Guerra sem vencedor

sexta-feira, 08 de junho de 2018
por Jornal A Voz da Serra

       A CADA estudo estatístico que é publicado por algum organismo científico, consolida-se a convicção de que o Brasil é um dos países mais violentos do mundo. Trata-se de uma guerra civil em pequena escala.

       DE FATO, o Atlas da Violência 2018, divulgado esta semana, confirma esta assertiva. Os jovens constituem o maior contingente de brasileiros que morrem violentamente entre nós. A taxa brasileira é de 30 homicídios por 100 mil habitantes.

       PARA SE ter uma ideia da calamidade, na Europa, contando todos os países, o índice é de apenas um homicídio por 100 mil habitantes. Em dez anos, houve no Brasil 553 mil assassinatos, sendo 335 mil de jovens, na maioria negros.

       FOI A primeira vez que o país ultrapassou esse índice. Sinal de que a violência é crescente e que nenhuma política pública está dando conta de conter essa escalada. A situação é particularmente mais grave em estados do nordeste, como Sergipe, Rio Grande do Norte e Alagoas.

       ALÉM DOS homens jovens e entre estes os jovens negros, a violência atinge também as mulheres e as crianças. O feminicídio aumentou 15,5% em dez anos e foi maior entre as mulheres negras. Mais da metade dos casos de estupro atingiu pessoas de até 13 anos.

       O MAPA da violência no Brasil é um reflexo da extrema desigualdade econômica e social do país. Os pobres são as vítimas principais. Eles habitam as zonas mais perigosas, atuam nos mercados ilícitos, aderem a facções criminosas e se equipam com armas de fogo. Nessa guerra civil, não tem vencedor, mas só perdedores.

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