Quatro enganos sobre pornografia

César Vasconcelos de Souza

Cesar Vasconcellos de Souza

Saúde Mental e Você

O psiquiatra César Vasconcellos assina a coluna Saúde Mental e Você, publicada às quintas, dedicada a apresentar esclarecimentos sobre determinadas questões da saúde psíquica e sua relação no convívio entre outro indivíduos.

quinta-feira, 16 de janeiro de 2020

Existe um ciclo vicioso quanto ao vício da pornografia, assim como vício ou adicção em qualquer outra coisa, seja cocaína, maconha, álcool, comida, sexo, jogos etc. A pessoa viciada tem um conflito, um desprazer especialmente em relacionamentos, sente inquietude, ansiedade, procura a pornografia para adquirir alívio e satisfação, experimenta prazer, se sente culpado, se arrepende, depois piora com algum novo ou antigo estresse, sente inquietude, e recai, repetindo o ciclo.

Recebo muitos pedidos de ajuda de pessoas envolvidas até o pescoço com pornografia. A maioria são homens, casados ou não. Pode demorar muito tempo para que uma pessoa viciada em pornografia peça ajuda. É comum que a esposa descubra e aperte o marido a resolver isto. Geralmente ele usa o celular e o computador para navegar em sites pornográficos.

Um homem levava seu laptop para o banheiro e ficava ali um tempão vendo pornografia. A esposa se sentia traída com isso. E devastada, envergonhada, desesperada e fraca porque sabia que era algo grave. Mas é muito importante uma pessoa que convive com alguém viciado em pornografia pensar que ela não causou este vício, não pode controlá-lo e não pode curá-lo. São três letras C. Não causou, não pode controlar e não pode curar.

Portanto, é importante que esposas, namoradas ou noivas de homens viciados em pornografia, evitem concluir na sua própria cabeça pensamentos tais como: “Se ele me amasse, não faria isso!”, ou “Se ele se envolve com pornografia é porque não sou boa parceira sexual.” Não, estas declarações não são necessariamente verdades. Um homem que tem um relacionamento com uma mulher pode se envolver com pornografia porque ele não está bem é com ele mesmo.

Uma primeira ilusão é pensar que uma vez casado, não necessitará de pornografia. Rapazes viciados em sexo podem ter namorado muito, envolvendo-se muito com sexo e mesmo após se casar, ainda procuram pornografia. O casamento não interrompe a busca de pornografia para os que são viciados nisso. E a causa principal não tem que ver com sexo, mas com a ilusão do sexo, com fantasia. Tem também que ver com descontrole da imaginação. Uma mente viciada em pornografia não muda quando só porque a pessoa casou e agora teoricamente tem sexo à vontade.

Uma segunda ilusão é que os filtros de uso de internet podem frear e talvez curar o vício em pornografia. Mas isso pode não ser suficiente porque a pessoa pode driblar os filtros por causa da obsessão pornográfica. O problema do vício em pornografia é mais profundo e por isso a solução deve envolver estratégias também mais profundas. Usar softwares de filtros não é suficiente porque a pessoa pode achar pornografia em revistas, programas de TV, filmes de canais de TV à cabo etc.

Uma terceira ilusão é a ideia de que a pornografia faz um homem se sentir macho sem ter que se exigir isso o tempo todo. Homens querem respeito sobre sua masculinidade. Querem se sentir desejados também. Os produtores de filmes pornográficos sabem disso e exploram o assunto mostrando mulheres desejando homens e disponíveis para eles. E, claro, mostram mulheres sendo desejadas e com homens fissurados nelas.

Porém, pornografia não tem que ver com liberdade, mas com controle. Não tem que ver com respeito, e sim com domínio. Pornografia é uma falsa realidade de trevas. Num mundo de fantasia você pode se tornar o que desejar. Sonhando, imaginando você foge do risco de rejeição, inadequação. Você não se vê como é, mas como deseja.

Uma quarta ilusão sobre vício em pornografia é que não tem saída, é crer que nunca ficará livre dele. Mas existe saída. Primeiro admitindo que perdeu o controle. Segundo, crendo que um poder superior pode livrá-lo. E terceiro, decidindo entregar sua vontade e sua vida aos cuidados deste poder superior, que podemos chamar de Deus, e junto disso recebendo aconselhamento correto, ético, de pessoa qualificada.

Fonte: https://www.familylife.com/articles/topics/life-issues/challenges/pornography/4-common-delusions-about-pornography/

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O psiquiatra César Vasconcellos assina a coluna Saúde Mental e Você, publicada às quintas, dedicada a apresentar esclarecimentos sobre determinadas questões da saúde psíquica e sua relação no convívio entre outro indivíduos.

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