Quem faz arte tem que ser responsável pelo que transmite

Tereza Malcher

Tereza Cristina Malcher Campitelli

Momentos Literários

Tereza Malcher é mestre em educação pela PUC-Rio, escritora de livros infantojuvenis, presidente da Academia Friburguense de Letras e ganhadora, em 2014, do Prêmio OFF Flip de Literatura.

segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

Noutro dia, num grupo de literatura, quando debatíamos os sucessos musicais, fiquei surpreendida ao refletir a respeito dos valores contidos nas letras das músicas que hoje fazem sucesso. Muitas expressam a reversão de valores, cujos fundamentos não estão no amor à vida e respeito à pessoa.  

Hoje ia escrever sobre poesia, mas uma mensagem que recebi no WhatsApp me fez retornar a essa questão tão séria. Até porque o nosso país está sofrendo com a desvalorização da ética e da cidadania. Uma letra de música que é cantada e dançada nas ruas e eventos, transmitida nas rádios e meios de comunicação toca em questões éticas relevantes.

Na mensagem, um rapaz de seus vinte e poucos anos faz uma crítica severa à letra da música “Só surubinha de leve”, de MD Diguinho, que apresenta profundo desrespeito para com as relações afetivas, desvirtua a sexualidade, atingindo principalmente o pré-adolescente que está em fase de descoberta do corpo e das relações amorosas.

A letra da música está no âmbito da literatura e, portanto, é um assunto que pode e deve ser abordado aqui, o que me faz refletir sobre o imediatismo das relações humanas atuais que tendem à superficialidade. Nessa letra de música a pessoa é coisificada, descartada depois de usada. O prazer está acima de tudo, custe o que custar.

O fazer da arte é um ato responsável. A arte não tem limites, e o artista não pode sentir-se cerceado em seu processo criativo. Caso queira expressar rebeldia, descontentamento, prazer ou amor deve buscar na sua mais elevada intuição suas formas de criação. Entretanto, o autor dessa música não criou arte. É uma música diabolicamente e miseravelmente construída que tem como finalidade destruir as relações humanas nas quais a sexualidade se insere.  

A meu ver, a questão não é censurar. É tomar e tratar o autor dessa composição musical sob os prismas da lei, na medida em que fere os princípios da convivência social.

Eu me sinto até um pouco aliviada por usar este espaço que o jornal A Voz da Serra me concede para cumprir meu papel de cidadã e pessoa que preza pela humanização das relações.

 

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Tereza Malcher é mestre em educação pela PUC-Rio, escritora de livros infantojuvenis, presidente da Academia Friburguense de Letras e ganhadora, em 2014, do Prêmio OFF Flip de Literatura.

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