O futuro dos capacetes – parte II

Márcio Madeira da Cunha

Sobre Rodas

O versátil jornalista Márcio Madeira, especialista em automobilismo, assina a coluna semanal com as melhores dicas e insights do mundo sobre as rodas

sábado, 19 de maio de 2018

Vimos na semana passada que, após muitas décadas incorporando apenas evoluções no que diz respeito à proteção oferecida aos usuários, a indústria dos capacetes começa a desenhar uma revolução que promete avançar por sobre o terreno até então pouco acessível da desaceleração cerebral e a redução dos choques da massa encefálica contra os limites da caixa craniana. E as boas notícias não param por aí, uma vez que a mesma tecnologia se mostra promissora também para reduzir as forças giratórias que tantas vezes são repassadas ao pescoço do motociclista/piloto.

Aprendemos igualmente na semana passada que esta revolução vem sendo liderada por duas fabricantes, a Bell Helmets e a 6D Helmets, cada uma aplicando o conceito do amortecimento por uma via diferente. Tendo visto superficialmente a solução da primeira empresa, agora é chegado o momento de entender o que há de revolucionário no casco produzido pela 6D

A solução da 6D difere dos sistemas Flex Impact Liner (FIL) e Multi-Directional Impact Protection System (Mips) da Bell, mas é igualmente promissora. Colocando em termos simples, o sistema Omni Direcional Suspension (ODS) da empresa é composto de duas dúzias de pequenos amortecedores de isolamento elastomérico, semelhantes àqueles utilizados em tênis esportivos, que absorvem parte importante da energia transferida para o cérebro em caso de acidente, comprimindo-a e espalhando-a em todas as direções.

Dentro do capacete há um revestimento de Poliestireno Expandido (EPS) que envolve a cabeça do piloto, e outra camada de EPS presa à capa do capacete. Os dois revestimentos são conectados justamente pelos amortecedores, e quando ocorre um impacto eles podem comprimir verticalmente, torcer ou cisalhar de um lado para o outro. Como o Flex Impact Liner da Bell, eles dissipam a energia dos impactos de baixa, média e alta velocidade, e também ajudam a amenizar o efeito das forças rotacionais na cabeça de um piloto.

“Ah, mas faz tanta diferença assim um sistema que deforme algo próximo a um centímetro?”

Bom, é evidente que as desacelerações continuam a ser altas, mas a diferença obtida pela deformação é enorme. A equação de Torricelli nos mostra que qualquer variação no espaço da desaceleração, por menor que seja, gera enorme impacto sobre a intensidade dessa desaceleração, e na prática o efeito é fácil de se observar. Basta imaginar a diferença no impacto sofrido por quem tropeça e cai sobre um piso não deformável, e comparar com quem passa pela mesma situação mas cai sobre um tapete fofo. Outro exemplo pode ser visto naqueles grandes brinquedos infantis, como camas elásticas, nos quais a estrutura metálica é revestida por uma camada de espuma dura, cuja espessura muitas vezes não chega a um centímetro. Agora imagine a diferença entre bater a cabeça contra a barra, e bater a cabeça contra a espuma...

Por fim, a melhor notícia em relação a estes sistemas é que não se tratam de protótipos experimentais, mas de produtos já disponíveis no mercado. Os capacetes amortecedores da 6D Helmets, por exemplo, acabam de ser aprovados pelos padrões de segurança da Europa e da Austrália.

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