Exposição Metrópole Transcultural no Galpão Bela Maré reúne 16 artistas

Integrantes da Galeria KM7, de Friburgo, participam da mostra com performances
quinta-feira, 14 de março de 2019
por Ana Borges (ana.borges@avozdaserra.com.br)
Exposição Metrópole Transcultural  no Galpão Bela Maré reúne 16 artistas

Dar visibilidade a sujeitos, questões e territórios das periferias da metrópole do Rio de Janeiro é a proposta da exposição “Metrópole Transcultural - Retratos das periferias” que entra em cartaz neste sábado, 16, às 14h, no Galpão Bela Maré, zona norte do Rio. Com curadoria do premiado Ronald Duarte e mais 15 trabalhos de artistas visuais metropolitanos, o evento conta com apoio cultural do Sesi/Firjan, Instituto Maria e João Aleixo (Imja) e parceria da Casa Fluminense e do Imagens do Povo. Parcerias institucionais da Fundação Roberto Marinho e Itaú Cultural.

“Nosso desejo é que moradores de São Gonçalo, da Baixada, da Zona Oeste, das nossas muitas serras e das inúmeras periferias fluminenses, tenham chances de se identificarem ou se reconhecerem em trabalhos artísticos que no conjunto nos lembrarão da nossa escala metropolitana. Com a Metrópole Transcultural faremos da Maré o centro desta proposta política e artística de multiplicação das imagens e representações que dizem respeito à metrópole”, esclareceu Isabela Souza, diretora de projetos de arte e território do Observatório de Favelas.

Para a abertura haverá chamadas para diferentes públicos da cidade participarem das performances “Boiada de Ouro”, de Ronald Duarte, “Homem Chama”, de Marcelo Brantes (integrantes da Galeria KM7, Friburgo), e “Super Zentais”, de Rafael Bqueer. Para a primeira, 40 pessoas vestidas com as famosas ‘cabeças de bois’ douradas seguirão pela Avenida Brasil acessando a passarela 10, contornando pela outra pista  atravessando a passarela 9 e a volta sentido Bela Maré.

“Esse trabalho é na verdade uma constatação da nossa condição humana. Do momento do nascimento ganhamos nome, certidão, número de identidade e CPF, então você está totalmente mapeado, agora mais ainda com a internet. As pessoas viraram replicantes delas mesmas, repetem tudo o que sociedade manda fazer. Dessa condição você não tem como sair, como o boi durante a boiada”, explica Ronald Duarte.

Durante cinco sábados, a partir do próximo dia 23, o Bela Maré receberá uma Oficina de Fotografia para 16 fotógrafos/as (de 18 a 30 anos, escolhidos a partir de critérios de representatividade de gênero, raça/etnia, sexualidade e territorialidade), com duração de 20 horas e produzida por Bira Carvalho e Francisco Valdean, coordenadores do projeto Imagens do Povo.

“Além do aprimoramento técnico do trabalho dos/as fotógrafos/as, há o desejo de com essa formação incidirmos diretamente no debate aprofundado sobre as paisagens que costumam representar a metrópole fluminense e multiplicá-las, construindo novas imagens a partir da discussão política sobre as representações do rio metropolitano”, enfatiza Isabela Souza.

Artistas participantes: Claudio Cambra, Davi Marcos, Edmilson Nunes (Galeria KM7) , Elilson, Elis Pinto, Igor Freitas Lima, Marcelo Brantes, Marcos Cardoso (Galeria KM7), Odaraya Mello, Rafael Bqueer, Raoni Redni, Suélen Brito, Thiago Ortiz e Vinicius (Pastor) Costa.

A mostra fica em cartaz até o dia 27 de abril e contará com uma programação variada com performances, ações poéticas, oficinas de fotografia e cinebelas. Agenda e mais informações na página oficial da instituição, (www.facebook.com/pg/GalpaoBelaMare), e com Gabriela Anastácia: 21 31050204 / 38883220 / 9 8864 7730 (whatsapp/assessoria de comunicação). Galpão: (21) 3105-1148. Entrada franca, classificação livre.

Galeria KM7 na Bela Maré

Segundo o artista friburguense Marcelo Brantes, a coletiva reúne “diferentes geografias estéticas e suas multilinguagens, tendo como referencial as visualidades das práticas culturais de diferentes territórios da metrópole do Rio de Janeiro”. Ele define periferia, no sentido genérico, como ‘tudo o que está ao redor’, e explica: “Partindo deste princípio o Galpão Bela Maré é a expressão das possibilidades de afirmação da riqueza dos encontros na cidade e articula um dos eixos centrais de atuacão do "Observatório de Favelas", artes e territórios. Está portanto, voltado para a ressignificação e reinvenção das práticas sociais e das formas como as favelas são representadas e reconhecidas”.

Ronald Duarte é um dos seis artistas fundadores do "Imaginário Periférico" que teve em edições anteriores os artistas de Friburgo, Maria Amélia Curvello, Carlos Eduardo Borges, Cacau Rezende, Adair Costa e Sônia Guaraldi.

 

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