Construção de nova praça em Olaria divide opiniões

Prefeitura vai transformar pátio da Secretaria de Mobilidade Urbana em espaço de lazer e eventos, em vez de um mercadão para a feira livre
sábado, 27 de abril de 2019
por Alerrandre Barros (alerrandre@avozdaserra.com.br)
(Fotos: Divulgação)
(Fotos: Divulgação)

Nesta segunda-feira, 29, a Prefeitura de Nova Friburgo realiza tomada de preço para contratação da empresa que irá transformar o pátio da Secretaria Municipal de Ordem e Mobilidade Urbana (Smomu), no bairro Olaria, atualmente usado para depósito de veículos apreendidos, em uma praça de lazer, prática de atividades físicas e com estrutura para eventos. A novidade, porém, não agradou a alguns moradores da região.

De acordo com o projeto, o muro junto ao pátio, no número 80 da Rua Vicente Sobrinho, antiga Autran, será demolido. No local, aos fundos, será construído, à esquerda, um palco com concha acústica em concreto armado para apresentações artísticas. Ao lado do palco, será erguido um quiosque coberto e com uma área pergolada (cobertura com vigas de madeira semiabertas). Nesse espaço de convivência haverá mesas e cadeiras.

Também está previsto no edital a construção de um parquinho para crianças, com balanço, gira-gira, gangorra e uma plataforma com escorregador, ponte pênsil, escada e escalada de corda dispostos sobre areia tratada. Ao redor do espaço para diversão, será montada uma estrutura com toras de madeira em forma de caracol. Ao sair ou entrar no espaço, o usuário verá o piso pintado com jogos de amarelinha.

Academia para terceira idade e área de convivência

A nova praça terá ainda, à direita do terreno, ao lado do posto de saúde Tunney Kassuga, uma academia para a terceira idade. O espaço também terá cobertura pergolada. Jardins e árvores serão plantados em toda a praça, que também terá os típicos bancos de madeira e postes de iluminação. Mastros para bandeiras serão instalados ao centro do novo espaço.

O muro que separa o atual pátio da Smomu será mantido. O mesmo será feito com o paredão localizado atrás do terreno. Segundo o projeto, o muro com cerca de cinco metros de altura receberá alguns reparos e será ilustrado com grafites feitos por artistas locais. Já o muro à direita, que separa o pátio do posto de saúde, será demolido à metade. Gradis serão instalados no que sobrar do muro, possibilitando a visão da praça ou do posto.

A prefeitura não informou para onde serão destinados os veículos apreendidos que ocupam o pátio. Informou, porém, que o valor estimado da obra é de até R$ 862 mil. A convocação das empresas foi publicada no Diário Oficial do município, em A VOZ DA SERRA, no último dia 10 de abril. A entrega de propostas das construtoras interessadas será realizada na segunda-feira, às 10h30, na sala da Comissão Permanente de Licitações, no Centro Administrativo César Guinle (antigo prédio da Oi), situado na Avenida Alberto Braune, 224, Centro.

Pacotão de obras

A nova praça faz parte do “pacotão de obras” anunciado pelo prefeito Renato Bravo, em fevereiro, que serão realizadas no município com recursos da venda das ações da Fábrica Ypu. Serão quase R$ 26 milhões em obras diversas, entre elas, expansão do Hospital Municipal Raul Sertã, a construção de ciclovia entre Conselheiro Paulino e o Paissandu e a ampliação da Praça do Suspiro, por exemplo.

Esse valor é fruto da venda de ações, que a princípio estava condicionada ao projeto de aquisição da Ypu, mas como o município perdeu o processo que movia para efetuar a compra do imponente prédio da fábrica de artefatos de couro, a prefeitura optou por uma nova destinação do dinheiro.

A compra do imóvel foi um projeto iniciado na gestão anterior. Inicialmente arrematada em leilão em 2014, por R$ 14,5 milhões e que teve a prefeitura como única interessada, a Ypu acabou alvo de um processo judicial de reintegração de posse. O pedido para que o imóvel fosse retomado pela diretoria e acionistas da empresa foi acatado pela Justiça em junho do ano passado.

Apesar da possibilidade de recorrer em outras instâncias da decisão do TJ, o governo atual optou por dar uma nova destinação aos recursos. Segundo o prefeito, a venda das ações em um momento de alta do mercado financeiro resultou no valor de R$ 23 milhões, que aplicado e com as correções monetárias já passou dos R$ 25,8 milhões. A Câmara de Vereadores autorizou, em fevereiro, a aplicação dos recursos.

Moradores insatisfeitos

Em Olaria, contudo, há moradores e comerciantes que não estão satisfeitos com a construção do novo espaço no pátio da Smomu, pois já existem próximos ao local a Praça 1º de Maio, ao lado da Igreja de Nossa Senhora das Graças, e o parque de eventos da Via Expressa. Para muitos a prefeitura deveria construir um mercadão para abrigar a tradicional feira livre do bairro, que vêm crescendo e gerando alguns transtornos a moradores.

Existente há mais de 50 anos, a feira é realizada sempre às quintas-feiras, em uma versão menor, que ocupa parte da Rua Manoel Lourenço Sobrinho, a rua da quadra da Imperatriz de Olaria. Aos domingos, uma versão maior se estende pela Rua Presidente Vargas, a mais movimentada do bairro.

Em agosto do ano passado, A VOZ DA SERRA mostrou que moradores se queixam da sujeira, da venda de produtos piratas e da falta de fiscalização da prefeitura. À época já se falava da possibilidade de transferência da feira, que para muitos virou um “camelódromo”, atraindo, inclusive, vendedores de fora da cidade. Os feirantes, porém, se mobilizaram e bateram o pé contra a mudança. Leoni Teixeira, representante dos feirantes, afirmou, na ocasião, que comerciantes fazem lobby para a mudança no local.

“Eles (os lojistas) reclamam que a feira atrapalha o movimento, mas eu não entendo, porque a feira gera esse movimento. Muitas pessoas saem de suas casas para vir à feira e aproveitam para comprar comércio local. Isso é mais um benefício do que algo ruim”, afirmou.

 

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