Designer com oficina em Mury participa do Salão do Móvel de Milão

Premiado banco Sela, de Ricardo Graham, será lançado por indústria dinamarquesa
terça-feira, 17 de abril de 2018
por Alerrandre Barros (alerrandre@avozdaserra.com.br)
Foto de capa
Ricardo Graham em seu ateliê (Divulgação)

Ricardo Graham volta a expor suas peças em madeira no Salão do Móvel de Milão, que começa nesta terça-feira, 17, vai até o próximo dia 22 na cidade italiana. O designer, que cria suas peças em um sítio no distrito de Mury, representa a marca “oEbanista”, vai participar do evento com sete produtos: o sofá Paris, o banco Aragonez do Cerrado, os banquinhos Pirralhos e peças escultóricas em vaso e gamela. Tudo em madeira. “Já apresentei o sofá em outra ocasião e o Aragonez também. Mas todas as demais peças são inéditas”, disse Graham, antes de embarcar para a Itália.

Convidado pela Rio+Design, Graham, a mostra da indústria criativa fluminense e outros 13 designers do estado vão apresentar móveis,
objetos de decoração e utensílios para o cotidiano entre ateliês e galerias no distrito de Maroncelli, durante o mais famoso evento internacional do setor de design.   

Não é a primeira vez que Ricardo Graham participa da mostra. Mas dessa vez, a viagem vai ter o gostinho especial. A indústria dinamarquesa PP Mobler, especializada em produção de móveis de madeira, fará, pela primeira vez, o lançamento de um produto genuinamente brasileiro, para não dizer só friburguense, por lá: o premiado banco Sela (foto).

“Apresentar as minhas peças internacionalmente é muito bom. E a Rio+Design já fez isso comigo algumas vezes. Já pude apresentar meu trabalho em Milão em outras ocasiões. E os frutos estão aparecendo agora”, comentou Ricardo Graham, de 44 anos.

Carioca radicado em Nova Friburgo, onde mantém sua oficina desde 2006, Ricardo Graham cria e produz peças em que a madeira maciça tropical de demolição, como roxinho, pau rainha e peroba do campo, é manuseada com técnicas de marcenaria tradicional: encaixes e o acabamentos irretocáveis.

Seus aparadores, bancos, cadeiras, mesas, escrivaninhas, sofás e gaveteiros não têm pregos. Para fixar os móveis, utiliza espigas, borboletas, cunhas, gravatas - acessórios extraídos da própria madeira e que compõem o design da peça. Os móveis não são pintados e recebem apenas acabamento com óleo vegetal, linhaça ou cera. Tudo é feito sob encomenda.

Sobre bancadas e prateleiras, uma variedade de ferramentas e máquinas para quebrar quinas, fazer rasgos, cortes retos e em curvas, ele criou banco Sela (elaborado com base no formato de um selim de bicicleta), a cadeira três pés e o sofisticado banco Aragonez que foram ganhando destaque em conceituados eventos, prêmios e publicações nacionais e internacionais. “Eu adoro a textura e a maleabilidade da madeira. Ela toma várias formas”, diz o designer.  Foi durante uma temporada vivendo em Meda, a chamada “cidade do móvel”, na região de Brianza, ao norte de Milão, e depois em Avignon, no sul da França, que Graham aprendeu o ofício da ebanesteria, que une conhecimentos de design e marcenaria para elaborar produtos, desde o traço até a montagem. Voltou de lá e criou a marca oEbanista.

O termo que Graham adotou para sua profissão - ebanista - aliás, já foi utilizado no Brasil como sinônimo de marceneiro, mas caiu em desuso. Na Europa do século 18, referia-se ao trabalho com o ébano e outras madeiras exóticas. Mais tarde, esse termo passou a designar genericamente o chefe da oficina ou a arte de carpintejar.

Há móveis com assinatura de Graham no Museu de Arte Moderna e no Museu de Arte do Rio. É possível encontrar as peças também em lojas de São Paulo, Rio de Janeiro, Los Angeles, Nova York e Paris.

 

 

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