ABS e airbag: o que é preciso saber

Márcio Madeira da Cunha

Sobre Rodas

O versátil jornalista Márcio Madeira, especialista em automobilismo, assina a coluna semanal com as melhores dicas e insights do mundo sobre as rodas

sábado, 23 de dezembro de 2017

Conforme as resoluções 311 e 312 do Conselho Nacional de Trânsito (Contran), todos os carros novos vendidos no Brasil desde de 1º de janeiro de 2014 precisam dispor de airbag frontal duplo e do sistema antitravamento dos freios nas quatro rodas. A medida não chegou a afetar o mercado de carros de luxo, que há muito já havia incorporado estes e outros equipamentos, mas gerou sensíveis impactos sobre veículos mais populares, que respondem pela grande maioria da frota nacional.

Por um lado o preço destes automóveis subiu, e não foi pouco. A depender da sofisticação anterior de cada modelo, a variação de preços flutuou entre R$ 1,5 e R$ 3 mil, sem considerar o acréscimo advindo do aumento do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI).

Por outro lado, é preciso reconhecer o avanço que a medida representou no campo da segurança. O índice de mortes e ferimentos no trânsito brasileiro é inacreditável, e a falta de educação ao volante impõe sim medidas reativas concretas. É imperativo reduzir tamanho desperdício de vidas, e se a formação de uma geração de motoristas mais conscientes é coisa que leva tempo, ao menos a adoção de aparatos de segurança pode funcionar como um bem-vindo atenuante ao problema.

Sob o aspecto técnico, ABS e airbag atuam em tempos diferentes. O primeiro é preventivo, age na conservação da aderência máxima dos pneus, e por isso ajuda a evitar acidentes. Já o segundo é paliativo e só entra em ação quando a colisão já se concretizou. Sua única função é a de reduzir os efeitos da desaceleração sobre o corpo de condutor e passageiro – sobretudo evitando que as cabeças se choquem contra as superfícies dianteiras do automóvel.

Sobre a utilização

Considerando que o airbag tem apenas alguns milésimos de segundo para inflar tão logo seus sensores identifiquem uma desaceleração típica de acidente, é fundamental que motorista e passageiro usem sempre o cinto de segurança. Assim o mecanismo ganha tempo para encher completamente, evitando que a cabeça seja atingida pela bolsa ainda em expansão. Do mesmo modo, a energia da desaceleração passa a ser dissipada desde o tronco, prevenindo posições potencialmente perigosas.

Já em relação ao ABS, o principal sintoma que o motorista não iniciado irá notar será a trepidação do pedal de freio, sempre que o sistema entrar em ação. A princípio não há razão para se preocupar com esse efeito, uma vez que a reação indica que o aparato está funcionando em perfeitas condições. Todavia, se o ABS entra em ação é porque o motorista (ou motociclista) está mais rápido do que deveria, e precisou frear forte. Com ABS ou sem, este tipo de situação sempre deverá ser evitada.

Manutenção

O sistema de ABS não necessita de nenhuma manutenção específica, embora torne ainda mais importante a troca regular do fluido, que é higroscópico e absorve umidade do ar. Com o passar do tempo, a água absorvida pode danificar as válvulas solenoides do sistema ABS. Em relação aos sensores, se algum deles parar de funcionar o carro fica momentaneamente sem ABS, mas os freios continuam funcionando. Na maior parte das vezes esses problemas têm origem elétrica. Panes no módulo eletrônico são raríssimas.

Já o airbag, por sua própria natureza, pode ser acionado apenas uma vez, e deve ser trocado sempre que inflar. Além disso, o aparato também apresenta prazo de validade, que varia conforme o modelo, geralmente em torno de dez anos. Uma das grandes reclamações de usuários, e que deverá ser resolvida pelo governo nos próximos anos, trata justamente do preço dessa manutenção. Atualmente, a troca de um airbag pode custar mais de sete mil reais em oficinas especializadas, o que muitas vezes representa um obstáculo à funcionalidade desses sistemas a longo prazo.

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