Mais de 7 mil doses de vacina jogadas no lixo por defeito de refrigeração

“Ex-secretária de Saúde Tânia Trilha sabia do problema e não fez nada”, denuncia presidente da Comissão de Saúde, vereador Wellington Moreira
quinta-feira, 13 de junho de 2019
por Guilherme Alt (guilherme@avozdaserra.com.br)
Vacinas dentro do refrigerador com defeito desde janeiro (Arquivo vereador Wellington Moreira)
Vacinas dentro do refrigerador com defeito desde janeiro (Arquivo vereador Wellington Moreira)

Em meio à crise de repercussão nacional que culminou em mais uma troca de titulares na Secretaria de Saúde de Nova Friburgo, outra denúncia de descaso com o dinheiro público e a vida dos contribuintes vem à tona: 7.156 mil doses de vacinas foram jogadas fora, desde abril deste ano, por conta de um defeito nos equipamentos de refrigeração onde as doses estavam guardadas.

Segundo o vereador Wellington Moreira, presidente da Comissão de Saúde da Câmara de Nova Friburgo, uma pessoa ligada à secretaria afirma que a então titular, Tânia Trilha, estava ciente dos fatos, mas nada foi feito para impedir que as milhares de doses fossem perdidas.

Ainda segundo Wellington, desde o início do ano havia sido feito um pedido para a manutenção corretiva dos refrigeradores. Em abril, os equipamentos apresentaram um grave problema, o que acarretou a perda de milhares de doses. O vereador já protocolou denúncia junto à Secretaria Estadual de Fazenda, ao Departamento de Ouvidoria Geral do Sistema Único de Saúde (SUS) e vai acionar também ao Ministério Público.

“A câmara de refrigeração continua sem funcionar de forma adequada e pode comprometer ainda mais doses. A então secretária de Saúde, Tânia Trilha, tinha conhecimento desse problema já em janeiro deste ano, quando recebeu um memorando para realizar uma manutenção nos equipamentos. E, pior, a manutenção era corretiva, ou seja, não era serviço de prevenção. Foram feitos vários contatos através de ofícios, mensagens, ligações e pessoalmente”, denunciou o vereador ao jornal A VOZ DA SERRA (foto acima).

No dia 29 de abril, foram descartadas 2.787 doses;  no dia 29 de maio, mais 3.173 doses; e na última segunda-feira, 10 de junho, outras 1.196 doses também foram jogadas no lixo. Dessas doses, 1.160 eram de vacinas contra o vírus da gripe H1N1, que já provocou uma morte em Nova Friburgo e cuja campanha de vacinação termina exatamente nesta sexta-feira, 14.

Atualmente, o município concentra suas ações para imunizar a população contra o vírus da gripe. Em determinado momento da campanha de vacinação houve a paralisação do processo porque as doses haviam se esgotado. “Só nesse intervalo foram 1.160 doses de H1N1 jogadas fora, doses essas que poderiam imunizar grande parte da população, mas foram perdidas. As doses não se esgotaram; elas simplesmente estavam impróprias para a população por conta da péssima gestão da Secretaria Municipal de Saúde”, afirmou Wellington.

O vereador afirma que a secretaria tinha em caixa uma quantia que poderia ter sido usada para evitar o desperdício das vacinas. “A pasta tem hoje em caixa R$ 2 milhões que estão lá parados e poderiam ser usados para consertar os equipamentos. Pergunto ao chefe do Executivo: por que não foi aberto processo de licitação para o conserto dos equipamentos?”

As vacinas descartadas foram: HPV, Variceia, Raiva Humana, Hepatite B, Pneumocócia, Pentavalente, Rotavirus, Meningogócica, Hepatite A, Poliomielite VIP, Poliomelite, Triplica Viral Monovalente, Diluente e BCG.

Em Friburgo, o objetivo da Secretaria de Saúde era imunizar 54 mil pessoas até o fim da campanha. Até 1º de junho, conforme noticiou A VOZ DA SERRA, 31 mil pessoas haviam sido vacinadas. Esse número correspondia a 57% da meta local. No dia 4, após a suspensão da campanha por falta de doses, a prefeitura recebeu mais  4.200 doses que acabaram poucos dias depois. No último dia 10, contudo, 90% do público-alvo já haviam sido imunizado, segundo a pasta.

O que diz a prefeitura

Em nota, a Subsecretaria de Vigilância em Saúde informou que, embora as geladeiras que acondicionam as vacinas passem regularmente por manutenção corretiva, realmente houve alguns problemas técnicos, com desligamento durante a madrugada, inutilizando "algumas doses" para uso. "Ao todo, estima-se a perda de aproximadamente sete mil doses de vacinas diferentes, como contra H1N1, gripe e pneumonia", admite a subsecretaria.

 E a nota continua: "Houve comunicação formal por escrito e verbal às secretarias de Saúde do município e do estado a respeito do problema. A prefeitura já adotou algumas providências, como aquisição de três novas câmaras, sendo que uma veio com defeito e já está sendo providenciada a substituição pela empresa responsável; e instalação de novos equipamentos e a equipe de Obras e Serviços Públicos já estiveram no local para iniciar os reparos necessários na estrutura do espaço onde as vacinas são acondicionadas".

Segundo a subsecretaria, a perda de doses de vacina contra gripe não impactou a campanha, uma vez que a ocorrência se deu após o município atingir a meta estipulada para a cidade.

 

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