Homem-banda abre a série "Artistas de Rua" do AVS

Deficiência auditiva não impede Marcelo Serralva de encantar o público, carregando dez quilos de instrumentos musicais nas costas
quarta-feira, 05 de setembro de 2018
por Alan Andrade
 

“Acho que a única coisa que vai te limitar realmente é você”

Marcelo Serralva

Nesta primeira edição da série "Artistas de Rua", apresentamos o educador musical e multi-instrumentista Marcelo Serralva, que veio ao estúdio de A VOZ DA SERRA para contar um pouco sobre sua vida como artista de rua. Aos 48 anos, Marcelo carrega sobre os ombros algo mais pesado que seus dez quilos de instrumentos musicais: leva também a vasta experiência que conquistou ao superar os obstáculos inerentes à vida, como a deficiência auditiva que adquiriu após anos trabalhando com telemarketing.

No entanto, foi justamente esta “deficiência” que trouxe a música de volta para a vida de Marcelo, especialmente no dia em que sua arte tocou o coração de Marissa, 39 anos (foto), surda desde os 2 anos de idade, com quem se casou e tem uma filha, Mariane. Além de casados, os dois são também parceiros musicais, coautores de canções voltadas para a educação infantil, que falam sobre inclusão e respeito às diferenças. Os mais de mil vídeos produzidos pelo casal podem ser apreciados em seus canais no YouTube – o Malemolenga e o Marcelo Serralva. Juntos, os dois canais disponibilizam esse impressionante acervo.

Marcelo começou a estudar música cedo, quando ficou fascinado pelo violão que ganhou da família. Paradoxalmente, a própria família não via com bons olhos sua opção pela carreira musical: “É como se houvesse uma vergonha de dizer que o filho é músico”, relata com certo pesar, especialmente após constatar que ainda hoje vemos a resistência familiar.

Antes de se mudarem para São Pedro da Serra, Marcelo já fazia suas apresentações como “homem-banda” pelas ruas do Rio de Janeiro. Ele e Marissa chegaram a morar por dois anos em um asilo na Praça Seca, Zona Oeste da capital fluminense, onde ele também se apresentava mensalmente. Foi uma espécie de “estágio”, como ele mesmo diz, até decidirem levar sua arte para o interior, o “lugar tranquilo” que tanto buscavam.

Justamente por causa das dificuldades impostas pela labuta diária nas ruas, associadas à resistência da família e a uma deficiência física, Marcelo se diz vitorioso pelo simples fato de persistir: “Acho que a única coisa que vai te limitar realmente é você”.

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