Friburgo perde o pioneirismo de Paulo Roberto Celles Cordeiro, aos 71 anos

Precursor da produção de leite de cabra e de lúpulo, médico veterinário é lembrado por seu bom-humor e sorriso fácil
segunda-feira, 03 de junho de 2019
por Adriana Oliveira (aoliveira@avozdaserra.com.br)
Paulo Roberto Celles Cordeiro: pioneirismo e simpatia (Álbum de família)
Paulo Roberto Celles Cordeiro: pioneirismo e simpatia (Álbum de família)

Um ser humano doce, simples, divertido, irreverente, amoroso, de bem com a vida. “Com ele não tinha tempo ruim, estava sempre rindo”, resumiu um parente próximo. Um empresário de visão, pioneiro em tudo o que fazia, empreendedor e criativo. “Ele achava graça nas coisas até mesmo nos momentos mais desafiadores”, observou outro amigo. Assim as pessoas, sejam do círculo pessoal ou dos negócios, descrevem Paulo Roberto Celles Cordeiro, que morreu na noite deste sábado, 1, aos 71 anos, vítima de infarto.

Paulo, que apesar da alta estatura era apelidado de Paulinho para não ser confundido com o pai, o ex-deputado estadual Paulo Cordeiro e ex-secretário municipal de Fazenda Paulo Cordeiro, era médico veterinário e começou a carreira trabalhando em fazendas no Mato Grosso. De volta a Nova Friburgo, onde nasceu, nos anos 80, tornou-se precursor no estado do Rio de duas de suas paixões no agronegócio: a caprinocultura e a produção de lúpulo.

Ciente de que o leite de cabra é muito consumido por crianças alérgicas ao leite comum, de vaca, era extremamente preocupado com a qualidade do produto que produzia. Assim, viajava por conta própria o Brasil inteiro e a outros países em busca dos melhores rebanhos caprinos e das melhores tecnologias para a sua fábrica em sociedade com um irmão, a Caprilat.

Foi pioneiro na fabricação de leite de cabra em pó, junto com a Queijaria-Escola de Friburgo, pioneiro no envase de leite de cabra longa vida e também na coleta de leite a granel em caminhão-tanque. Acreditou e implantou a técnica de manipulação do fotoperíodo para induzir cio em cabras. Desenvolveu o iogurte de leite de cabra, inúmeros tipos de embalagens, o leite em pó de cabra, inúmeros queijos, a ordenha mecânica usando ordenhadeiras de vacas (não havia as de cabras). Atuou em importações de animais e sêmen. Promoveu inúmeros encontros técnicos. Apresentou palestras e  trabalhos em congressos nacionais e internacionais. Atuou diretamente na lei sobre leite de cabras do Rio de Janeiro que até hoje embasa as leis de vários estados. Recebeu em sua propriedade inúmeros estudantes na forma de estagiários, hoje reconhecidos profissionais da área.

Mais recentemente, Paulo também foi um dos precursores do movimento que levou Nova Friburgo a ser reconhecida como Polo Cervejeiro. Começou plantando lúpulo no quintal de casa, no Amparo, e terminou fazendo a cidade despontar no mapa da produção nacional dessa planta, responsável por conferir o amargor e o aroma das cervejas.

Diretor de Agronegócios da Associação Comercial, Industrial e Agrícola de Nova Friburgo (Acianf), foi Paulo quem entregou em mãos, em Brasília, uma carta ao presidente da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Maurício Antônio Lopes, solicitando uma linha de pesquisa com lúpulos. O pedido foi atendido, originando um importante encontro que aconteceu na Acianf no ano passado.

Deixa viúva, três filhos e cinco netos. Ao velório estava presente, consternada, a mãe de 93 anos, dona Lourdes. A equipe de A VOZ DA SERRA manifesta seu mais profundo pesar à família Celles Cordeiro neste momento de dor.

 

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