Guto da Imperatriz diz que ganhou carnaval nos detalhes

Diretor conta as dificuldades na avenida, como a porta-bandeira Dandara, que passou mal durante todo o desfile
sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018
por Guilherme Alt

A Imperatriz de Olaria conquistou seu 13º título do carnaval friburguense e a festa varou a madrugada da última quinta-feira, 15. Mais de três mil pessoas lotaram a quadra da escola para comemorar o bicampeonato. Na tarde de quarta-feira, 14, após o resultado, um dos diretores da Imperatriz, Carlos Augusto Veiga Viana, o Guto, veio até o estúdio do jornal A VOZ DA SERRA acompanhado de seu novo amigo, o troféu da vitória, para conceder uma entrevista e falar de tudo que rolou nos bastidores até o que foi visto na avenida.

AVS: Foi difícil?

Guto: Foi sim. A dificuldade começou bem lá atrás quando começamos o nosso carnaval atrasado, em julho. Tivemos alguns problemas com captação de recursos, harmonia de ideias de nós da escola. Aos poucos fomos superando esses problemas, comprando todo o material para colocar a escola na avenida. O nosso carnavalesco, Gilson Pereira Nunes, fez um trabalho sensacional, ele foi de uma genialidade artística ímpar. No começo as coisas foram dando certo, as fantasias foram ficando prontas e passamos a acreditar no que estávamos fazendo.

Do que você percebia vendo os ensaios na quadra e ao chegar o momento em que finalizaram o desfile, vocês sentiram aquele gostinho de que dava pra ganhar o bicampeonato?

Dentro do que a gente já tinha dentro do barracão, como as fantasias, o trabalho realizado e os quesitos de harmonia, mestre-sala e porta bandeira, o carro de som, nós sabíamos que tínhamos potencial para ganhar.

No momento do desfile vocês tiveram alguma dificuldade?

Tivemos, sim. Por volta das 22h nós chegamos com o último carro na avenida. Esse carro, para o nosso carnavalesco, era a cereja do bolo.  Nós tivemos muita dificuldade de montar esse carro, as alegorias chegaram na última semana, foi bastante complicado. Na Avenida, nós tivemos um problema sério com a nossa porta-bandeira, Dandara Luísa. Ela começou a passar mal durante a apresentação, praticamente foi do supermercado Extra até o final. Na raça a Dandara chegou até o desfile. O nosso mestre sala sambou por ele e por ela. Os dois foram ótimo, um comprometimento incrível. Quando acabou e ela tirou a fantasia, teve que ser socorrida e levado ao hospital por ter desmaiado. Mas tudo ficou bem.

A partir do terceiro quesito a disputa começou a se desenhar entre Imperatriz e Vilage. Você já esperava que fosse assim, essas duas escolas disputando até o final?

Pelo que nós ouvimos nos bastidores, seria esse o desenrolar da situação, mas a gente tinha uma suspeita de que a Saudade viesse pra disputa. O mal do urubu é pensar que o boi tá morto, então a gente estava de olho na Saudade, também. Na avenida nós vimos que a Vilage era realmente a nossa grande adversária, uma escola que teríamos que superar ou eles nos superarem, porque nós acreditávamos muito no nosso carnaval. E foi isso que se desenhou, uma Vilage forte, uma Imperatriz forte e nos detalhes nós levamos, o detalhe da garra do nosso componente, no detalhe do samba que ficou muito bom.

E o que falar sobre a exaltação da cura, tema do samba enredo de vocês?

O nosso samba-enredo, um samba fantástico, um samba campeão. Esse samba quase me fez cair da diretoria, mas foi um samba que sacudiu a galera na avenida, foi bem cantado, daqueles de raiz, mesmo. O nosso intérprete Kaisso brincou na avenida, o carro de som foi perfeito, a bateria do mestre Fred foi impecável, viemos com três bossas encaixadinhas, a galera da bateria toda vibrando com sangue na veia. Foi muito legal.

No último quesito, Mestre-Sala e Porta-Bandeira, vocês estavam ganhando por três décimos, quando receberam a nota 9,8. Foi um momento de muita tensão até a nota seguinte que garantiu o título?

Foi muito tenso. Era um peso enorme descontar décimos tão importantes de um casal que se doou na avenida. Sabíamos que a Dandara tinha passado mal, mas não queríamos que a nota tivesse um papel determinante de forma negativa. Iria tirar o brilho de um esforço enorme de alguém que lutou com garra para não deixar a escola na mão. Esse título tinha que ser nosso, mesmo.

Este fim de semana vocês vão descansar ou tem mais festa?

Neste sábado estamos planejando ir ao desfile das campeãs na Sapucaí, não para relaxar, mas para analisar, aprender e ter ideias. A Sapucaí é uma fonte de inspiração para nós e tem muita influência nos nossos carnavais. O carnaval de 2019 vai começar, pra gente, no dia 29 de março que é o aniversário da Imperatriz. Vamos começar a planejar o tricampeonato.

A Garra e Superação de Dandara Luiza Soares, porta-bandeira da Imperatriz

Confira agora o depoimento da porta-sala da Imperatriz de Olaria (na foto acima, de Daniel Marcus) sobre o ocorrido na avenida:

“Foi um desfile bem complicado, por conta do peso da fantasia, mas eu e meu mestre sala (Paulo Erick) - principalmente ele - demos o nosso melhor pela escola. Não foi fácil em nenhum momento. Praticamente desde o início do desfile eu tive dor nos ombros, na coluna, senti muita fraqueza, tinha momentos que o peso me puxava para trás e a sensação é de que não daria para continuar. Não posso deixar de agradecer a Eliane, Ailton e minha mãe (Andréa) que nos deram todo suporte que a gente precisou. Por vários momentos do desfile eu pensei em desistir, até agora eu não sei de onde veio a força para chegar até o final, o meu medo era deixar minha escola e a comunidade na mão, sabia que em nenhum momento poderia fazer isso. Muitos acreditaram e confiaram na gente. No final do desfile a sensação de ter falhado com minha escola era grande, tanto que não tive coragem de ir a apuração, estava desacreditada e não tinha convicção que as tão sonhadas e suadas notas 10 viriam. Não é fácil ter um quesito inteiro nas costas de apenas duas pessoas, mas eu sabia que tinha dado o melhor de mim e o meu mestre sala, o melhor dele. Quando começou a apuração e eu fiquei sabendo que o meu quesito seria o último a ser lido, ou seja, seria decisivo para o título, confesso que me senti ainda pior pois sabia que a chance de nota baixa seria grande. Quando escutei o primeiro 10 a emoção foi enorme, depois veio um 9.8 e no final outro 10. Chorei muito, a sensação de dever cumprido, de que fui além do meu limite, tudo que meu mestre sala fez pela gente porque sem ele eu não conseguiria e graças a Deus veio bicampeonato. Agora estou feliz, estou muito agradecida a Deus, a minha fé foi essencial no momento mais difícil da minha dança”.

 

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