Filhas de Bamba lutam para que não deixem o samba morrer

Denúncia proíbe irmãs de realizarem evento mensal cultural em Córrego Dantas. Dupla reúne documentação para voltar a tocar em janeiro
sexta-feira, 14 de dezembro de 2018
por Guilherme Alt (guilherme@avozdaserra.com.br)
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O samba de rua, raiz, que resgata a cultura popular, promovido por Gisele e Nathália Lutterback, as Filhas de Bamba, com apresentações periódicas no Córrego Dantas, teve que baixar o som. No último dia 8, as irmãs receberam uma notificação e tiveram que cancelar o último “Samba na Rua”, show realizado sempre no segundo domingo de cada mês no bairro.

Nossa equipe de reportagem procurou as irmãs para falar sobre o ocorrido. De acordo com Gisele, a maior parte dos moradores do bairro apoia o evento e vê com bons olhos a roda de samba. Gisele também afirma que já deu entrada na documentação necessária para realizar os eventos no espaço Cantinho do Papagaio, onde funciona o bar do pai das duas.

“Nós estamos agilizando a documentação exigida. Já fomos à prefeitura, polícia e Corpo de Bombeiros e estamos viabilizando tudo para que em janeiro a gente possamos dar continuidade aos eventos. A verdade é que fomos pegas de surpresa. Foi a denúncia de um morador da área, mas não vamos levar isso em consideração porque a cidade abraçou a nossa causa. Nós estamos fazendo um movimento cultural em Friburgo e o que trouxemos para cá, é o que acontece no Brasil inteiro que é a roda de samba na rua”, explicou Gisele.

Segundo Gisele, o ocorrido serviu para aproximar As Filhas de Bamba do poder público e fazer dessa aproximação uma parceria. “No dia seguinte à notificação nós já nos mobilizamos. A própria Secretaria Municipal de Cultura se interessou pelo nosso projeto que é justamente fazer do evento um movimento cultural. Nosso “Samba na Rua” é apenas uma vez por mês, sempre das 14h às 20h, procurando diminuir o impacto para quem se incomoda”, disse a sambista.     

Mesmo sendo realizado na rua, de acordo com as irmãs, o evento não atrapalha a mobilidade do bairro. “Nós respeitamos muitos todos os moradores e pensando nisso, o samba acontece em uma rua sem saída e as únicas casas é a de um vizinho, que é parceiro do projeto e a nossa própria. A rua costuma ficar lotada durante as apresentações, mas a travessia dos pedestres fica totalmente desobstruída”, garantiu Nathália.

Gisele afirma que o projeto “Samba na Rua” surgiu para resgatar a tradição das rodas de samba e espera continuar com os eventos em 2019. “Aqui é um evento de família. Temos crianças, idosos, jovens. O público é variado e o ambiente é tranquilo. Aqui não tem briga e nenhum tipo de violência. Queremos levar para as pessoas o propósito do samba e esperamos que no dia 13 de janeiro possamos retomar o projeto”, acredita Gisele.

O que diz a prefeitura

A Prefeitura de Nova Friburgo tomou ciência da denúncia sobre a realização dos eventos em via pública através do 11º BPM e realizou na tarde da última segunda, 10, uma reunião com as Filhas de Bamba e os organizadores do evento. Na ocasião, o Departamento de Posturas informou ao grupo a necessidade de seguir os trâmites legais para ter a permissão de execução de atividades em espaço público e orientou sobre a maneira de como proceder neste caso.

Em primeiro lugar, é necessário obter os documentos de autorização das polícias Civil e Militar e também do Corpo de Bombeiros. Após esta etapa, o grupo deve protocolar um requerimento na prefeitura para obter uma declaração de nada a opor e então pagar uma taxa para realização de eventos em espaço público.

O que dizem Polícia Militar e Corpo de Bombeiros

As autoridades já estão cientes do ocorrido e já foram procuradas pelos organizadores para orientações. “Prestamos todas as orientações necessárias para que se regularizem a fim de não terem problemas durante o evento evitando-se assim as denúncias que estão acontecendo. Tudo é uma questão de limites a serem respeitados para a boa convivência entre as pessoas”.

As sambistas também foram orientadas quanto ao som cujo volume não pode extrapolar devido as residências próximas. “Todas as orientações necessárias para que se evite reclamações foram passadas aos organizadores inclusive a necessidade da solicitação do Nada a Opor, da PM, Polícia Civil e Corpo de Bombeiros”, informaram as corporações, em nota.

 

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