Friburguense será técnico do Botafogo

Felipe Conceição já jogou pelo alvinegro e era auxiliar de Jair Ventura, que deixou o time carioca para comandar o Santos
quinta-feira, 28 de dezembro de 2017
por Vinicius Gastin
Foto de capa

Mais um friburguense ocupará um lugar de destaque no esporte nacional. Se nomes como Edson Barboza, Marlon Moraes e Jhennifer Alves possuem esse nível de projeção em suas modalidades, Felipe Conceição terá a oportunidade de sua vida aos 38 anos. Nascido e criado em Nova Friburgo, o ex-atleta profissional de futebol é o novo técnico do time principal do Botafogo, um dos grandes clubes do Rio de Janeiro e do Brasil. Felipe já atuou pelo alvinegro como jogador, e era auxiliar de Jair Ventura, que deixou a equipe carioca para comandar o Santos.

Felipe Conceição deixou o município em busca do sonho de jogar futebol com apenas 14 anos de idade. Antes, jogou em escolinhas de Nova Friburgo, como a do Bimba, tradicional no bairro Olaria. Sormani Jaccoud, filho de Bimba, relembra a época em que jogaram juntos e vibra com a oportunidade. “Fiquei muito feliz quando soube, ele merece. Jogamos juntos na escolinha do meu pai. Ele deixou muitos amigos em Nova Friburgo”, disse Jaccoud.

Em 1995, Felipe foi aprovado para a categoria juvenil do Botafogo. Mesmo na base, teve a oportunidade de acompanhar de perto a campanha do título brasileiro conquistado pelos cariocas, exatamente naquele ano, e teve Túlio Maravilha como parceiro de ataque.

“Para chegar ali foi difícil, pois eu vim de Nova Friburgo, com 14 anos. Falei com meus pais e minha avó que eu queria ser jogador de futebol profissional num clube grande. Eles tomaram um susto, pois era um menino de 14 anos que saía de casa com essa determinação. Sou focado. Fui correr atrás de testes, peneiras, passei por alguns núcleos e, quando via que não me mandariam para equipe da categoria, ia embora. Não tinha tanta condição de sustentar, morava na casa da minha avó. Até, com 15 para 16 anos, consegui, numa indicação, com um cartão do antigo Luiz Mendes (radialista, morto em 2011) deu para o meu tio um cartão e eu fui fazer o teste no Botafogo. Eu não tinha essa altura toda (hoje, 1,84m), era franzino, e a opção do treinador foi botar os dois no coletivo - um em cada time - e me deixar para depois. Tive a sorte de entrar nos últimos 20 minutos, fazer gol e jogar bem”, relembra Felipe Conceição em uma entrevista concedida ao jornal Lance, do Rio de Janeiro.

Felipe subiu de categoria, e na época era considerado como uma das maiores revelações do clube, sendo bi-campeão estadual de juniores, título que o Botafogo não conquistava há 19 anos. Subiu ao profissional em julho de 1998, já com destaque, e em 1999 foi convocado pela seleção brasileira sub-20. Dentre outros craques, atuou com Ronaldinho Gaúcho, Juan (zagueiro atualmente no Flamengo), Júlio César, entre outros. No entanto, uma sequência de lesões graves impediu o seguimento da carreira em alto nível, e em 2003, após pouco mais de oito anos de clube, saiu do Botafogo.

Felipe acabou passando por uma série de pequenas equipes do Rio de Janeiro, como o América (2003), Portuguesa da Ilha e Cabofriense (2005), no primeiro ano em que o clube chegou a uma semifinal de Taça Guanabara. Também atuou pelo Juventude em 2002, emprestado pelo Botafogo. Desacreditado reiniciou a carreira em 2006 no Resende, na terceira divisão carioca, e disputou o Campeonato Mineiro da 1ª divisão em 2007, onde se destacou com belos gols e contribuiu para que o Tupi chegasse entre os quatro melhores após 20 anos. O reconhecimento veio com a oportunidade de voltar a jogar por um grande clube, dessa vez o Vitória de Guimarães, de Portugal, disputando o campeonato português na temporada 2007/2008. Nesta mesma temporada foi artilheiro da 1ª Liga Intercalar de Portugal.

Na sequência da carreira defendeu o Pontevedra por empréstimo. Em 2009 o jogador e o clube português rescindiram o contrato, e no ano seguinte, Felipe acertou com o Paulista, clube de Jundiaí-SP. Entretanto, já em fevereiro, foi jogar na China pelo Liaoning, clube da cidade de Shenyang, norte chinês. Esta seria a última aventura dentro das quatro linhas.

Em 2011, Felipe Conceição, conhecido como Tigrão na época de atleta, abandonou a carreira para se tornar diretor executivo do São Gonçalo Futebol Clube. No ano seguinte tornou-se treinador, comandado a equipe profissional que se sagrou campeã da terceira divisão do Rio de Janeiro. Em meados de 2013, assumiu a equipe sub-15 do Botafogo, e no final daquele mesmo ano, foi promovido ao sub-17 do Glorioso. No ano seguinte foi o treinador do Botafogo sub-18 no torneio internacional Zayed Cup em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes.

Felipe ganhou destaque de fato em 2015, quando levou a equipe sub-17 à decisão da Copa do Brasil da categoria. Nomes como Luís Henrique e Matheus Fernandes eram os destaques daquela geração. No ano seguinte ele foi incorporado à comissão técnica do elenco profissional, e com a demissão de Ricardo Gomes e a promoção de Jair Ventura, em 2016, tornou-se um dos auxiliares diretos do técnico. Para o ano que vem, desafios como o Campeonato Carioca, a Copa do Brasil, o Brasileirão e a Copa Sul-Americana esperam por Felipe Conceição. Eis que surge mais uma grande oportunidade para mais um friburguense brilhar no contexto nacional.

 

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