Governo Renato Bravo: transparência, diálogo e parcerias público-privadas

Uma entrevista exclusiva com o novo prefeito de Nova Friburgo
sexta-feira, 30 de dezembro de 2016
por Ana Borges
(Foto: Henrique Pinheiro)
(Foto: Henrique Pinheiro)
 Em visita à redação do jornal A VOZ DA SERRA, na última quarta-feira, 28, o prefeito eleito Renato Bravo — acompanhado da assessora de imprensa Lorraine Buty, e do publicitário (e filho) Octavio Valle Pinheiro Bravo —, foi recebido pela diretora Adriana Ventura, com quem manteve longa conversa, relembrando fatos que ao longo de gerações ligaram as famílias Bravo e Ventura, seguida de entrevista exclusiva. Às vésperas de tomar posse, no domingo, 1º de janeiro, às 14 horas, no Teatro Municipal Laercio Rangel Ventura, com transmissão dos cargos de prefeito e de vice [Marcelo Braune], no Palácio Barão de Nova Friburgo, sede do Executivo, Bravo reiterou suas propostas de governo divulgadas durante a campanha e fez novas revelações. 

Um trabalho realizado por equipes bem-entrosadas, visando tão-somente o bem comum, não tem como dar errado”
Pontos de interseção

O eleitorado já percebeu: na formação da equipe, pesou o critério técnico. “Predominantemente”, confirmou o novo prefeito, “embora com uma veia política”, ressaltou. “A boa relação dos secretários, do poder executivo com a Câmara dos Vereadores, é essencial para o aprimoramento político de ambas as partes. Temos feito reuniões periódicas com vereadores de todos os partidos, para demonstrar nosso empenho pela união da cidade. Propomos o seguinte: onde há divergência, buscar um ponto de interseção. Porque, em algum momento, vamos descobrir que pensamos igual. Então, é nesse justo momento, em que nossos pensamentos fluem na mesma direção, que devemos nos juntar e começar a construção desse novo tempo que todos nós ansiamos tanto”, disse Renato, deixando escapar um pouco do seu lado de engenheiro civil.

Esbanjando confiança e vontade de “arregaçar as mangas”, nota-se o entusiasmo do futuro prefeito de colocar em prática o programa de seu governo. Seu estado de espírito deixa transparecer a convicção de que atingirá seus propósitos. Para tanto, formou um secretariado afinado e, para garantir a sustentação de sua “construção”, vai usar transparência, diálogo e parcerias público-privadas. Com o maior número possível de representações, entidades, grupos, associações. “É assim que pretendemos aumentar o grau de confiança entre o governo e a sociedade. E então, nos fortalecer para enfrentar os desafios, que sabemos, são enormes”.

Quanto aos primeiros dias, ou semanas de governo, a ordem é “não ir tão depressa que pareça estar com excesso de velocidade, nem ir tão devagar que pareça estar parado”. Renato Bravo e equipe já sabem quais as questões mais importantes a serem enfrentadas e se diz preparado. “No nosso comitê gestor de Saúde, por exemplo, que é um fato novíssimo nessa área, trouxemos um grupo de pessoas com experiência em gestão hospitalar. Temos que melhorar, de fato, o atendimento nas unidades básicas e manter atualizados os dados e informações corretas dos sistemas, para que possamos aumentar a receita com relação ao Ministério da Saúde”, disse, tecendo comentários sobre a quebra do Estado do Rio — já de olho numa linha direta com Brasília —, respaldado pela contrapartida do dever de casa cumprido.       

Quem não trabalha…

Segundo Bravo, a análise do quadro de funcionários é fundamental para a eficácia de sua administração. Dialogar, distribuir e aproveitar os funcionários que efetivamente se disponham  a ser eficientes, cumprir o seu papel de servidor público. “Que é o que são, e o quê ‘estarei’ pelos próximos quatro anos.  Queremos saber o perfil e o potencial de cada um, sem desvalorizar o trabalho de ninguém. Nos interessa aproveitar ao máximo o que o funcionário pode dar, partindo da premissa de que cada um de nós deve estar adequado para determinada função. Ninguém vai perseguir ninguém, esse tipo de coisa não existe no nosso governo. Mas, tem o seguinte: as pessoas devem estar comprometidas, seriamente, com trabalho, pois, do contrário, é uma afronta com a comunidade. Não é justo nem decente que o povo pague os salários, através de seus impostos, sem ter o devido retorno, seja qual for a área de atuação da administração pública. Quem não trabalha…”, deixou o recado no ar.

Ele acredita que Friburgo tem um grande potencial que justifica a qualificação do pessoal. Defende que todo e qualquer indivíduo tenha a oportunidade de estudar e desenvolver suas aptidões, e isso se aplica à capacitação de quem queira seguir uma carreira. “Vamos trabalhar na formação de jovens lideranças friburguenses, incentivar os funcionários da prefeitura a aperfeiçoarem suas formações. Eles devem estar cada vez mais preparados para assumir uma gestão municipal de qualidade, atualizada e moderna”.

Além desse aspecto, Bravo quer viabilizar um maior contato com/entre as secretarias, para que, de maneira geral, se tenha acesso ao trabalho de cada setor, como estão desenvolvendo seus projetos, contornando problemas, implementando programas. “Esse contato permanente vai evitar a ‘pirâmide’, que compromete a caminhada da informação da base até o topo, provocando perdas importantes. Esse caminho não pode ser vertical, tem que ser horizontal. Para isso, temos que dar oportunidade a que todos se comuniquem. Isso é fundamental para eliminar problemas que ainda estão aí. Por exemplo, às vezes falta um remédio num posto de saúde porque o funcionário “esqueceu” de pegar o telefone e ligar para a farmácia ou depósito, avisando o que está faltando, para providenciar que seja enviado. Enfim, alguém tem que se mexer e resolver. É insuportável que coisas simples não possam ser resolvidas por falta de iniciativa, ou até mesmo, de boa vontade, bom senso, enfim. Não vou tolerar esse tipo de coisa. Todas as secretarias terão um time que responderá, de fato, por sua atuação”, enfatizou.

Renato Bravo acredita que falta diálogo, transparência, parcerias. De uns com os outros, de quem está trabalhando lado a lado. Ele quer que as pessoas falem umas com as outras, para descobrir que muitos projetos podem ser desenvolvidos em parceria, o que só vai torná-lo ainda mais eficaz. “Um trabalho realizado por equipes bem entrosadas, visando tão somente o bem comum, não tem como dar errado. É uma questão de um torcer pelo sucesso do outro, de deixar os egos de lado, se darem as mãos, confiar e seguir em frente. É isso que espero desse time no qual, aliás, ainda serão incluídos alguns nomes, o que será feito no início de nossa gestão”, antecipou.

Renegociação e prazos

Entre os projetos que podem e devem ser tocados por mais de uma secretaria, segundo Renato, é o da mobilidade urbana que mexe com questões sociais, onde se trata até de coisas como pisos, calçamentos. “Com os paralelos nas calçadas, as pessoas tropeçam, caem. Então, por que complicar e pagar mais caro, e ainda colocar em risco a segurança das pessoas, se é mais barato e seguro um piso cimentado? Essa é uma das questões simples, entre muitas outras, que queremos e vamos resolver com mais de uma secretaria”, exemplificou.

De início, o que está definido para os primeiros dias são os projetos de curtíssimo prazo, ressaltou. “Estamos dividindo o que é de curtíssimo prazo, de médio e de longo prazo. Em relação ao primeiro, vamos providenciar imediatamente, já que pode ser feito com baixo investimento. Uma coisa é certa: desde o primeiro momento, vamos atrás das parcerias público-privadas. Nâo há como abrir mão dessa fórmula, porque não podemos ficar esperando repasses do Estado para governar. Vamos ter que atrair investimentos, estimular todos os setores privados, local, regional, estadual, nacional  e internacional”.   

No primeiro dia como prefeito empossado, o que Renato Bravo vai providenciar é a renegociação de todos os contratos e serviços, em função da crise financeira da Prefeitura, do Estado e da União. “O quadro é difícil, e aqui em Friburgo não é diferente. Existem dívidas que estão negociadas e que serão pagas, depois de renegociadas. Mas meu espírito é o seguinte, é de ser positivo e otimista. Por exemplo, o dinheiro da repatriação que a União vai mandar, em torno de três milhões de reais, é um recurso que o governo federal quer depositar dia 30. Aí tem a compensação bancária e a dúvida de quando esse dinheiro entra na conta da Prefeitura. Eu torço para que ele entre no dia 29, porque aí está garantido o pagamento dos funcionários. Mas é importante também que as pessoas, todos os segmentos, entendam que nós vamos ter prioridades. Como a saúde, a educação, a mobilidade”, resumiu ele, depois de esmiuçar vários temas.     

Na mensagem final, o legado   

“Gostaria de convidar todo mundo para participar do projeto 200 Anos de Nova Friburgo. Esse aniversário não deve se limitar à comemoração em 16 de maio de 2018, mas ir além e marcar um novo tempo que deve servir de inspiração para todos nós. Na primeira semana de governo vamos fazer um decreto dando um prazo de 60 dias para toda a população de Friburgo, seja como pessoa física ou jurídica, ou representante de instituição, a apresentar a sua ideia, ou projeto, para ser executado. Cada trabalho terá a sua autoria garantida, e será analisado por uma comissão, cujos membros serão escolhidos segundo critérios rigorosos. Esse decreto será apresentado nos primeiros dias de janeiro trazendo todos os dados necessários. Posso adiantar que a partir do evento de 2018, estaremos vivendo o primeiro dia do legado dessa comemoração”.

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