Com menos chuva, Friburgo passou quase ilesa pelo último verão

Balanço da Defesa Civil estadual mostra que cidade foi a menos afetada da Região Serrana por enchentes e deslizamentos
quarta-feira, 04 de julho de 2018
por Alerrandre Barros (alerrandre@avozdaserra.com.br)
Foto de capa
Pedestre pula poça d'águana Av. Comte Bittencourt inundada: cena rara (Arquivo AVS)

De dezembro do ano passado a março, período geralmente de chuvas intensas no estado, Nova Friburgo registrou 14 deslizamentos, 14 alagamentos e sete inundações. Esses números são muito baixos quando comparados a outros municípios fluminenses, segundo balanço divulgado na última semana pela Defesa Civil estadual.

Petrópolis, por exemplo, registrou 277 deslizamentos no verão e Cachoeiras de Macacu, 107. A capital foi a campeã: 316 casos. No quesito alagamento, Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, contabilizou um total de 75 ocorrências, seguida de São Pedro da Aldeia (52), na Região dos Lagos, e Campos dos Goytacazes (50), no norte do estado.

“A quantidade de chuvas que caiu sobre Friburgo no período foi menor que em outras cidades da Região Serrana”, avalia o secretário de Defesa Civil do município, coronel João Paulo Mori. “Nos últimos anos, a cidade também recebeu grandes obras, o que têm amenizado o impacto das chuvas”, disse ele.

Mori se refere a canalização do Rio Bengalas (foto), no distrito de Conselheiro Paulino, que antes da tragédia climática de 2011 inundava ruas e a movimentada Avenida Governador Roberto Silveira a qualquer pancada de chuva. Ele também destaca as obras para escoamento pluvial em encostas no Três Irmãos e Rui Sanglard e em outros bairros da cidade.

Além de ameaças geológicas, o balanço da Defesa Civil estadual também lista cidades que decretaram situação de emergência no último verão: Sumidouro, Itaperuna, São João da Barra, Valença, Itatiaia e Barra do Piraí, entre outras passaram por esta situação. Nova Friburgo não está na lista. A cidade entrou em estado de alerta somente duas vezes este ano durante chuvas fortes.

Ainda segundo o coronel Mori, as inundações foram causadas por um fenômeno atípico, a cabeça d’água, que ocorre quando a chuva forte cai em um determinado lugar e aumenta o nível de água dos rios, podendo provocar enchentes. Isso ocorreu no distrito de Mury. Em fevereiro, o Rio Santo Antônio transbordou, alagando casas e um campo de futebol às margens da RJ-116 (foto).

Outras inundações de médio porte foram registradas em Lumiar, no loteamento Barroso, no distrito de Amparo, e também em Salinas e em Conquista, no distrito de Campo do Coelho, onde a Escola Municipal Alcides Francisco Brantes foi atingida pelas águas. No período, 17 famílias foram desalojadas, mas ninguém ficou desabrigado. Também não houve mortes causadas pelas chuvas.

Lumiar e Macaé de Cima foram os locais mais afetados por deslizamentos de terra este ano em Nova Friburgo. Em março, ruas da região ficaram intransitáveis devido ao lamaçal provocado pelas quedas de barreiras que pioraram o estado das estradas sem pavimentação e calçamento. Alunos ficaram sem aula e famílias isoladas.

Os constantes alagamentos no Centro

No Centro da cidade, as chuvas de março também causaram transtornos aos friburguenses. Os temporais alagaram a Rua Farinha Filho e os arredores da Praça Getúlio Vargas (foto). A água invadiu estabelecimentos comerciais e deixou pedestres ilhados nas lojas. Empresários do setor se reuniram com a prefeitura para cobrar providências.

De acordo com o governo municipal, os alagamentos não são provocados por entupimentos de bueiros, mas pelo pequeno diâmetro das manilhas, que dificulta o escoamento das águas que descem dos bairro Suíço e Braunes quando chove forte. Uma equipe da Secretaria Municipal de Obras vistoriou o local é concluiu que é preciso substituir a rede de vazão, mas não há prazo para isso.

“Por se tratar de uma obra complexa, que exige um alto valor de investimento, a atual gestão não tem medido esforços para angariar recursos junto ao governo federal, por meio do Ministério das Cidades, e poder assim dar início à este trabalho”, informou a prefeitura em nota.

Contenção de encostas

Nova Friburgo recebeu várias obras de contenção de encostas nos últimos anos, mas ainda falta muito a ser feito. Existem locais com pontos críticos ainda na cidade, como no Alto do Floresta, em Conselheiro Paulino, no Córrego Dantas e no bairro Vilage, região central da cidade. O governo planeja realizar obras nesses bairros, mas não há prazo. O Bengalas também deve receber mais intervenções, sem previsão também.

Enquanto isso, a Defesa Civil local vem trabalhando em medidas de prevenção. A formação dos Núcleos de Proteção e Defesa Civil (Nupedcs) em Amparo, Ponte da Saudade e Duas Pedras já contam com equipes de moradores treinados para auxiliar o órgão em situações de emergência. Outros núcleos nos bairros Olaria e Cascatinha também serão formados este mês.

“Tentamos implantar os Nupecs também em Lumiar e São Geraldo, mas não tivemos adesão, o que nos preocupa. São Geraldo foi um bairro bastante afetado pela tragédia de 2011. Ainda há riscos de deslizamentos no local”, alerta Mori.

Este ano, a Defesa Civil municipal também planeja realizar atividades em escolas públicas e privadas de Nova Friburgo. O projeto “Defesa Civil na escola” está em fase de estudo, mas, de acordo com o coronel Mori, há a previsão da palestras e oficinas e até treinamentos de primeiros socorros com os alunos.

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