Friburgo agora tem empresa para recolher cavalos e outros animais

Firma receberá R$ 241,5 mil, por um ano, para prestar serviço
quinta-feira, 05 de dezembro de 2019
por Guilherme Alt (guilherme@avozdaserra.com.br)
Cavalo solto na Via Expressa (Arquivo AVS)
Cavalo solto na Via Expressa (Arquivo AVS)

 

Uma empresa responsável por recolher animais de grande e médio porte já está operando em Nova Friburgo. Após pelo menos cinco meses sem definição, quem assume a função é a empresa Rodrigo Furlanetto Rossi ME. De acordo com publicação no Diário Oficial eletrônico, a empresa receberá R$ 241.500, por um contrato de um ano, cuja assinatura ocorreu no último dia 22 de novembro.

A empresa ficará responsável pelo recolhimento, transporte, depósito e guarda de animais de médio e grande porte (equinos, bovinos, suínos, caprinos e ovinos), apreendidos nas rodovias estaduais que cortam o município (RJs 116,130,142,148 e 150), nos trechos de intervenção urbana e nas demais vias do período urbano do município.

A população tem, frequentemente, denunciado vários casos de abuso, violência e abandono principalmente de cavalos. Em várias partes do município, há relatos de cavalos soltos que colocam em risco a vida de motoristas, pedestres e dos próprios animais. Na última semana, no distrito de Riograndina, de acordo com informações da Subsecretaria de Bem Estar Animal (Ssubea), um cavalo passou mal e foi encontrado caído em frente a um condomínio. Ele foi atendido por uma veterinária da prefeitura e precisou ser sacrificado.  

Protetores criticam

Os protetores de animais fazem críticas constantes ao “modus operandi” do poder público. Segundo eles, a certeza da impunidade incentiva proprietários a cometer maus tratos e abandono, associada à falta de fiscalização. Por medo de sofrer represálias, eles conversaram com a nossa equipe, mas pediram para não serem identificados. Alguns já sofreram ameaças de donos de animais.

“No Cônego eu vejo cavalos soltos e sem rumo. Teve um fim de semana em que uma égua estava se enforcando na corda que estava amarrada, junto a mais dois cavalos. Quando procurei o dono do animal, que estava em um bar, ele gritou muito, me ameaçou e queria partir para a briga. Chamei a polícia, mas ela não foi”, relatou uma protetora de animais.

“Hoje todos os animais apreendidos pela empresa terceirizada são microchipados e tem o nome do tutor. Muitos animais de grande porte servem como barriga de aluguel para transporte de drogas ou são utilizados como fonte de carne seca”, denunciou outra protetora.

Alvo de críticas da maior parte dos protetores, a Ssubea, de acordo com eles, não tem atuado de forma precisa. Eles citam a dificuldade para fazer uma denúncia e de uma resposta rápida no auxílio ao animal. “O ramal da Ssubea é inexistente e o número informado pertence à Secretaria de Meio Ambiente. Quando se liga para o telefone da Secretaria de Meio Ambiente, a informação é que a pasta não recebe denúncias pelo telefone, tem que ser pessoalmente e protocolar na prefeitura. Muitas denúncias precisam ser vistas na hora. São vidas em jogo”, relatam os protetores.  

Ainda segundo os protetores de animais, a atuação deles é reconhecida pela população e muito se deve às redes sociais. Eles contam que nada tem passado despercebido de seus olhares. “Os próprios protetores e população ao identificarem uma situação dessas, fotografam e denunciam nas redes”, contam. 

“Nova Friburgo ficou por meses sem o serviço de resgate de animais de grande porte, o que foi resolvido na semana passada. Mas isto não é culpa da Ssubbea, porque a subsecretaria não tem atendimento ao público. Esperamos que de fato a situação mude, antes que os infratores se sintam os homens da lei e continuem fazendo o que bem entendem”, alertam os protetores.

O que diz a prefeitura

Segundo a prefeitura, o telefone para contato com a Subsecretaria de Bem-Estar Animal - Ssubea - é o da Secretaria de Meio Ambiente, o (22) 2525-9216. Um atendente está destinado para receber as demandas da Ssubea. Denúncias de maus tratos podem ocasionar uma punição ao tutor e precisam sim ser protocoladas, mas no caso de animais de grande porte, que forem encontrados amarrados, em sofrimento, ou em situação de risco é só acionar a empresa responsável pelo recolhimento do animal. O contato pode ser feito por meio dos telefones: (22) 99773-7271 ou (22)2519-4510. A empresa estará de plantão aos sábados e domingos.

Depois de recolhido, o animal é encaminhado para a sede da empresa, desde que  não apresente sinais claros de maus tratos (nestes casos, é encaminhado para adoção), o dono deve se dirigir até a Secretaria de Meio Ambiente, com cópias do RG e CPF para dar entrada em um processo de liberação do animal. Se o animal apresentar sinais de maus tratos, será feito um ofício e encaminhado junto às provas para a delegacia.  “A Ssubea não é um órgão que trabalha com plantão. Mas os casos de denúncia também podem ser feitos na Polícia Civil e Militar”, finalizou o Poder Executivo.

 

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