Especial Dia do Trabalho: como será o amanhã das profissões?

Revolução tecnológica fecha algumas janelas, mas abre novas portas, caminhos e possibilidades
terça-feira, 01 de maio de 2018
por Alerrandre Barros (alerrandre@avozdaserra.com.br)
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Robôs que aplicam anestesia, carros autônomos, criptomoedas — a automação e a robótica prenunciam, de tempos em tempos, o fim de algumas profissões. Mas a boa notícia para nós, humanos, é que, justamente por essa transformação tecnológica, outros caminhos, possibilidades e habilidades profissionais também estão surgindo.

Um estudo recente da consultoria PwC prevê que a inteligência artificial pode eliminar boa parte dos empregos em um futuro próximo, sobretudo nos países desenvolvidos, como Japão, Reino Unido, Alemanha e Estados Unidos. O percentual de vagas sob risco de automação varia entre áreas como educação (9%) e saúde (12%), manufatura (46%) e transporte (56%).

O efeito, porém, sobre o nível de emprego total é muito incerto, já que os robôs também farão com que novas vagas sejam criadas pela tecnologia. Um trabalhador não será necessariamente substituído por um robô. Parte dos economistas aponta que o temor de que novas técnicas e tecnologias destrua empregos é uma constante através dos séculos, mas a história provou que novas funções foram substituídas pelas eliminadas.

Para Amanda Barcellos, psicóloga e especialista em recrutamento e seleção, a maioria das profissões do futuro passará inevitavelmente por um cenário em que habilidades e competências deste século, como criatividade, inovação e capacidade de interpretação, serão ainda mais valorizadas.

“Há uma percepção das empresas de que questões técnicas, formação acadêmica e trajetória profissional são tão importantes quanto saber a motivação e os objetivos de vida de cada um”, e acrescenta que “o ideal é escolher uma profissão não como uma tendência mercadológica, mas como uma aptidão dentro das áreas que lhe interessam”, disse a gestora de RH.

Os brasileiros em idade produtiva estão ligados nisso. A pesquisa Carreira dos Sonhos, realizada no ano passado pela consultoria Cia de Talentos com mais de 80 mil profissionais em início de carreira, de média e alta gestão, mostrou que todos os entrevistados querem que trabalho e felicidade caminhem juntos. As novas profissões surgem nessa levada.  

É o caso de Felipe Almeida, de 25 anos, que, no meio do curso preparatório para o vestibular para carreiras tradicionais, decidiu mudar a rota e fazer o que ele mais gosta: jogar videogame. Na verdade, criar jogos online. Saiu de Nova Friburgo, há três anos, e hoje trabalha em uma produtora paulista de games.

“Medicina, direito, engenharia. Eu ia prestar vestibular para esse três cursos. Sabia bem o que queria”, conta às gargalhadas. “Até que bateu uma tristeza e vi que não era nada disso. Conversei com meus pais e me matriculei em um curso de desenvolvimento de jogo eletrônicos em São Paulo. Mudei de cidade, concluí o curso e mostrei para minha família que dá para ganhar dinheiro com isso”, contou ele por telefone.

Os jogos online movimentaram mais de R$ 5 bilhões no ano passado no Brasil, país líder do mercado na América Latina, e que deve crescer ainda mais: 13,4% ao ano até 2020, considerando-se a venda de jogos (softwares), a publicidade e as chamadas microtransações, que são os gastos dos consumidores dentro dos jogos, estima a consultoria PwC.
 

Não são só os jovens que estão de olho nas profissões do futuro. Profissionais experientes estão agregando ao seu trabalho tradicional ferramentas e habilidades dessas novas carreiras, como o produtor de vídeos friburguense Marcos Paulo Júnior (foto), que pilota drones e, há quatro anos, oferece aos clientes imagens aéreas.

“Na época eu vi que o mercado estava crescendo e que eu precisava agregar novos serviços à minha produtora. Passei a oferecer imagens aéreas e a fazer vídeos. Hoje sou procurado para shows, clipes, festas de casamento, vídeos institucionais e até imobiliárias que buscam mostrar melhor o imóvel ao cliente”, conta o proprietário da Montagna Filmes.

Marcos aprendeu a pilotar drones assistindo a vídeos na internet. Ele não sabia, mas estava desenvolvendo uma habilidade que se tornou uma profissão e tende a ser cada mais requisitada pelo mercado para fiscalização, segurança, transporte, além da geração de fotografias e vídeos ou somente recreação.

De acordo com a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), há cerca de 40 mil drones registrados no órgão. Estima-se, porém, que mais de cem mil estejam em operação no país. A popularização das aeronaves é tão recente que a regulamentação para utilização dos drones foi publicada pela Anac no ano passado.  

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