Cachoeiras-Guapimirim ainda não terá pedágio este ano

Comissão de Assuntos Municipais da Alerj vai acompanhar o estudo sobre a privatização de mais estradas no interior do estado
sábado, 09 de junho de 2018
por Jornal A Voz da Serra
Foto de capa
A audiência pública sobre a privatização de estradas (Divulgação)

 “As estradas do interior do estado precisam de manutenção, mas o governo não tem recursos para isso”. A afirmação da representante da Secretaria estadual de Desenvolvimento Econômico, Maria Paula Martins, resume por qual motivo o estado pretende privatizar algumas rodovias do interior, entre elas a RJ-122 (Cachoeiras de Macacu-Guapimirim), uma das rotas entre Nova Friburgo e a capital. Audiência pública realizada nesta quinta-feira, 7, na Comissão de Assuntos Municipais da Assembleia Legislativa  (Alerj), por indicação do deputado estadual Wanderson Nogueira (PSOL-RJ), reuniu representantes do estado, empresas interessadas em participar do processo de licitação, deputados, prefeitos e vereadores de alguns municípios, para tratar do assunto. 

 Os lotes de concessão foram divididos em três grupos, com aproximadamente 200 quilômetros, que englobam diferentes regiões em todo estado. No total, seis empresas se interessaram em participar da licitação. “Desde o início queremos acompanhar essa história para antecipar futuros problemas e fiscalizar desde já. Muitos municípios dependem diretamente dessas estradas e há muita gente que transita, sobretudo produtores rurais, porque são estradas que estão completamente abandonadas. Quem paga pela incompetência do estado é a população, infelizmente”, destacou o deputado Wanderson Nogueira.

A Secretaria de Desenvolvimento Econômico informou que precisará de 30 dias para que toda documentação necessária seja apresentada e os estudos sejam iniciados. “O estudo completo para privatização dessas estradas deverá ser feito ainda neste governo. No entanto, as concessões não serão realizadas este ano”, destacou a subsecretaria de Parcerias Público-Privadas da pasta, Maria Paula.

Também presente à audiência, o representante da Secretaria estadual de Transportes, André Aguiar, destacou que o problema nas estradas é mais sério do que a população imagina. “A situação é muito complicada. Nos coloca em desvantagem competitiva em relação aos outros estados. Não adianta 99% das estradas serem boas se, na estrada das Araras, responsável por grande parte do escoamento, encontra-se um dos piores trechos de vias, por exemplo. O grande problema da subida da serra de Petrópolis, o gargalo da BR-040 também nos afasta do mercado e por aí vai. Por muito tempo o estado não terá recursos para manter as estradas”, destacou André, que garantiu que a meta do estado é garantir aos usuários segurança.

Empresas interessadas nas concessões participaram da audiência

Três das seis construtoras que concorrem aos lotes disponibilizados compareceram a audiência na Alerj. O presidente da Associação das Empresas de Engenharia do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Santos, elogiou o encontro e explicou os motivos pelos quais a empresa se interessou em participar. O engenheiro comentou que está participando de todo o processo de estudo e futuramente licitação, para que mais empregos sejam gerados na construção civil e área de engenharia no estado. “Nossa preocupação já vem há 25 anos com o declínio de empregos no estado. Queremos participar para manter os empregos no Rio. Temos uma equipe de excelência para atender todas as demandas necessárias”, disse Luiz Fernando.

Indagado pelo deputado Wanderson Nogueira sobre a preocupação a respeito dos preços do pedágio, que devem ser, segundo o parlamentar, baseados nas distâncias e acima de tudo na renda da população, Luiz Fernando disse: “Nem sempre o pedágio significa prejuízo para o condutor. Há muita perda de vida, gastos em hospitais, manutenção do veículo e outras situações que acabam gerando um grande problema”, disse o engenheiro.

O presidente da Dynatest, Miguel Dalio, empresa da área rodoviária e que apostou na área de concessão em um determinado momento, disse que a audiência pública foi de grande valia para conhecer ainda mais sobre a importância desse estudo. “Vamos fazer o melhor estudo possível e fazer de tudo para que consigamos atender bem o estado”, comentou Miguel. 

Os lotes que foram disponibilizados para privatização

Além da RJ-122 (foto), de acordo com a Alerj, também fazem parte da lista de rodovias a serem privatizadas a RJ-127 (entre a Via Dutra, a BR-116 e a Rodovia do Aço, a BR-393), a RJ-145 (entre a Dutra e a RJ-151) a RJ-155 (entre a Dutra e a Rio-Santos), a RJ-158 (entre a BR-393 e a RJ-160), a RJ-160 (entre a RJ-158 e a RJ-116) e a RJ-186 (entre as divisas do estado do Rio com Minas Gerais e o Espírito Santo).

Também poderão ganhar pedágios a RJ-106 (entre a RJ-104 e a BR-101 trecho norte) e a RJ-162 (entre a RJ-106 e a BR-101 norte), fazendo a conexão entre São Gonçalo e Macaé, passando pela Região dos Lagos, com destaque para o trecho entre Rio das Ostras e Macaé, além dos acessos a Armação dos Búzios e Cabo Frio.

Já entre as vias metropolitanas incluídas na privatização estão: a RJ-103, a Transbaixada, que ainda será construída; a Via Light (RJ-081), com um novo trecho de sete quilômetros; e a Linha Vermelha (RJ-071) com seis quilômetros a mais que o trajeto original. Este foi o único grupo que não houve empresa interessada em participar da licitação.

O terceiro e último grupo de estradas anunciadas pelo governo como possíveis trechos de privatização foram a nova rodovia, RJ-244, com aproximadamente 45 quilômetros de extensão e que vai ligar a BR-101 na altura de Campos até o município de São João da Barra, onde fica o Porto do Açu.

Concessão da RJ-116

O deputado Wanderson Nogueira anunciou que na próxima segunda-feira, 11, a partir das 10h, na Câmara de Vereadores de Nova Friburgo, haverá um debate sobre a prorrogação do contrato de concessão da  RJ-116, que tem os seus 140 quilômetros iniciais, entre Itaboraí e Macuco, sob a concessão da Rota 116.

 

Publicidade
TAGS: