um momento enorme em sua carreira.

“Aldo foi o lutador da pressão, então a galera achou que ele venceu, mas se você conversar com qualquer um que entenda o esporte e realmente assista à luta, você verá que eu conectei melhor e pontuei mais. Eu sabia que tinha feito o bastante. Foi uma luta parelha, então se quiserem fazer de novo, estou aqui, estou pronto”, declarou o lutador friburguense.

A luta

Talvez o principal mérito de Marlon Moraes para vencer José Aldo tenha sido a execução perfeita da estratégia proposta. Mas “The Magic”, como é conhecido, não abriu mão de suas características no início de combate. Não demorou e o chute alto, logo nos primeiros segundos, balançou o oponente. Moraes tomava a iniciativa dos ataques, enquanto Aldo manteve a guarda alta, fugindo um pouco de suas características. O ex-campeão peso-pena acertou um golpe que desequilibrou Marlon, mas o friburguense se recuperou rapidamente. 

À curta distância, os dois lutadores trocavam golpes, e a sensação de equilíbrio se misturava com a de apreensão. Qualquer golpe bem conectado poderia encerrar o combate. No minuto final, Aldo acelerou o ritmo e conseguiu agredir um pouco mais. A luta foi para a grade, e os dois lutadores buscaram o ataque, até que Marlon Moraes conseguiu derrubar Aldo após um clinche. Por cima no chão até o intervalo, o lutador de Nova Friburgo foi mais agressivo e contundente, vencendo o primeiro round.

Na volta para o segundo round, Aldo passou a tomar a iniciativa do ataque, mas Marlon contra-atacava com perigo, e desferia jabs que conectavam no rosto de Aldo. A luta era tensa e muito equilibrada, e os lutadores se mantinham próximos um do outro, trocando golpes e mantendo o estilo de agressividade, embora com bastante estudo e cautela. Diferente do primeiro round, quando acelerou bastante o ritmo no minuto final, Aldo manteve a intensidade, trocou jabs com Moraes até o intervalo e deu a sensação de ter vencido a segunda parte, como depois foi confirmado pelos juízes.

O terceiro e último round começou com os dois lutadores se abraçando no centro do octógono e sendo aplaudidos pelo público. O respeito de uma lenda ao garoto de Nova Friburgo que pede passagem. E mostrou estar melhor fisicamente, om mais velocidade e ataques precisos. Enquanto Aldo o perseguia pelo octógono, Marlon controlava a luta, evitava a trocação franca e parecia controlar a vitória. “Marlinho” ainda tentou alguns chutes altos e rodados, enquanto Aldo buscava as joelhadas voadoras todas elas sem sucesso. No fim, ambos comemoraram e foram erguidos nos braços por suas equipes. 

A decisão anunciada por Bruce Buffer, no entanto, foi favorável ao friburguense. Aldo discordou, e os microfones captaram o ex-campeão dizendo que "tocou" bastante o adversário no último round, tentando justificar que deveria ter sido apontado o vencedor. Fato é que Marlon fez o suficiente – e não foi pouco, pelo contrário, para ter o braço erguido. A comemoração foi em grande estilo no octógono, junto ao Mestre Anderson França e ao amigo e também friburguense e atleta do UFC, Edson Barboza. Que momento! O campeão está de volta, e ao que parece mais forte e maduro. O cinturão é questão de tempo.

“Feliz pela oportunidade de ter lutado com ele, passado três rounds lá e vencido. Foi uma luta dura, não posso dizer que senti que estava na minha mão, mas no primeiro round ele sentiu e, no terceiro, a gente conseguiu pontua legal. Vou voltar pra casa, descansar com a minha família, mas quero lutar. É isso que eu faço”, resume.

Resultados do UFC 245 - CARD PRINCIPAL:

Kamaru Usman venceu Colby Covington por nocaute técnico 

Alexander Volkanovski venceu Max Holloway por decisão unânime 

Amanda Nunes venceu Germaine de Randamie por decisão unânime 

Marlon Moraes venceu José Aldo por decisão dividida 

Petr Yan venceu Urijah Faber por nocaute 

 

- CARD PRELIMINAR

Geoff Neal venceu Mike Perry por nocaute técnico

Irene Aldana venceu Ketlen Vieira por nocaute 

Omari Akhmedov venceu Ian Heinisch por decisão unânime 

Matt Brown venceu Ben Saunders por nocaute Chase Hooper venceu Daniel Teymur por nocaute técnico

Brandon Moreno venceu Kai-Kara France por decisão unânime

Jessica Eye venceu Vivi Araújo por decisão unânime Punahele Soriano venceu Oskar Piechota por nocaute

 

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TAGS: UFC