Geógrafo inicia por conta própria limpeza do Morro da Cruz

Friburguense planeja finalizar sozinho, ainda neste sábado, coleta de todas as garrafas de vidro deixadas no local
sábado, 18 de novembro de 2017
por Guilherme Alt
Foto de capa
Pedro recolhendo garrafas de lixo na trilha (Fotos: Henrique Pinheiro)

Não bastou o Morro da Cruz sofrer com as queimadas em outubro: ele também sofre, dia a após dia, com pessoas que que têm o péssimo hábito de se desfazer do próprio lixo jogando tudo o que não devem na encosta.

No pé do morro, perto da Praça do Suspiro, foram encontradas muitas garrafas de vidro, principalmente de cerveja. Para amenizar a sujeira e a agressão ao meio ambiente, o geógrafo Pedro de Paula decidiu por conta própria recolher o lixo acumulado nessa encosta.

“Eu recebi a informação de que tinha muito lixo acumulado nesse ponto, e aqui é próximo a um ponto turístico, então o absurdo é ainda maior. A rua de trás da Praça do Suspiro é muito largada, a vegetação invade a rua, não tem uma limpeza adequada”, afirmou o geógrafo.

A iniciativa começou no meio do ano, quando Pedro Paulo recolheu pouco mais de mil garrafas, em apenas três dias. Em outra coleta, o geógrafo teve o apoio de pessoas do Centro Excursionista Friburguense (CEF), do qual faz parte.

Neste sábado, o trabalho começou bem cedo. “A minha intenção é finalizar hoje (sábado). Quero recolher todas as garrafas restantes. Lá para cima, nas outras vezes que vim aqui, recolhi milhares de garrafas pet, outras de vidro e copos plásticos”, conta.

Além do Morro da Cruz, outro ponto que costuma receber grande número de pessoas é a Pedra do Imperador. A trilha que leva até um dos pontos mais altos da cidade também é concentra um grande acúmulo de lixo, segundo Pedro. “Lá inclusive tem uma cisterna que as pessoas passam e jogam muita coisa. Só que limpeza de cisterna pode ser perigoso porque ao realizar essa limpeza o lixo acumulado pode soltar um gás que é letal e pode matar em questão de segundos e eu conheço casos desses que foram fatais, então é preciso um planejamento maior e um cuidado grande, mas lá é um lugar que eu quero realizar uma limpeza, também”.

Pedro calcula que ainda restam em torno de 500 garrafas na encosta e após o recolhimento as garrafas irão para um aterro sanitário. “Acredito que eu consiga finalizar o serviço até umas 16h. Existem outros lixos que eu também vou recolher. Ainda tem resquícios de objetos de uma casa que desabou com a tragédia de 2011. Com o trabalho finalizado todo o material vai ter o destino da maneira correta para que a gente possa reaproveitar o máximo”.

O principal comprador de vidro está em Curitiba e, de acordo com Pedro, o material poderia ser reaproveitado de uma forma bem eficiente. “Existe uma técnica de moagem de vidro que permite que o material possa ser vendido para piso de estacionamento. O produto fica igual àquelas pedrinhas de aquário. Ao invés de usar brita, por exemplo, poderíamos ter um material mais barato, de boa qualidade e que hoje só serve pra acumular lixo. Friburgo tem um potencial para projetos desse tipo. Acredito que a coleta seletiva daqui possa ser mais eficiente”.

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