Ter sentimentos dolorosos significa ter doença mental?

César Vasconcelos de Souza

Cesar Vasconcellos de Souza

Saúde Mental e Você

O psiquiatra César Vasconcellos assina a coluna Saúde Mental e Você, publicada às quintas, dedicada a apresentar esclarecimentos sobre determinadas questões da saúde psíquica e sua relação no convívio entre outro indivíduos.

quinta-feira, 03 de outubro de 2019

A tecnologia avança de maneira espetacular. Não é incrível você usar, por exemplo, o Facetime no seu celular e conversar com uma pessoa com áudio e imagem em tempo real, estando ela no outro lado do planeta? Aumento de tecnologia significa resolução de sofrimentos mentais na população? Parece que não.

O Brasil está listado como um dos países com maior estatística de assassinatos, acidentes de trânsito com vítimas fatais, transtorno de ansiedade, e, muito triste e revoltante, com muitos corruptos. A tecnologia não ajuda nisto. Apesar dela, em 2020 a depressão deverá se tornar a segunda doença do mundo, e em 2030 talvez a primeira.

Muita prática de sexo resolve sofrimentos mentais? Parece que não. Aumenta a incidência de sífilis, Aids, gravidez indesejada, rompimentos de casamentos em jovens. Hans Küng foi professor de Teologia na Universidade Eberhard Karls em Tübingen, Alemanha. Católico erudito rejeitou a infalibilidade papal. Autor de vários livros, e num deles, aliás excelente livro, “Freud, e a questão da religião”, afirma que o que produz neurose hoje não é a repressão da sexualidade, mas a repressão da espiritualidade. Concordo.

A filosofia pós-moderna defende e propaga a ideia de que você tem direito de ser feliz e para isto qualquer coisa é válida para que se sinta bem. Qualquer coisa é válida? Como assim? Não é o pensamento dos corruptos? Já teve parlamentar que fez oração agradecendo a Deus pelo dinheiro conseguido pela fraude! Qualquer coisa é válida para uma pessoa se sentir bem?

Muçulmanos radicais e extremistas pararam um ônibus público numa estrada num país dominado pelo islamismo, entram armados no coletivo e mandaram cada passageiro recitar partes do Alcorão, e os que, por serem cristãos e não saberem nada sobre textos do livro sagrado do islamismo, foram executados ali mesmo. Eles se sentem bem matando assim, pelo preconceito contra cristãos. É válido fazer qualquer coisa para se sentir bem?

Aliás, o presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, denunciou estes assassinatos por perseguição religiosa em seu discurso na ONU, local e tempo apropriado para comentar sobre esta barbárie, porque ali estavam chefes de países onde estes crimes de perseguição religiosa são praticados e nem eles e nem a ONU se interessam por fazer algo para interromperem este absurdo de violação dos direitos humanos e liberdade religiosa. Aliás, a mídia comentou sobre esta corajosa denúncia na ONU feita por Bolsonaro?

Você está triste hoje? Está com ansiedade forte? Medo perturbador? Sente uma raiva que o deixa irritado? A culpa está tirando o sono? Tristeza, ansiedade, medo, raiva, culpa, não são indícios de que você tem uma doença mental. Estes sentimentos fazem parte de nossa vida, do dia a dia em nossos relacionamentos.

A angústia, por exemplo, é um sentimento que já está no recém-nascido. Os filósofos se referem à esta angústia inata usando a expressão “angústia existencial”. Não há remédio de farmácia para ela. Não há fortuna que acabe com ela. Salomão, o homem mais sábio que já existiu, e o mais rico em sua época, depois de ter feito tudo o que cria que o faria plenamente feliz, disse que esta angústia continuava, e que era tudo vaidade.

Salomão completou dizendo que o dever de todo ser humano é temer (respeitar) a Deus e guardar seus mandamentos. Ele não foi “careta”, ou “santinho”. Fez muita besteira. Foi extremamente mulherengo, tendo tido 700 esposas e 300 concubinas. Saúde mental é ter as emoções sem deixar que elas tenham você. A tecnologia não faz isto por você. Nem seus bens materiais.

Aprender a lidar construtivamente com a angústia é saúde mental. O que fazemos para fugir dela, não está no gibi. Vai desde trabalhar demais, até abusar de drogas, sexo etc. Faz parte dessa vida ter dor emocional, que pode ser angústia, tristeza, medo, culpa, ansiedade. Estas emoções deixam de ser normais quando travam sua vida e perturbam seu relacionamento social. Forte não é quem não experimenta tais sentimentos. É quem não faz besteira quando os sente.

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O psiquiatra César Vasconcellos assina a coluna Saúde Mental e Você, publicada às quintas, dedicada a apresentar esclarecimentos sobre determinadas questões da saúde psíquica e sua relação no convívio entre outro indivíduos.

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