Equilíbrio dinâmico

Márcio Madeira da Cunha

Sobre Rodas

O versátil jornalista Márcio Madeira, especialista em automobilismo, assina a coluna semanal com as melhores dicas e insights do mundo sobre as rodas

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

Distribuição de peso, alinhamento, balanceamento, convergência, divergência, camber, caster... Ao longo das últimas semanas, neste período do ano em que tradicionalmente mais se viaja por aqui, nos dedicamos a mostrar um pouco da complexidade – para muitos desconhecida – de se tentar dar máximo equilíbrio a uma massa irregular, quando sustentada e transportada sobre quatro rodas que precisam se comportar de maneiras distintas entre si, a fim de que o conjunto apresente o melhor comportamento possível ao longo de retas e curvas. E notem que ainda não falamos sobre questões como calibragem ou desgaste irregular de pneus e freios.

É evidente que o motorista não precisa ser um especialista em todos estes conhecimentos para ser capaz de trafegar com segurança, até mesmo porque existem profissionais muito bem treinados para dar conta destas e outras tarefas. Mas é igualmente claro que a consciência a respeito da existência de tais fatores certamente irá ajudar a perceber mais rapidamente o surgimento de algum problema, através de sintomas como trepidação no volante; desgaste prematuro ou irregular dos pneus; volante pesado; ou puxando para algum dos lados, constantemente ou apenas em durante frenagens.

Assim, da mesma forma como não é necessário que o motorista saiba de cabeça quais os valores de fábrica para camber ou caster do veículo que dirige, é importante que ele se dê conta de que discrepâncias entre um lado e outro do carro irão gerar tendência rotacional, comprometendo o equilíbrio – e por conseqüência a segurança – da condução. Em situações limite – que na imensa maioria das vezes podem ser evitadas através da manutenção de velocidades e distâncias compatíveis – o perfeito equilíbrio do veículo pode fazer a diferença entre bater ou não bater, com as consequências catastróficas que todos conhecemos bem.

Por tudo o que foi dito, os cuidados com a preservação do equilíbrio dinâmico devem integrar aquela lista de atitudes cujo custo x benefício é sempre positivo. A substituição de pneus gastos ou deformados e a realização do alinhamento periódico – ou sempre que julgar necessário, por qualquer motivo, sempre vai custar menos do que as consequências de uma ocorrência no trânsito. Mas, mais do que isso, tais atitudes deveriam mesmo ser absorvidas pela cultura de quem dirige, também como forma de respeito à vida alheia. Não apenas às daqueles que confiam suas próprias integridades a quem as conduz, mas também às pessoas e famílias que também estão na estrada, e podem ter suas trajetórias interrompidas por um ato de negligência alheio à sua zona de controle.

Porque levar para a estrada um carro bem equilibrado, com a manutenção em dia e o peso interno bem distribuído, não garante apenas economia a médio prazo e prazer ao conduzir. O mais importante é que tais cuidados asseguram ao motorista uma crucial margem de segurança quando trafegando em velocidade compatível, capaz de lhe permitir lançar mão de eventuais manobras evasivas diante de situações imprevisíveis ou inevitáveis.

Investir no equilíbrio dinâmico, portanto, é quase como ter a oportunidade de comprar um pouco mais de segurança. E segurança, nós sabemos, nunca é demais.

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Márcio Madeira da Cunha

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