Empresários da região estão mais otimistas com crise, aponta Firjan

Setor industrial foi o único que registrou aumento na produção em dezembro no Centro-Oeste Fluminense
terça-feira, 13 de março de 2018
por Jornal A Voz da Serra
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Os empresários da região Centro-Norte Fluminense, onde se localiza Nova Friburgo, estão mais otimistas em relação à recuperação da atividade econômica em 2018. Pelo menos é o que aponta um levantamento da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) intitulado série “Retratos Regionais - Cenário Econômico”, que detalha a conjuntura socioeconômica do $Estado do Rio e dá um panorama sobre crescimento, nível de atividade industrial, mercado de trabalho, ambiente de negócios e expectativas para os próximos meses.

Com uma área de 6.880 quilômetros quadrados, 390 mil habitantes e R$ 9 bilhões do Produto Interno Bruto (PIB) do estado em 2015, a região Centro-Norte foi uma das pautas da série. Abrangendo, além de Nova Friburgo, as cidades de Bom Jardim, Cachoeiras de Macacu, Cantagalo, Carmo, Cordeiro, Duas Barras, Macuco, Santa Maria Madalena, São Sebastião do Alto, Sumidouro e Trajano de Moraes, a região é considerada altamente industrial, com dez mil estabelecimentos ativos em 2016 e 30% de seus trabalhadores na indústria. Dentre os setores de destaque estão os de transformação, vestuário, metalmecânico e alimentício.

Quanto à atividade econômica, a Sondagem Industrial da Firjan ainda aponta que, em dezembro, o Centro-Norte foi o único que aumentou a produção, recuperando a economia da região e superando a do estado do Rio. Os indicadores revelam que a utilização da capacidade instalada das empresas dos municípios abrangentes avançou, com 64%, e seguiu acima da média do estado, que atingiu 60%. Apesar do crescimento, entretanto, ambos seguem abaixo da média histórica de 67,1% e 65,9% respectivamente.

De qualquer forma, segundo a Firjan, a expectativa dos industriais é de aumento da demanda por produtos e, consequentemente, aumento da compra de matéria prima. Os empresários também demostraram confiança em relação ao setor externo, uma vez que 2018 vai ser um ano positivo para as exportações.  

“Na expectativa do empresário, o pior já passou, assim como no estado do Rio e no Brasil. E entendendo o mercado atual e o futuro, os industriários terão mais subsídios para decidir se é o momento de comprar novos insumos, empregar, vender ou investir”, acredita o também coordenador de Estudos Econômicos da Firjan, Jonathas Goulart.

Crise

Não tem jeito, a crise econômica dos últimos anos tem se refletido diretamente na atividade industrial da região. Para o coordenador de Estudos Econômicos da Firjan, William Figueiredo, o impacto é percebido diretamente na falta de caixa, diante das baixas margens de lucro e da dificuldade de acesso a crédito. “Mas, apesar dos industriais seguirem insatisfeitos com a situação financeira de suas empresas, a atividade econômica da região mostrou evolução, enquanto a do estado segue oscilante. As importações também avançaram 15% em 2017”, frisou William.

“Em um cenário de recuperação econômica, a primeira coisa que sinaliza que o empresário vai retomar investimentos é a melhora da situação financeira, depois a produção aumenta e, por último, há um impacto positivo no mercado de trabalho”, acrescenta o coordenador.

Mercado de trabalho

Com relação ao mercado de trabalho, ainda de acordo com o levantamento, em 2017, a região apresentou resultado positivo no primeiro semestre. Excluindo a administração pública, no acumulado do trimestre, foram gerados mais de 500 postos de trabalho. No Centro-Norte, destaque para os municípios de Nova Friburgo, com mais de 360 vagas, e Sumidouro, com mais de 112, ambos no setor de vestuário e acessórios. Cachoeiras de Macacu foi a cidade mais afetada, com menos 1.035 oportunidades de emprego. De modo geral, apesar do Centro-Norte ter fechado o ano com saldo negativo, a indústria abriu vagas, após três anos.

“O Centro-Norte foi uma das regiões do estado menos impactadas pela crise, e, mesmo assim, nos últimos três anos, a região perdeu cinco mil vagas de emprego, enquanto o estado do Rio perdeu meio milhão”, afirmou William, acrescentando que “As pessoas passaram a buscar outras oportunidades empreendendo. O número de microempreendedores cresceu 15% e o registro de empresas cadastradas no ano passado no Simples Nacional aumentou 9% em relação a 2016”, salientou.

Palestras

As palestras da série “Retratos Regionais” são realizadas por especialistas em economia da Federação das Indústrias, que analisam dados exclusivos sobre cada uma das dez regiões fluminenses, além dos cenários econômicos nacional e internacional, e têm transmissão ao vivo. “Apresentamos informações econômicas essenciais para os empresários, com o diferencial de olhar para as particularidades de cada região do estado, orientando a tomada de decisões”, explicou William Figueiredo.

As informações apresentadas são produzidas com base em estatísticas oficiais dos governos federal e estadual; da Sondagem Industrial, que levanta dados regionais; e do Boletim de Investimentos - essas duas publicações são elaboradas pela Firjan. As palestras têm uma hora de duração e são transmitidas através do Youtube Live, onde os participantes assistem em seus computadores pessoais, em casa ou no trabalho, e podem interagir com os especialistas. O link de acesso à apresentação é https://www.youtube.com/user/SistemaFIRJAN/live. O ciclo de palestras terá dez encontros ao todo, abrangendo todas as regiões fluminenses. A programação completa com as datas dos encontros pode ser acessado no site http://www.firjan.com.br/eventos/retratos-regionais-cenario-economico.htm .

 

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