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Água mineral mais antiga de Nova Friburgo tem 29 anos e luta para resistir num mercado inundado por “fakes”
sábado, 26 de janeiro de 2019
por Adriana Oliveira (aoliveira@avozdaserra.com.br)
O envasamento da Água Nova Friburgo, em Rio Bonito de Lumiar (Fotos de divulgação)
O envasamento da Água Nova Friburgo, em Rio Bonito de Lumiar (Fotos de divulgação)

A água mineral envasada mais antiga de Nova Friburgo - e a primeira naturalmente fluoretada do Estado do Rio - traz o nome da cidade no rótulo e está prestes a completar três décadas. É tão natural, pura e leve no paladar que “vicia”: você só percebe a diferença quando prova outra, de origem duvidosa ou tratada com cloro.

A produção começou em 1990, quando o engenheiro carioca Francisco Loureiro, incentivado por amigos, experimentou engarrafar a água pura e abundante que brotava da fonte em seu sítio, no meio da mata fechada de Rio Bonito de Lumiar. “Na época não havia luz, nem telefone, nem estrada. Bem, estrada não temos até hoje”, brinca ele, relembrando o desafio que desbravou aos 30 anos, vindo de uma experiência com café em Maringá (PR).

Hoje são duas fontes de água - uma de vazão espontânea, outra de poço - que dão origem a duas marcas: a água Nova Friburgo e a Lumiar. A diferença entre as duas é micrométrica, na composição de elementos como bicarbonato, cálcio, magnésio e potássio. Os clientes são basicamente estabelecimentos e domicílios da Região dos Lagos, de Lumiar, Campos e Niterói.

Distribuída apenas em garrafões de plástico retornáveis, que são esterilizados para garantir a qualidade do produto, a empresa Sociedade Mineradora Nova Friburgo trabalha com distribuidores exclusivos e movimenta fortemente a economia local. Francisco se orgulha de ser o único empregador num raio de 40 quilômetros. “Tenho funcionários que começaram trabalhando com 14 anos, outros que já se aposentaram e hoje têm filhos trabalhando aqui”, conta.

Hoje são dez funcionários, metade do que já foram. Ciente de sua responsabilidade social, Francisco conta  que já rejeitou proposta de vender a empresa por não receber do futuro comprador o compromisso de manter os empregos, pelo menos durante algum tempo.

A única, porém importante diferença dessa água para outras de nascente é a garantia de zero contaminação, nem mesmo por animais, já que toda a propriedade e a produção em si são controladas, sujeitas a inspeções e exames laboratoriais frequentes, e distantes de centros urbanos e poluição.

O grande desafio hoje, segundo Francisco, é enfrentar a concorrência desleal de falsas águas minerais: águas comuns, de torneira, adicionadas de sais sintéticos. Esses fabricantes não pagam tributos, não cumprem exigências mínimas de qualidade e não passam por nenhum tipo de fiscalização. “E essa água também é consumida sem qualquer discernimento pelo consumidor comum, a quem só interessa saber se é com ou sem gás e se está gelada”, resume Francisco.

Em outros países, pelo contrário, a procedência da água é coisa séria, e claramente informada nos rótulos. Ou seja, o consumidor sabe exatamente o que está bebendo. Lá, águas são captadas, purificadas e ionizadas antes de receberem os sais minerais, explica Francisco. Aqui, a solução para separar as águas minerais de qualidade das “fajutas” seria a adoção, no Estado do Rio, de um selo fiscal semelhante ao já existente em estados do Nordeste, Goiás e São Paulo. O selo, segundo Francisco, foi aprovado em 2018, faltando agora apenas a regulamentação, esperança do setor para 2019.

No verão, apesar da disparada do consumo, as vendas dos rótulos de Nova Friburgo crescem apenas 30%, por um detalhe curioso: são as outras águas, inferiores e obviamente mais baratas, que suprem o amplo mercado consumidor, sobretudo nos superlotados balneários da Região dos Lagos.

Segundo o Departamento de Recursos Minerais do Estado do Rio (DRM-RJ), o consumo de água engarrafada pelos fluminenses é superior a 700 milhões de litros por ano, com consumo anual per capita entre 41 e 43 litros.

 

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