Campo do Coelho: demolição de muro de escola gera polêmica

Segundo vereador, obra de última hora seria para construção de um estacionamento público. Prefeitura, no entanto, nega
quinta-feira, 29 de dezembro de 2016
por Dayane Emrich
Foto de capa

Enquanto alunos e professores estão de férias, o governo municipal deu início a uma obra que vem gerando polêmica. Trata-se da demolição do muro da Escola Municipal Hermínia da Silva Condack, localizada na Avenida Antonio Mario de Azevedo, no distrito de Campo do Coelho.

A ação, de acordo com o vereador e professor Pierre, teve início no último dia 26 de dezembro e teria como objetivo abrir espaço para a construção de um estacionamento público para beneficiar os comerciantes locais. “Essa obra está subtraindo parte do terreno que pertence a escola e, portanto, é ilegal. A comunidade escolar de Campo do Coelho não aprova essa situação, a qual agride o espaço de recreação de um colégio e de suas crianças. Qual será a finalidade? Que interesse público pode ser superior ao direito de crianças e da Educação? Mesmo que se amplie por outro lado, não se pode subtrair espaço público desta forma”, disse Pierre. 

Quem passa em frente ao colégio, atualmente, pode observar que parte do muro que separava o pátio da escola da calçada da rua foi derrubada. No local, uma tela de proteção foi instalada cerca de dois metros para dentro da área de recreação da escola. 

De acordo com Pierre, não existe autorização para a realização da obra. “Por ordem não se sabe de quem e sem conhecimento do secretário municipal de Educação, professor Renato Satyro, essas alterações estão sendo feitas. Eu, vereador Professor Pierre, estive em Campo do Coelho e pude atestar esse absurdo em pleno fim de ano, às vésperas do Ano Novo, para tentar passar sem ser percebido pela fiscalização legislativa”, disse ele, acrescentando que “trata-se de crime qualificado, segundo o Código Penal, por subtrair área pública, sobretudo de uma escola, para atender interesses sabe lá de quem”.

O vereador destacou ainda a necessidade de um planejamento em relação às obras municipais. “Há vários buracos em ruas e calçadas em diversas localidades do município. Não consigo entender o motivo de realizar esta obra às pressas, em fim de governo. Literalmente, no apagar das luzes”, disse ele.

A equipe de reportagem de A VOZ DA SERRA entrou em contato com a subsecretaria de Comunicação, que informou: “Está sendo feito um recuo para o ônibus escolar e, consequentemente, o embarque e desembarque dos estudantes de forma segura. Além disso, a secretaria municipal de Saúde cedeu para a secretaria de Educação o terreno onde funcionava o antigo posto de Saúde de Campo do Coelho, ao lado do colégio. Desta forma, a escola passará por reformas para expansão e os atendimentos de saúde à comunidade realizados no posto Paulo Pereira da Silva, recentemente inaugurado, também em Campo do Coelho”.  

Embora o assunto envolva as secretarias de Educação, Saúde e Obras, a resposta encaminhada pela Secom foi do secretário municipal de Finanças, Planejamento, Desenvolvimento Econômico e Gestão, Juvenal Condack. Segundo ele, a obra visa beneficiar a comunidade escolar. “O muro ficava muito próximo à rua e o ônibus, por vezes, parado no meio da via. Com o recuo, alunos, professores e pais ganharão segurança e conforto”, afirmou.

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