Atleta volta a pedalar há cinco anos e é pódio em todas as disputas

Gusmar Júnior ganha mais uma: a Route MTB, uma prova em duplas, em Conquista, pelo evento Agosto Suíço
sábado, 17 de agosto de 2019
por Fernando Moreira (fernando@avozdaserra.com.br)
Gusmar e sua bike (Fotos de arquivo pessoal)
Gusmar e sua bike (Fotos de arquivo pessoal)

Gusmar Soares de Oliveira Junior, o Gusmar Junior, 33 anos, nasceu em Santa Maria Madalena, e há 19 anos mora em Duas Barras. É casado e pai da pequena Sofia, de apenas cinco anos. Apaixonado pelo ciclismo desde a infância, Gusmar passou algum tempo afastado da bike, mas há cerca de cinco anos voltou a pedalar, começou a competir meio que “sem querer” e, com quase três temporadas completas, subiu ao pódio em todas as provas que disputou até agora. Inclusive a Route MTB, prova disputada em duplas, em Conquista, pelo Agosto Suíço.

Com o sonho de ser campeão brasileiro em sua categoria, Gusmar Junior espera um dia “poder usar a bandeira nacional estampada no peito” e, certamente, ”chorar quando tocar o hino nacional”. Focado e com o planejamento já traçado, ele espera alcançar essa meta até o ano de 2026. Alguém duvida? 

Conversamos com o atleta para esta entrevista especial, em comemoração  ao Dia Nacional do Ciclista, data festejada nesta segunda-feira, 19.

AVS: Com quantos anos começou a pedalar?

Gusmar Junior: Acredito que, como a grande maioria das pessoas que andam de bicicleta, bem cedo. Desde a infância eu já era agarrado com a bike, dia e noite. Na adolescência me afastei um pouco, mas há cinco anos voltei a pedalar.

Quando percebeu que a brincadeira de pedalar começou a ficar séria?

Sempre pratiquei esportes. Artes marciais, corrida, musculação, motocross e até futebol. Em todos eles, quando me dava conta já estava competindo. Quando voltei a pedalar não foi diferente. Prometi pra mim mesmo que não iria competir. Mas quebrei a promessa (rs). Em 2015 teve uma prova na minha cidade. Eu não treinava, estava há pouco tempo no esporte, mas a convite de um amigo que organizou o evento, participei. Pronto, esse foi o gatilho para eu querer levar a sério. Me dediquei mais aos treinos durante o ano para começar a competir em 2016. E quando digo me dedicar, é ter uma assessoria de ciclismo, dieta, vida de atleta mesmo. Na minha primeira competição, em março de 2016, na metade da prova fiquei sem o selim. Parei, retirei o canote (ferro que sustenta o selim), que poderia me machucar e segui pedalando em pé até o final. Ainda consegui ser o 2º colocado na minha categoria. Naquele momento percebi que tinha uma certa habilidade e disposição para o esporte. Aí, de lá pra cá, já subi de categoria, foram 41 provas e subi ao pódio em todas elas.

Como é a relação da sua família com a bike?

A relação da minha família com a bike é intensa por minha causa. Só eu pedalo, mas todos participam ativamente comigo. É uma rotina muito dura e desgastante e acredito que o apoio da família é fundamental. E isso, toda minha família faz muito bem. Minha esposa, a Aline, nunca perdeu uma prova minha. Meus pais, sempre que podem, também vão. Às vezes, quando a viagem é muito desgastante para a minha filha, posso contar com a família para cuidar dela no fim de semana. Nós meio que vivemos em prol da bike.

Em qual modalidade/categoria você compete?

O ciclismo tem um leque de modalidades muito grande. No ciclismo de estrada, por exemplo, temos pista, resistência, contra relógio, etc. No ciclismo fora de estrada, o off-road, temos o moutain bike como carro chefe. As principais modalidades de mountain bike são o XCO (Cross Country Olímpico), XCM (Maratona), XCX (Short track), e até contra relógio. Minha favorita é XCM, mas gosto muito do XCO também. Porém, no estado do Rio não temos muitas pistas, nem provas nessa modalidade. E a minha categoria oficial é a Master A1, dedicada aos atletas com idade entre 30 e 34 anos.

Quais as suas principais conquistas?

Fui campeão Estadual de XCM em 2017, vice-campeão Estadual de XCM em 2018 e 2019, campeão por antecipação do Ranking Estadual de XCM 2018. E neste ano, concentrei meu foco no Campeonato Brasileiro de Maratona e no Ranking Nacional do XTerra. No Campeonato Brasileiro, realizado em Mairiporã, São Paulo, me sagrei o 5º melhor do Brasil. Foi um resultado surpreendente até para mim, que tive como meta nesse primeiro brasileiro ficar entre os 10. E no ranking nacional do XTerra, estou liderando de forma invicta. Venci a 1ª etapa em Ouro Preto-MG e a 2ª em Visconde de Mauá, em Resende. Ainda restam três provas desse ranking e vou lutar até o fim para me manter na posição mais alta. Além do XTerra, ainda vou participar do Route MTB (evento Agosto Suíço), uma prova em duplas, que ocorrerá neste domingo, em Conquista. E do Campeonato Estadual de XCO, prova que vai definir o campeão Estadual da modalidade.

Você vive do ciclismo ou tem outra atividade paralela?

Não vivo do esporte. Essa é uma realidade muito distante, até mesmo para os atletas profissionais, que tem o esporte como profissão. Infelizmente, o ciclismo ainda é um esporte pouco valorizado, até pelo pouco espaço que tem na mídia. Ao longo desses cinco anos, intensos no esporte, vejo esse panorama mudando. Mas acho que ainda vamos levar uma década ou mais para que mais atletas possam viver do esporte em nosso país. Após o título mundial do Henrique Avancini, em 2018, notei uma melhora na atenção ao esporte. Espero que isso siga melhorando.

Você acha que o ciclista é respeitado nas ruas?

Não, infelizmente. Também vejo essa situação melhorando, mas estamos muito longe do ideal. Eu, particularmente, não pego estradas movimentadas em horários de pico ou dias agitados. Uso e abuso da iluminação e ando sempre atento. Mas se cada motorista perder apenas 10 segundos - o que não é nada -, quando for passar por um ciclista e se preocupar em respeitar a distância mínima de 1,5m, já teremos muito mais segurança nas ruas.

Qual o seu maior sonho como ciclista?

Meu maior sonho...São dois, na verdade. O primeiro é um sonho coletivo. Queria que o esporte fosse mais valorizado, mais reconhecido e menos caro. Quem sabe meus netos vivam isso que estamos hoje batalhando tanto. E não me refiro só ao ciclismo. Temos aí triatlo, corrida de rua, de montanha, natação. Tantos esportes bonitos de serem observados, extremamente exigentes física e psicologicamente e que só tem espaço quando acontecem as Olimpíadas ou Pan-Americanos. É uma pena. Já meu segundo sonho é pessoal. Gostaria de ser campeão brasileiro e poder usar a bandeira nacional estampada no peito do meu uniforme. E certamente chorar quando tocar o hino nacional (rs). Vou seguir lutando para conseguir isso. A meta é até 2026.

Para finalizar, o que a bicicleta significa para a sua vida?

A bicicleta é um estilo de vida, significa muita coisa pra mim: maturidade, resiliência, resistência, foco. Não me vejo sem pedalar ou longe da bike até o final da minha vida. E tomara que eu ainda viva muito (rs).

 

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