Estado do Rio já tem 2 casos de sarampo confirmados

Ambos são moradores da capital. Um deles foi noticiado em primeira mão por A VOZ DA SERRA
segunda-feira, 09 de julho de 2018
por Adriana Oliveira (avozdaserra.com.br)
Foto de capa

O Estado do Rio já tem dois casos de sarampo confirmados. Segundo informou a Secretaria estadual de Saúde na manhã desta segunda-feira, 9, as amostras já foram analisadas pela Fiocruz,  laboratório de referência do Ministério da Saúde. São os primeiros casos registrados no Rio após o Ministério da Saúde confirmar um surto de sarampo nos estados de Roraima e Amazonas, no Norte do país. Outros estados, como Mato Grosso do Sul, também já notificaram casos de sarampo, em menor escala.

Conforme A VOZ DA SERRA noticiou em primeira mão na quarta-feira, 4, um dos casos é o de uma jovem de 20 anos, moradora da capital, estudante de Direito da UFRJ, que pode ter contraído a doença em Petrópolis, onde ela esteve entre 30 de maio e 3 de junho, participando dos Jogos Estudantis Jurídicos. 

A secretaria não deu detalhes sobre o segundo caso confirmado, limitando-se a informar que se trata de outro morador da capital.

As autoridades estaduais de saúde decidiram não mais informar casos em investigação. Na semana passada, entretanto, sem contar os dois casos agora confirmados, havia quatro casos suspeitos de sarampo no estado. Na capital, a Secretaria Municipal de Saúde investigava na semana passada 17 casos suspeitos, todas de pessoas que tiveram contato com a estudante de Direito da UFRJ, onde foi realizada uma ação de bloqueio. Quatro já foram descartados.

O sarampo é uma doença infecciosa aguda, de natureza viral, grave, transmissível e extremamente contagiosa, conforme descrição do Ministério da Saúde.

Em nota, a secretaria destaca que a proteção contra o sarampo faz parte das vacinas Tríplice Viral e Tetra Viral, disponíveis conforme calendário de vacinação do Ministério da Saúde para crianças entre 12 e 15 meses. A cobertura vacinal contra a doença para crianças de 1 ano no estado é de 95% . Devem ser vacinadas as crianças de até um ano e adultos de  até 49 anos que não tenham sido imunizados. Aqueles que tomaram as duas doses da vacina não precisam tomar nova dose.

O alerta divulgado na semana passada pela secretaria estadual,  intitulado “Gerência de Doenças Imunopreveníveis”  e assinado também pela Subsecretaria de Vigilância em Saúde e a Superintendência de Vigilância Epidemiológica e Ambiental, reforça a importância da vacinação e pede que as Vigilâncias Epidemiológicas Municipais fiquem alertas para casos que apresentem febre e exantema (erupção cutânea comum em doenças provocadas por vírus).

Segundo a secretaria, deve ser notificado como caso suspeito de sarampo aquele em que o paciente apresente febre e exantema acompanhadas de um ou mais dos seguintes sinais e sintomas: tosse, coriza e conjuntivite, independente da situação vacinal. A orientação reforça ainda a atenção para pacientes que tenham estado em Petrópolis durante o evento, participado dele ou que tiveram contato com pessoas que estiveram no município no período, para que seja investigada a questão do contágio. No caso das pessoas que entraram em contato com pessoas que estejam sob suspeita do vírus, a orientação é que seja realizada a vacinação de bloqueio o mais breve possível, mas quem apresentar os sintomas não deverá ser vacinado por medida de proteção.

Sobre a vacinação, a secretaria reforça que as medidas de controle devem ser tomadas, independentemente de haver ou não casos suspeitos nos municípios, declarando que a prevenção é fundamental para evitar a reintrodução do vírus do sarampo no estado.

Onda insensata de medo de vacinas

por Delia Celser Engel*

Mais uma vez, a campanha de vacinação para Influenza não alcança o objetivo. Nós, brasileiros, que temos tantos motivos para reclamar da saúde, da corrupção, dos roubos, deixamos de aproveitar o que funciona bem em nosso país. A epidemia de Febre Amarela só pôde ser controlada com a vacinação em massa. Quem dera que durante a pandemia de gripe de 1918, tivéssemos a vacina de Influenza disponível; 35 mil brasileiros morreram por falta dela. A poliomielite, a rubéola, a difteria, não nos preocupam mais, mas o sarampo está de volta.

Desde 2000, a vacina pneumocócica ajudou a diminuir os casos graves em quase 90%. Como sonhamos no passado com a vacina contra a meningite meningocócica! A vacina contra o HPV, que protege contra o câncer de útero, também disponível, não alcança seu objetivo. Será que nosso complexo de vira-lata mais uma vez nos faz copiar as ideias do continente europeu, onde uma onda insensata de medo de vacinas está fazendo retornar os casos de sarampo, inclusive com óbitos?

A vacinação protetora começa na gestação, e não só para a futura mamãe. Hoje, indicamos vacinas nos familiares que estarão próximos ao recém-nascido; continua para a criança, para o adolescente, para o adulto e para o idoso. Sem contar a vacinação para pacientes que se submetem a determinados tratamentos que diminuem a imunidade ou em portadores do HIV. Se sonhamos com um país livre da hepatite B, é porque a primeira dose é dada à criança ao nascer, ainda na maternidade.

Vacinação em nosso país é obrigatória porque essa é a estratégia para erradicação das doenças preveníveis. Nenhuma vacina tem 100% de eficácia, por isso, se seu filho estiver entre estes, ele se beneficiará da vacinação de todos (efeito rebanho).

Delia Celser Engel é médica infectologista

 

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