Funcionários do Caps denunciam atrasos em repasses

De acordo com a única psiquiatra da unidade no Centro, verbas do Ministério da Saúde não chegam em sua totalidade desde 2011
quarta-feira, 08 de novembro de 2017
por Guilherme Alt
Foto de capa
O protesto realizado na terça em frente à prefeitura (Foto: Henrique Pinheiro)

Funcionários e pacientes do Centro de Atenção Psicossocial (Caps) realizaram um protesto na manhã desta terça-feira, 7, em frente à sede da Prefeitura de Nova Friburgo. O objetivo era cobrar o repasse da verbas destinadas ao órgão, feito pelo Ministério da Saúde ao Executivo friburguense.

Essa verba é destinada ao Caps e ajuda na manutenção da casa onde funciona o órgão, na Avenida Comte Bittencourt. De acordo com a assistente social Tereza Perez, o Caps está com deficiência de materiais fundamentais para o funcionamento do local. “Cada dia que passa o Caps está com o atendimento mais precário, com deficiência de materiais para oficinas e insumos de alimentação. Temos 400 pessoas inscritas e estamos com problemas graves por conta da falta de recursos”, reclamou a assistente social.

Ainda segundo Terezinha, a verba não chega para o Caps da maneira correta há pelo menos seis anos. “Desde 2011 que a prefeitura, através da Secretaria municipal de Saúde, não repassa esse dinheiro como tem que ser. E este ano estamos sem receber esses recursos há muitos meses”, denunciou. A única psiquiatra que atende no Caps, Ângela Moura, reclama da falta de outros profissionais da área. “Em 1980 tinha sete psiquiatras aqui, hoje apenas eu. Os profissionais não estão sendo pagos. Alguns deles vieram, trabalharam e não receberam”, disse.

Nesta terça a unidade permaneceu fechada devido a mobilização dos funcionários. Nesta quarta os atendimentos seriam retomados. “Não queremos prejudicar a vida de ninguém. Muitos dependem de nós. Mas precisamos mostrar que a nossa situação está muito complicada e se não reivindicarmos nossos direitos, só vai piorar.”, disse Terezinha.

Sandra Frossard, aposentada por invalidez, é paciente do Caps. Ela realiza consultas frequentes com psiquiatras e toma remédios para controlar distúrbios emocionais. “A psiquiatra que me atendia foi embora. Eu tomo remédio para tratar meus “altos e baixos” e no momento estou sem acompanhamento médico. Para esse ano eu ainda tenho os remédios que me ajudam no tratamento, mas para o ano que vem, não. Preciso de um profissional para me atender, porque não tenho dinheiro para pagar por conta própria”, reclamou a paciente.

O que diz a prefeitura

Em nota, a Prefeitura de Nova Friburgo informou que na última semana foi realizada uma reunião entre funcionários do Caps e uma representante da Secretaria Municipal de Saúde. As reivindicações dos membros da unidade foram acolhidas pelo Poder Executivo e uma nova reunião entre eles e a Secretaria de Saúde foi marcada para esta quarta, 8, a fim de que as medidas cabíveis para o atendimento das solicitações sejam tomadas.

Ainda de acordo com a nota, “quanto às questões de habitação e o quadro de funcionários, alguns avanços já foram feitos pela prefeitura, como o processo seletivo para o preenchimento de vagas para a saúde mental, que visa a recomposição do quadro, que estava incompleto, das três unidades, Caps e Capsi. A previsão de chamadas é para dezembro. Além disso, também estão previstas providências nas estruturas físicas, que sofreu com abandono ao longo dos últimos anos”.

 

LEIA MAIS

Mudança na Lei Orgânica acontece após acordo com o Ministério Público do Trabalho. Votação deve ser na quinta

Das mais de 22 mil crianças do município, apenas 13% compareceram aos postos de saúde durante a campanha

Unidades foram escolhidas para receber recursos de emenda parlamentar federal por estarem com funcionamento prejudicado devido à crise

Publicidade
Agora Faz
TAGS: saúde