Friburguenses vivendo em áreas de risco ainda são 24 mil

Cruz Vermelha faz homenagem às vítimas da tragédia de 2011. Inea diz que vai investir R$ 295 milhões na cidade
terça-feira, 16 de janeiro de 2018
por Alerrandre Barros
Foto de capa
A homenagem da Cruz Vermelha, com velas e sinalizadores

Pelo sexto ano consecutivo, a Cruz Vermelha realizou um ato em memória às vítimas da tragédia que matou centenas de pessoas e deixou milhares de desabrigadas em Nova Friburgo e cidades vizinhas em janeiro de 2011. A homenagem, que marcou os sete anos da catástrofe climática da Região Serrana, aconteceu na noite de quinta-feira, 11, no “Memorial 12 de janeiro”, construído na Praça do Suspiro.

“Não podemos deixar essa data passar em branco. É preciso sempre ter em mente para evitar que a tragédia caia no esquecimento. Temos que estar atentos aos avisos da Defesa Civil, porque aquilo que aconteceu pode acontecer novamente se não houver prevenção. A comunidade precisa fazer sua parte e evitar as áreas de risco”, disse o coordenador da Cruz Vermelha do município, Luiz Cláudio Rosa.

Os integrantes da entidade se reuniram ao redor do monumento por volta das 19h. Eles acenderam 428 velas em homenagem a cada uma das vítimas que morreram em Nova Friburgo. Um coroa de flores também foi depositada no memorial. Sinalizadores vermelhos atraíram a atenção de quem passou pela Avenida Galdino do Valle Filho. Parentes de vítimas participaram do ato e se emocionaram. A Defesa Civil de Cachoeira de Macacu também acompanhou a homenagem.

“Desde a tragédia estamos realizando um trabalho de prevenção na cidade, junto com a Defesa Civil. Através dos Núcleos de Proteção e Defesa Civil (Nupdec), moradores de Lumiar, Amparo, Riograndina Maria Teresa, Campo do Coelho, Conselheiro Paulino, Córrego Dantas e, agora, São Geraldo foram treinados para atuar em situações como falta de comunicação, rotas fuga e até mesmo para prestar primeiros socorros”, comentou Rosa, reafirmando a importância da prevenção.

Friburgo: 24 mil em áreas de risco

Sete anos depois do maior desastre natural da história do país, que deixou 918 mortos e 99 desaparecidos na Região Serrana do Rio, famílias inteiras ainda vivem em áreas de risco. Um levantamento feito pelo jornal O Globo com a Defesa Civil e associações de moradores mostra que 171,8 mil pessoas ocupam casas que podem ser atingidas por quedas de barreiras, deslizamentos de terra ou enchentes em Nova Friburgo, Teresópolis, Petrópolis e Bom Jardim. Em Friburgo, há aproximadamente 24 mil pessoas vivendo em áreas de risco.

De lá para cá, algumas medidas foram tomadas, como a construção de unidades habitacionais para os desalojados. Das 4.880 unidades habitacionais previstas para a região, 4.204 foram entregues, segundo informou a Secretaria de Obras do Estado. A maior parte em Nova Friburgo, com 2.337, a maioria no conjunto habitacional Terra Nova. Apesar disso, ainda há morador que aguarda um imóvel e vive com aluguel social.

As obras de ampliação da calha, dragagem e contenção de margens do Rio Bengalas, no distrito de Conselheiro Paulino, também avançaram, apesar de estarem atrasadas. Grandes obras de contenção de encostas também foram realizadas na Vilage, no Centro, no Suspiro, no Jardinlândia, no Córrego Dantas e em outros bairros afetados pela catástrofe. Mas outras tantas ainda estão paradas ou nem começaram.

De acordo com o Instituto Estadual do Ambiente (Inea), R$ 295 milhões ainda serão investidos em medidas de prevenção na cidade: desapropriação de casas (R$ 10 milhões), substituição de 12 travessias ao longo do Rio Bengalas e Córrego Dantas (R$ 35 milhões), dragagem, adequação de calha, proteção e contenção das margens, urbanização marginal e reflorestamento do Córrego Dantas (R$ 60 milhões), dragagem, adequação de calha, proteção e contenção das margens do Rio Bengalas (R$ 190 milhões).

 

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