Controle emocional está ficando raro?

César Vasconcelos de Souza

Cesar Vasconcellos de Souza

Saúde Mental e Você

O psiquiatra César Vasconcellos assina a coluna Saúde Mental e Você, publicada às quintas, dedicada a apresentar esclarecimentos sobre determinadas questões da saúde psíquica e sua relação no convívio entre outro indivíduos.

quarta-feira, 06 de novembro de 2019

Está o mundo perdendo o controle? Você tem perdido o controle emocional? Ou nunca teve isto em sua vida, nunca aprendeu? Tem “repentes” de descontrole emocional? Fere as pessoas e a si mesmo por causa deste lado ainda imaturo em sua personalidade? Quer mudar, ou está acomodado com isso e acha que a culpa é dos outros?

Uma mulher recentemente me escreveu pedindo ajuda para este problema. Vou compartilhar com você o que escrevi para ela. Não há nada aqui que identifique a pessoa. Até porque as histórias de sofrimento emocional, como disse, são muito parecidas. Pode mudar a classe social, a cultura da pessoa, a raça, o sexo, mas é muito semelhante.

Esta mulher deu uma resposta parcial do porque sofre com descontrole emocional ao dizer que seu pai era assim. Então, há uma genética que "joga contra” e o que copiou do comportamento do pai. As crianças copiam coisas boas e ruins do pai e da mãe. Depois repetem na vida adulta, mesmo tendo prometido para si mesmas nunca agir como eles. 

O primeiro passo para melhorar ela já deu, que é reconhecer que ela tem este problema de descontrole emocional. Muita gente tem problemas de comportamento e negam ter, sempre jogando a culpa em algo fora de si.

Em parte uma mudança, paradoxalmente, começa com a aceitação da limitação. Começamos a mudar para melhor quando aceitamos nosso problema. Aceitar não é o mesmo que concordar. É olhar para a realidade e ver que ela está aqui, é um fato, é verdade. Aceitar é parar de fugir. É admitir a verdade. É parar de brigar com você mesmo. Isto é o começo da recuperação. 

Faz parte da aceitação parar de se auto-atacar e de se depreciar só porque você apresenta ainda defeitos de caráter. Desvalorizar a si mesmo por ter estes problemas só afunda mais. Você pode olhar para seu lado ruim, impulsivo e dizer para si: “Puxa! Que chato agir assim! Mas eu não sou isso somente. Este comportamento que não gosto é parte de mim, não é o meu eu (self) todo.” Ou seja, olhe para si e veja que existe uma parte mental saudável que analisa o lado não saudável e vê que ele existe. É este lado saudável que pode entrar em ação para ajudar o lado doentio.  

Quais fatores gatilho disparam o descontrole? Alguém fala alto? Surge sensação de ser rejeitada? Observa algo que lhe parece injusto? Alguém age de uma forma que lembra seu pai, ou sua mãe quando um dos dois se descontrolava ao você ser pequena? 

Observe quando é, o que é que produz descontrole em você. Daí é possível começar a prevenir a recaída no comportamento ruim. Como? Ao perceber o fator gatilho agindo, se possível se afaste dali. Se não der para se afastar, use o “lado saudável” de sua personalidade para comandar sua atitude. Diga para si: “Isto está me deixando furiosa! Já sei que quando isto ocorre tenho tendência de perder meu controle emocional. Mas agora não vou permitir isso. Quem manda em mim sou eu, não minha emoção.”

Em seguida, focalize sua mente em outra coisa. Execute uma tarefa. Faça uma oração pedindo a Deus vitória sobre seu descontrole. Tome um copo de água fresca pura. Respire fundo umas seis vezes de frente para uma janela aberta ou vá ao ar livre e faça isto. Comece a cantar um hino cristão, ouça uma música calma, serena. 

O “segredo” é descobrir o que dispara o descontrole e usar o lado saudável para lhe “dar um colo”. O descontrole pode ser comparado com uma criança que faz pirraça porque quer picolé na hora do almoço. Ela quer o picolé porque quer. Daí a sua “mãe-pai” bom interno dirá com carinho e firmeza: “Querida, não, agora não é hora de chupar picolé!” Ou seja, diga para si mesma: “Não preciso repetir agora o mesmo comportamento ruim que via em meus pais. Não preciso!” Em seguida dê colo para si mesma, o que significa controlar seu impulso nervoso pela ação da graça de Deus que você havia pedido a ele e por sua decisão de não se deixar levar pelo impulso imaturo. 

É um exercício. E precisa fazer um momento de cada vez. Vai dar certo. Leva tempo, mas se praticar, a vitória virá gradativamente. Um dia de cada vez. Uma situação de cada vez.

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