Empresário reclama de condições de estrada em Lumiar

Pedras, buracos, valetas e lama prejudicam negócios e turismo
terça-feira, 19 de setembro de 2017
por Dayane Emrich
Foto de capa

De acordo com o Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT ), o brasileiro gasta uma média de 150 dias, isto é, cinco meses por ano trabalhando só para pagar impostos. E quem paga espera o retorno, que muitas vezes não acontece. É o caso dos moradores da localidade de Córrego de Santiago, no distrito de Lumiar. Entra ano, sai ano, o Imposto Predial Territorial e Urbano (IPTU) chega, é pago, mas a manutenção da via nunca é feita.  

Em alguns pontos da estrada crateras se misturam com trechos cheios de lama e pedra. “Às vezes a prefeitura vem aqui e joga barro, o que não adianta porque depois que chove a situação fica ainda pior. Quando o carro não arrasta o fundo em pedras, ele patina e cai em valetas”, disse a dona de casa Marta Ferreira, acrescentando: “É uma situação muito complicada”.

O caso do empresário João Bendelack, de 57 anos, é ainda mais grave do que o dos outros moradores da localidade, já que, por causa da situação da estrada, ele tem o seu negócio prejudicado. “Sou carioca, mas moro em Nova Friburgo há 32 anos. Em 2015 comprei uma pousada na Rua Marina Berutti, no Córrego de Santiago e, desde então, sofro com o descaso do governo. A via está cheia de pedras, buracos, valetas e lama”, disse.

Ele explicou ainda que já acionou as autoridades por diversas vezes, mas que apesar das inúmeras promessas, a estrada nunca recebeu melhorias. “Já fui À subprefeitura de São Pedro pelo menos duas vezes, com espaço de seis meses entre cada visita, para pedir auxílio. Em fevereiro deste ano, tentei contato com o prefeito Renato Bravo, mas também não tive sucesso. No mesmo mês, fui recebido pelo secretário municipal de Turismo Wilton Neves, que me prometeu que em 20 dias (há seis meses atrás) a estrada ficaria pronta”, afirmou João.

De acordo com o empresário, as queixas sobre a acessibilidade da sua pousada já chegaram a sites de reservas de hotel. “Pessoas do mundo inteiro acessam estes sites e é uma repercussão muito negativa. Já perdi diversos hóspedes. Não comprei uma pousada por qualquer dez reais, não! Eu tive um custo alto para transferi-la para o meu nome. Pago todos os impostos em dia -- ICMS, IPTU, taxa de lixo, vigilância sanitária -- e, além disso, ajudo a movimentar o comércio local e gero emprego. Deveria ser mais valorizado”, pontuou.

Por causa do estado crítico da estrada, o empresário entrou com uma ação no Ministério Público em junho deste ano. “Foi aberto um inquérito no dia 20 de junho e o MP deu o prazo de 60 dias para a prefeitura apresentar um laudo técnico da estrada e dizer o porquê do não cumprimento das melhorias. O problema é que o prazo já acabou, a prefeitura não respondeu e o MP deu um novo prazo para o governo municipal”.

“A pousada é minha única fonte de renda. Tenho quatro funcionários e perco 40% do movimento por causa dessa situação. Já fiz o levantamento para saber o valor da obra e, para asfaltar duas pistas de 80 metros, ficaria em torno de R$ 35 mil. É uma responsabilidade do estado e não minha”, finalizou.

O secretário municipal de Obras, Marcelo Faria, disse que a estrada não está em situação tão ruim e que já estão sendo realizadas melhorias no local.

 

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