Os tesouros literários das águas mediterrâneas - Parte 2 - O teatro grego

Tereza Malcher

Tereza Cristina Malcher Campitelli

Momentos Literários

Tereza Malcher é mestre em educação pela PUC-Rio, escritora de livros infantojuvenis, presidente da Academia Friburguense de Letras e ganhadora, em 2014, do Prêmio OFF Flip de Literatura.

segunda-feira, 25 de novembro de 2019

Meus olhos se perderam pelo teatro de Pompéia, construído no século II a.C., e soterrado pelas cinzas do Vesúvio no século l d.C. Fiquei imaginando como seria o público, os habitantes de Pompéia e das cidades próximas. Sentada no palco, pensei nos espectadores que moravam distantes que, para assistir a um espetáculo no teatro, situado no alto do morro, precisavam percorrer um longo caminho, que podia ser trilhado a pé, no lombo de animais ou carroças, muito diferente da nossa ida ao teatro, que nele chegamos de modo confortável, perfumados, com roupa arrumada e cabelo ajeitado. Apesar disso, o teatro era um lugar popular e tanto agradava que a população enfrentava várias dificuldades, inclusive as climáticas.

Por que falo a respeito desse tema, se meu espaço, aqui, é literário? Ah, o teatro emerge da literatura, além do que a criação literária antecedeu a construção da cena. Além do que, naquela época, tudo era considerado literatura.

As encenações teatrais sugiram em 550 anos a.C., em Atenas, na Grécia. Estas, entretanto, poderiam ter sido influenciadas por iniciativas realizadas em outros lugares anteriormente, como na Ásia ou na própria Europa. Segundo estudos históricos, suas origens estariam ligadas à Dionysos, divindade mitológica que representava os ciclos vitais (a fertilidade), as festas, o vinho, a insanidade, o teatro, os ritos religiosos e a intoxicação (que, na mitologia, funde o bebedor com a divindade). Ao pesquisar essa deidade, achei interessante que Dionysos foi o último deus aceito no Olimpo, sendo filho de Zeus (o pai dos deuses) com uma mortal, Sémele. A história de Dionysio era dramática, marcada por traições, mentiras, surpresas e tragédias. Seus rituais eram realizados através de orgias, que duravam seis dias, em cujas festividades havia procissões, em que eram utilizadas fantasias e máscaras, acompanhados de cantos líricos, chamados de ditirambos, os quais evoluíram para apresentação cênica.

O teatro grego foi disseminado nas terras mediterrâneas, ou seja, na Ásia Menor (ponto de encontro dos viajantes da Ásia e da Europa, onde está situada a Turquia), no norte da África e da Europa.

Com o passar do tempo, as procissões se tornaram mais elaboradas e passaram a exigir maior organização, dado que podiam reunir vinte mil pessoas aproximadamente. Surgiram, primeiramente, então, os diretores do coro, que se responsabilizavam pela evolução da procissão, bem como pela elaboração do texto, que seria recitado e cantado. Posteriormente, surgiu a figura do respondedor do coro, representada por um ou mais participantes, que dialogava com os demais. E, assim, foi criado o personagem.

O que aconteceu entre os mares mediterrâneos nos mostra a necessidade humana em criar, contar, admirar e festejar a vida. Seus ares foram férteis e colaboraram para as riquezas culturais que temos hoje.

Continuo semana que vem, quando vou abordar a tragédia grega ou o canto do bode.    

 

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Tereza Malcher é mestre em educação pela PUC-Rio, escritora de livros infantojuvenis, presidente da Academia Friburguense de Letras e ganhadora, em 2014, do Prêmio OFF Flip de Literatura.

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