Do luxo à sucata: sem recursos, Vilage tenta reconstruir barracão

Plano para evitar incêndios nas escolas e blocos ainda não começou a ser discutido pela prefeitura e Liesbenf
quarta-feira, 28 de março de 2018
por Alerrandre Barros (alerrandre@avozdaserra.com.br)
Foto de capa

 

Com o telhado já desmontado, as ferragens dos cinco carros alegóricos destruídos pelo incêndio que consumiu o barracão da escola de samba Vilage no Samba, no mês passado, começaram a ser serrados e transportados, na manhã desta terça-feira, 27, para fora do espaço. As paredes do barracão precisam ser demolidas, assim como parte do palco da quadra, mas falta dinheiro à escola.

“Temos que fazer a reforma. Mas faremos por parte. Precisamos de cerca de R$ 80 mil para contratar uma empresa que realizará o serviço. Vamos contar com a ajuda da comunidade e de empresários para reerguer o barracão”, disse o presidente da Vilage no Samba, Bruno Lannes, que não estimou o prejuízo que a escola teve após o incêndio.

No dia 15 de abril, a partir das 13h, a quadra da verde e branco vai receber intérpretes do Rio de Janeiro e as baterias das outras três escolas de samba friburguenses para um evento que visa arrecadar recursos para a reforma do barracão e de parte da quadra, interditados pela Defesa Civil municipal.

“Colunas do prédio sofreram inclinação devido à temperatura muito quente do fogo, por isso, interditamos o galpão até que seja feita a reforma. A quadra pode ser usada”, disse o secretário de Defesa Civil, coronel João Paulo Mori, no mês passado, após vistoria no imóvel.

O incêndio começou, por volta das 23h do dia 24 de fevereiro, um sábado, e durou cerca de duas horas, informou o Corpo de Bombeiros. Ninguém ficou ferido, mas o fogo destruiu cinco carros alegóricos e fantasias, materiais e atingiu o telhado construído na lateral do barracão e queimou fios da rede elétrica. Uma oficina em frente à escola também foi atingida pelas chamas. Instrumentos da bateria foram salvos.

A perícia da Polícia Civil esteve no local e um inquérito foi instaurado para apurar o caso. Um mês depois, A VOZ DA SERRA procurou a 151ª DP para saber se a causa do incêndio já foi revelada, mas, até fechamento desta edição não obteve resposta.

As chamas destruíram o barracão duas semanas após o carnaval. Com mil integrantes, a Vilage ficou em segundo lugar este ano ao levar para a Avenida Alberto Braune o enredo “São João, acende a fogueira do meu coração”. O profeta mensageiro da vinda de Jesus é padroeiro de Nova Friburgo. A escola tem 24 títulos e divide a posição de maior campeã do carnaval friburguense com a Unidos da Saudade.

A Saudade foi outra escola atingida por incêndio no ano passado. Em outubro, um carro alegórico da agremiação, que estava na área externa do barracão no Bairro Ypu,  foi consumido pelas chamas. Outro foco foi registrado ao lado do viaduto Geremias de Mattos Fontes. Não houve feridos na ocasião. A causa ainda não foi revelada pela polícia.

Oito meses antes, às vésperas do Carnaval de 2017, o barracão do bloco de enredo Globo de Ouro, na Vila Amélia, também foi destruído por um incêndio. Alegorias, fantasias e instrumentos da bateria foram queimados pelo fogo, que se propagou pela mata. O incêndio teria acontecido quando um integrante do bloco soldava uma das alegorias. Apesar disso, o bloco entrou na avenida, à época, com o que restou e emocionou o público.
 

Sem plano contra incêndios

Depois dos incêndios, o prefeito Renato Bravo anunciou, no mês passado, que ia propor um plano de trabalho, junto às autoridades competentes e a Liga das Escolas de Samba e Blocos de Enredo de Nova Friburgo (Liesbenf), para identificar formas de diminuir os riscos de incêndios nos barracões, mas a proposta ainda não começou a ser discutida.  

“A prefeitura ​está acompanhando de perto a evolução da investigação do incêndio que atingiu o barracão da Vilage do Samba, no início do ano, e aguarda a liberação do laudo para ter como base no planejamento e sugestões das próximas ações preventivas”, informou o governo em nota.

 

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