Desplacamento de pedra no Três Irmãos coloca região em alerta

Defesa Civil monitora o local, que deve receber hoje a visita de um geólogo
quarta-feira, 06 de fevereiro de 2019
por Guilherme Alt (guilherme@avozdaserra.com.br)
As placas da encostas que apresentam risco (Fotos: Henrique Pinheiro)
As placas da encostas que apresentam risco (Fotos: Henrique Pinheiro)

No final da tarde da última segunda-feira, 5, a Defesa Civil de Nova Friburgo informou que houve um desplacamento de pedra no loteamento Três Irmãos, distrito de Conselheiro Paulino. Não houve vítimas. A área foi isolada, de maneira preventiva, e segue sendo monitorada.

Moradores da região, apesar do susto, mostravam tranquilidade ontem, 5. Um deles disse que é comum algumas pedras rolarem do alto da montanha. No entanto, o que foi flagrado no local pela equipe de A VOZ DA SERRA evidencia um cenário de grande preocupação. Fendas no meio da montanha mostram que o problema pode voltar a acontecer por conta de algumas placas que estão se “desgarrando” da encosta.

O secretário municipal de Defesa Civil, coronel João Paulo Mori, esclarece que o desplacamento ocorrido em Três Irmãos está relacionado a variação térmica (forte calor seguido de queda de temperatura e chuva), o que provocou a contração e a dilatação das pedras, e o consequentemente desplacamento. “Trata-se de um volume pequeno de movimentação de pedras, que não trouxe risco de morte a população local. Todas as residências ao redor estão interditadas desde 2012, quando houve o primeiro desprendimento de pedras ali”, lembrou o coronel Mori.     

Ainda de acordo com a Defesa Civil, está previsto para esta quarta-feira, 6, uma visita de um geólogo do Departamento de Recursos Minerais (DRM) ao local para uma avaliação mais detalhada a respeito da situação.

Um pesadelo que já dura mais de seis anos

Catástrofes naturais tem atormentado os moradores do loteamento Três Irmãos nos últimos anos. Isto porque, além das chuvas de janeiro de 2011, que atingiram a maior parte da cidade, a localidade sofreu também dois grandes deslizamentos de pedras no dia 13 de novembro de 2012, que ainda hoje são responsáveis pela interdição de aproximadamente 70 residências.

Passados pouco mais de seis anos, os efeitos do deslizamento ainda se fazem sentir de várias maneiras. Quer seja na agitação das diversas obras estruturais executadas simultaneamente, quer no silêncio ensurdecedor das ruas desertas na parte mais elevada do loteamento, onde casas em escombros cumprem o duplo papel de registrar a história e proteger o bairro mais abaixo.

"Muita gente quer voltar a morar aqui, mas ainda não pode”, diz uma moradora da Rua Rio Caraíba. "São muitas as casas que continuam interditadas. Mesmo com algumas contenções que foram feitas, temos medo de viver aqui. E se outras pedras rolarem? Esta semana foi mais um susto. Só espero que o ônibus possa voltar a circular aqui em cima quando os moradores voltarem. Nós compramos os terrenos, construímos as casas, pagamos IPTU e todas as demais taxas, temos nossos direitos. E estamos esperando o término das obras e a liberação dos órgãos competentes para que possamos dar continuidade às nossas vidas”, disse outro morador.

 

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