Dia Mundial do Rádio celebra a cooperação internacional e o acesso à informação

Radialistas das ondas AM friburguenses trazem mensagens de diálogo, tolerância e paz
quarta-feira, 13 de fevereiro de 2019
por Paula Valviesse (paula@avozdaserra.com.br)

Nesta quarta-feira, 13, é celebrado o Dia Mundial do Rádio. A data foi escolhida na assembleia geral da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura  (Unesco) em 2011, a fim de homenagear esse meio de comunicação e o seu impacto em todo o mundo, sendo ainda uma das plataformas de maior alcance. Em sua oitava edição, a comemoração tem como tema: “Diálogo, Tolerância e Paz”. Sobre isso, a Unesco lançou campanha com a pergunta: “Qual é a mensagem de diálogo, tolerância e paz que você enviaria ao mundo por meio do rádio?”, que em Nova Friburgo foi respondida por alguns dos principais nomes do radiojornalismo AM.

No ar há 10 anos, o jornalista Vinicius Gastin (foto) se diz um apaixonado pelo rádio. Para ele a relação com os ouvintes é de amizade: “Em Friburgo o rádio tem grande importância, pois pessoas acordam cedo para acompanhar a programação. Muitos buscam no rádio uma companhia. E o retorno do ouvinte é imediato, atualmente não só pelo telefone nas participações ao vivo, mas pelas redes sociais. As pessoas comentam, gostam quando falamos sobre elas, mandamos beijos e abraços”, conta Gastin.

Ciente desta proximidade, o jornalista deixa aos ouvintes uma mensagem de esperança: “A mensagem que eu deixaria para o mundo seria de mais amor, mais cuidado com o próximo. É preciso que a gente pense mais antes de falar, de compartilhar as informações. Estamos vivendo um momento onde muitas informações falsas estão surgindo e muitas das vezes elas mexem com famílias e até com histórias que às vezes são centenárias. Precisamos ser mais tolerantes, tratar as coisas com mais carinho, na profissão e na vida pessoal”.

Trabalhando em rádio há 22 anos, inclusive com experiência no Piauí, Gutemberg Soares (foto) se diz otimista sobre o futuro do rádio: “Pensamos que com essa chegada de novas tecnologias o rádio iria acabar, mas ele ganhou mais força se aliando a essas ferramentas. Baseando-se na evolução da tecnologia, que Guto deixa seu recado: “Vale a pena aprofundar o conhecimento antes de tomar uma posição, as coisas não podem ser feitas de qualquer maneira. É preciso ouvir, trabalhar essa informação, para depois se posicionar, porque o mundo quer paz, mas a falta de informação causa discórdia”.

A caçulinha da Nova Friburgo AM, Gabriella Bini (foto) se emociona ao falar sobre a relação com os ouvintes, sobre o retorno que recebe: “Me comove muito, porque trabalhar com rádio é expressar emoções, se no início o jornalista de rádio não se expressa ou ele vai aprender na prática ou não vai ficar neste meio, porque o público vai ligar tanto para parabenizar quanto para criticar”, conta Gabriella, que usa essa relação de amizade e afeto para formular a sua mensagem: “Diálogo, tolerância e paz são três palavras que só existem se tiver amor. As pessoas podem até dizer que isso é uma utopia, mas mas se colocarmos em prática teremos paz, diálogos sobre temas difíceis, como racismo, aborto. A mensagem que deixo é que tudo o que for fazer, faça com amor”.

A inspiração em Boechat

Em uma data tão especial, é difícil não fazer a conexão entre o rádio e o jornalista Ricardo Boechat, que morreu segunda-feira, 10, em um acidente de helicóptero. Boechat era apresentador da Band e da BandNews FM e colunista da "IstoÉ". Ele trabalhou em “O Globo”, “O Dia”, “O Estado de S.Paulo” e “Jornal do Brasil”, e é uma grande inspiração para o nosso trio de radiojornalistas:

“O maior legado dele é a generosidade. O que mais ouvi de amigos que trabalharam com Boechat é que ele era um pai, generoso, que cobrava, porque para chegar onde chegou tem que cobrar, ser crítico, mas generoso. O que ele deixa é um legado de gentileza, ética e amor e, como ele sempre falava “Barão, toca o barco”, porque nós vamos seguir tendo ele como inspiração”, diz Gabriella Bini.

“Eu acompanhei o Boechat desde quando ele escrevia nos jornais.. Sempre fui fã do que ele escrevia e falava, porque o Boechat fazia justamente o que eu gosto no rádio, que é o jornalismo com humor, Talvez a ficha só caia quando eu assistir ao jornal ou ouvir a Bandnews e ele não estar mais lá”, conta Gutemberg Soares.

“Boechat com certeza é uma inspiração para todo profissional de comunicação. Eu tive o Wanderson Nogueira, o Pedro Osmar, o Luiz Fernando Bonan aqui em Friburgo como referências, mas a nível nacional era o Boechat minha inspiração. Ele era um profissional completo: ético, competente e deixa exemplos que vão sempre ser seguidos. Uma perda irreparável para o jornalismo, mas que permaneça seu o legado, principalmente nesta questão da ética profissional”, lamenta Vinicius Gastin.

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