Manhãs e fins de tarde de outono revelam o melhor de Friburgo

Sol inclinado, frio crescente e chuvas raras deixam o céu mais azul no início do dia e mais colorido antes de escurecer
quinta-feira, 19 de abril de 2018
por Adriana Oliveira (aoliveira@avozdaserra.com.br)
Manhã de outono, vista do Alto das Braunes, em foto tirada de celular, sem filtro (Fotos: Monique Bertão)
Manhã de outono, vista do Alto das Braunes, em foto tirada de celular, sem filtro (Fotos: Monique Bertão)

Que Nova Friburgo é bonita o ano inteiro ninguém tem dúvida. Mas nesta época do ano, não por acaso a favorita dos fotógrafos, o sol mais inclinado, o frio cada vez mais presente e as chuvas mais raras deixam as manhãs na serra ainda mais límpidas, vívidas, impressionantes. E o céu, ainda mais azul. É o outono, bebê...

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Enquanto no Hemisfério Norte a estação tinge as folhas das árvores de tons de vermelho, laranja, rosa e dourado, aqui essas cores quentes ficam reservadas aos céus dos fins de tarde, que proporcionam crepúsculos arrasadores.

Mas é durante as manhãs, com nevoeiros densos que cobrem a cidade de branco até os primeiros raios de sol chegarem para dissipá-los, revelando o céu mais azul de todos, que o outono se mostra com todo o seu esplendor.

“É a melhor luz para fotografar”, resume a artista plástica Monique Bertão, moradora do Alto das Braunes, autora das fotos, sem filtro, que ilustram esta reportagem. A principal delas, tirada de celular, clicou o amanhecer desta quinta-feira, 19.

O presidente do Clube de Astronomia de Nova Friburgo e diretor do Planetário da cidade, Reinaldo Ivanicska, lembra ainda que o outono, marcado por uma climatologia tipicamente de transição, consegue reunir as quatro estações num mesmo dia. Para o Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos (Cpetec/Inpe), este trimestre de abril a junho não estará mais sob a influência de fenômenos como El Niño ou La Niña, o que resultará num outono dentro dos padrões normais.

Fotógrafos experientes explicam que as melhores fotos sob a luz do outono devem ser feitas até antes das 10h e depois das 15h, aproveitando a inclinação do sol. Nesses horários há uma combinação de elementos, detalhes e contrastes variados, como neblina, sol, sombras, céu, nuvens, estrelas, lua, as primeiras luzes acesas da cidade. “Deixe que a natureza atue como filtro”, recomenda Monique.

Dicas para fotografar no outono:

  • Aproveite o nascer e o por do sol para obter a melhor luz e efeitos de cores.

  • Observe quando a sua sombra for maior do que você, no chão. Isso geralmente acontece no fim da tarde.

  • Mesmo os dias nublados, com luz natural mais suave, possibilitam ótimas fotos.

  • Use um tripé ou apoie o braço num apoio firme para evitar tremer.

Por que o sol muda de cor durante o dia?

A luz solar é branca, cor que resulta da soma de todas as sete cores do arco-íris: violeta, azul, anil, verde, amarelo, laranja e vermelho. Ao longo do do dia, enxergamos a luz do sol com tonalidades diferentes porque a atmosfera filtra seus raios, separando as cores.

Segundo explica o físico Henrique Fleming, da USP, na revista “Superinteressante”, a percepção do sol muda por causa das irregularidades na camada de ar que envolve a Terra e pela distância que a luz percorre na atmosfera, formada por moléculas de gás infiltradas por partículas de poeira, poluição e gotículas de água. Quando o Sol está alto, as cores formadas por ondas de maior amplitude contornam essas partículas, mas as menores (violeta, azul e anil) não conseguem se desviar e trombam entre si, espalhando-se. Com isso, tingem o céu de azul e o sol fica amarelo, que é a soma das cores restantes: verde, amarelo, laranja e vermelho. À medida que o sol vai se pondo, seus raios têm que atravessar um pedaço maior da atmosfera, colidindo com mais obstáculos. Afinal, no crepúsculo, até as ondas longas, laranja e vermelho, acabam se trombando e se desviando, avermelhando gradativamente o horizonte (embora o resto do céu continue azul). A vermelha é a última onda de luz que consegue cruzar a atmosfera e nos atingir, por isso o sol crepuscular fica vermelho. Por fim, o céu fica negro com a ausência de luz: não chega mais nenhuma cor e nem se vê mais nenhum espalhamento, pois o sol está abaixo do horizonte.

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