Autoescolas de Friburgo atraem um público cada vez mais adulto

Agora obrigatório, simulador aumenta custo para tirar habilitação e assusta futuros motoristas
segunda-feira, 25 de junho de 2018
por Guilherme Alt (guilherme@avozdaserra.com.br)
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Antigamente, ao completar 18 anos, um dos ritos de passagem para a vida adulta era tirar carteira de motorista. Hoje em dia, no entanto, é comum que a média de idade em uma turma de autoescola não seja mais dominada por jovens recém-saídos da adolescência. Tirar a carteira hoje é mais um investimento do que um “presente”. Karen Gomes, de 21 anos, tinha planos para estar habilitada aos 18, mas os recentes aumentos impediram a jovem de realizar o desejo. “Fiz orçamentos em todas as autoescolas, mas não tive condição de pagar. Os cartões não tinham esse limite e no carnê, acresce muitos juros”, lamentou a jovem.

De acordo com as autoescolas de Nova Friburgo consultadas por A VOZ DA SERRA, existem muitos aspectos pelo valor cobrado. Juan Carlos Damasceno, proprietário da autoescola Dinâmica e Rodrigo Borges, administrador da autoescola Elite, afirmam que o fator que mais encareceu o preço foi a obrigatoriedade das aulas com o simulador, uma exigência do Conselho Nacional de Trânsito (Contran).

“Ano passado seguramos o custo da primeira habilitação em torno de R$ 1.200. A entrada do simulador foi determinante para o aumento do valor. O que vemos hoje nas nossas salas de aula é que a média de idade aumentou. Não é mais predominantemente de jovens de 18, 19 anos. Tem gente de 30, 40, 45 anos”, disse Juan Carlos.

Nos últimos anos o Contran e os Detrans têm trabalhado em medidas para melhorar a formação dos condutores e isso tem onerado muito o processo de habilitação, pois essas medidas aumentaram muito os custos das autoescolas. São medidas válidas para coibir fraudes e tentar garantir uma formação melhor, como novos sistemas de biometria para controle das aulas, câmeras para monitoramento dos exames nos veículos e o próprio simulador, porém isso realmente aumenta o preço a ser pago, além dos custos de manutenção e combustíveis que dispararam nos últimos dois anos”, completa Rodrigo Borges.

Em média, para tirar a carteira em Nova Friburgo, o futuro motorista tem que desembolsar agora cerca de R$ 2.300, sendo R$ 450 somente por conta do simulador (foto), R$ 278 do Documento Único de Arrecadação do Detran (Duda), R$ 80 do exame de vista e mais R$ 115 do exame psicotécnico.

Os diretores das autoescolas afirmam ainda que a procura para tirar a habilitação não sofreu uma queda significativa no número de alunos e que ainda existem muitos interessados, mas há a tendência que a procura diminua devido ao alto custo.  “O aluno tem despesas ao mesmo tempo para duas frentes: a autoescola e o estado. Na autoescola ele paga por toda a estrutura: carro, pneu, manutenção, sala de aula, professor, instrutor, simulador, e ao estado as taxas burocráticas ao processo”, enumerou Borges.

“A situação deve piorar ainda mais com as novas mudanças que estão para serem lançadas, que prevêem aumento de carga horária tanto para aulas teóricas, como para o simulador, além de tornar obrigatório o exame toxicológico para todas as categorias, que hoje só é exigido para categorias profissionais”, prevê Rodrigo.

Maior corrida pelas motos

O preço alto da primeira habilitação de veículos fez aumentar a procura por tirar a carteira de moto. Por ser um veículo que consome pouco combustível, não fica presa no trânsito e é fácil para estacionar. “As pessoas ainda procuram moto, mas é um faca de dois gumes. Elas procuram pela praticidade, pela economia do combustível, manutenção barata, IPVA mais barato, mas a questão de ser um veículo que não oferece segurança em caso de acidente, assusta um pouco”, afirmam Rodrigo e Juan Carlos.

O Detran e o governo do Estado do Rio entraram em um acordo para que as escolas estaduais tivessem aulas teóricas de direção. O projeto já foi iniciado. Em Friburgo, somente o Colégio Canadá, até o momento, oferece as aulas para um grupo de alunos do ensino médio (foto). De acordo com Juan Carlos, o projeto pode agilizar o processo para tirar a habilitação, mas ainda precisa ser bem pensado.

“Existe uma burocracia que impede o instrutor dar a aula na escola, o colégio tem que capacitar os seus professores para isso. A aula tem que ser eletiva e não dentro da grade escolar, então a instituição precisa se adequar. Esse projeto sendo levado adiante, tem tudo para facilitar o lado do cliente e da autoescola”, disse Juan.

“É importante que o aluno desconfie de preços muito baixos. Se uma autoescola oferece preços muito abaixo das outras é sinal de problemas. É bem provável que o candidato tenha dificuldades para concluir seu processo dentro do prazo determinado de até um ano ou até mesmo correr o risco dessa autoescola fechar e ele não conseguir concluir o processo. Não existem milagres, os custos hoje são muito elevados”, alerta Rodrigo Borges.

 

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