Categoria decide: greve da educação é por tempo indeterminado

Na segunda será realizada audiência requerida pelo MP do Trabalho a pedido do Sepe. Prefeitura foi intimada a comparecer
sexta-feira, 30 de agosto de 2019
por Fernando Moreira (fernando@avozdaserra.com.br)
Os profissionais de ensino erguem as mãos em favor da continuidade da greve (Fotos: Fernando Moreira)
Os profissionais de ensino erguem as mãos em favor da continuidade da greve (Fotos: Fernando Moreira)

Após assembleia realizada na tarde desta sexta-feira, 30, no Colégio Estadual Jamil El-Jaick, os profissionais da educação decidiram, por unanimidade, manter a greve na rede municipal de ensino por tempo indeterminado. A paralisação teve início no último dia 8. Nesta segunda-feira, 2, às 14h, será realizada uma audiência requerida pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) a pedido do Sindicato Estadual dos Profissionais da Educação (Sepe) para que se inicie um diálogo. A Prefeitura foi intimada pelo MPT a comparecer ao encontro.

Durante a assembleia, os cerca de 200 profissionais da educação presentes deliberaram sobre outras questões e decidiram que os representantes da categoria que participarão da reunião no MPT irão vestidos de preto em sinal de luto à educação municipal.

Prefeito se manifesta em vídeo

No início da tarde desta sexta-feira, 30, a Prefeitura de Nova Friburgo divulgou um vídeo em que o prefeito Renato Bravo se manifestou pela primeira vez sobre a greve na educação municipal. Também pela primeira vez, o Executivo Municipal admitiu negociar as demandas da categoria com o Sepe, mas com uma condição: “A prefeitura está à disposição do Sinsenf e do Sepe para dialogar assim que a greve terminar. Nós não concordamos que a rotina de pais, mães e alunos seja prejudicada em função do movimento”, disse o prefeito, que completou: “Temos feito várias melhorias na educação importantes para a valorização do profissional. Se eu pudesse, faria também a todos os demais. Mas, infelizmente, em função do orçamento, no momento não tenho como fazer isso. Tenho que ser responsável. Nossa gestão é transparente, entendam isso”, finalizou o prefeito Renato Bravo.

A VOZ DA SERRA esteve presente à assembleia do Sepe, que se posicionou sobre a divulgação do vídeo em que a prefeitura fala sobre a greve da educação, que neste sábado,31, completa 23 dias: “Recebemos esse vídeo como uma clara chantagem da prefeitura, que está condicionando a negociação ao final da greve, quando na verdade isso tem que acontecer durante o movimento. A prefeitura também não fez nenhum convite oficial ao Sepe para qualquer tipo de reunião. Só mesmo esse vídeo do prefeito, o que pra nós não serve. Não há nada oficial por parte do Executivo, a não ser essa propaganda, que podemos encarar como chantagem ou deboche”, afirmou Pedro Monnerat, diretor de comunicação do Sepe.

Grevistas estão sofrendo descontos nos salários

Durante a assembleia desta sexta-feira, 30, diversos profissionais da educação se queixaram que estão sofrendo descontos no salário devido à adesão a greve. A direção do Sepe confirmou a informação e classificou a medida como “imoral e absurda”.

“Já temos vários contra cheques de diversos trabalhadores. Alguns com descontos de R$ 300, R$ 400 e até R$ 500. Algo que afeta drasticamente o orçamento de famílias que já ganham um vencimento menor que o mínimo. Consideramos imoral e absurdo esse desconto por parte da prefeitura”, disse Pedro Monnerat.

Sepe: “Sem negociação, não tem reposição”

Restando apenas quatro meses para o final do ano, começa a ser discutida também a reposição das aulas perdidas com a greve. Como o calendário já está apertado e, até agora, a negociação entre prefeitura e Sepe praticamente não aconteceu, mães, pais e responsáveis começam a se preocupar com as possíveis perdas de conteúdo das crianças e jovens que estão sem aulas. Mas o Sepe disse que só discute isso quando houver diálogo com o Executivo Municipal.

“Sem negociação, não tem reposição. Só podemos discutir uma volta às aulas e a reposição delas, quando tivermos as nossas demandas atendidas. Então enquanto a prefeitura não se sentar para ouvir o Sepe, não há como abrir qualquer tipo de conversa sobre esse tema. Ainda mais agora com o corte de ponto”, finalizou Pedro Monnerat, diretor de comunicação do Sepe.

 

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