Transporte infantil - parte 1: o tamanho da tragédia

Márcio Madeira da Cunha

Sobre Rodas

O versátil jornalista Márcio Madeira, especialista em automobilismo, assina a coluna semanal com as melhores dicas e insights do mundo sobre as rodas

sábado, 21 de outubro de 2017

Transporte infantil - parte 1: o tamanho da tragédia

Outubro é considerado o mês das crianças, em grande parte por razões comerciais. E não há mal nenhum nisso, pois o comércio precisa mesmo vender, o dinheiro precisa circular, e as crianças precisam brincar. Afinal, podemos assumir que quando uma criança brinca é sinal de que todo o resto – ao menos naquele momento – parece estar garantido.

No entanto nós, adultos, não podemos perder de vista que, mais do que brinquedos, não podemos deixar faltar proteção às nossas crianças, de todas as maneiras possíveis. E isso, muitas, significa seguir na contramão do que elas próprias desejam.

No Brasil, apesar da importantíssima redução de 36% no número de mortes no trânsito de crianças de 0 a 10 anos observada entre os anos de 2003 e 2013, acidentes ainda representam a principal causa de morte de jovens entre 1 e 14 anos de idade. Segundo dados do Ministério da Saúde, 40% dos óbitos desta faixa etária estão relacionadas a ocorrências desta natureza. A macabra estatística aponta ainda que, para cada morte, outras quatro crianças ficam com sequelas permanentes.

Estudos americanos, por sua vez, indicam que 71% das lesões podem ser evitadas com o simples uso do dispositivo de retenção durante o transporte das crianças, e a regulamentação destes aparatos certamente tem relação direta com a redução de 1.621 para 1.054 vítimas infantis anuais em nosso País. Ainda estamos, todavia, muito longe de um cenário que mereça ser comemorado.

Segundo o Código de Trânsito Brasileiro, transportar crianças em veículo automotor sem a devida segurança configura infração gravíssima. Além de multa no valor de R$ 293,47, a medida administrativa cabível é a retenção do veículo até que a irregularidade seja sanada.

O Departamento Nacional de Trânsito, por sua vez, reforça que os pais devem ficar atentos às instruções do manual das cadeiras especiais, “pois a maioria das cadeiras e assentos de segurança são fixados de forma incorreta”. “É fundamental o uso adequado da cadeirinha seguindo as instruções corretas de instalação e tipo referente a cada idade. É mais do que provado que a cadeirinha pode salvar vidas e também minimiza as consequências de acidentes”, explica a coordenadora-geral de Infraestrutura no Trânsito, Juliana Lopes.

O que temos, portanto, é uma tragédia de enormes proporções, que pode – e precisa! – ser amenizada através de posturas relativamente simples.

O caminho é a informação e por isso, a partir de nosso próximo encontro, veremos em detalhes o que diz – e o que não diz – nossa legislação.

Até lá!

 

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