Hoje, não vou falar de literatura, mas de ovos de Páscoa

Tereza Malcher

Tereza Cristina Malcher Campitelli

Momentos Literários

Tereza Malcher é mestre em educação pela PUC-Rio, escritora de livros infantojuvenis, presidente da Academia Friburguense de Letras e ganhadora, em 2014, do Prêmio OFF Flip de Literatura.

segunda-feira, 15 de abril de 2019

Os ovos de páscoa são feitos de grãos de chocolate. Seu gosto depende
da energia com que a massa de cacau é tocada pelas mãos do cozinheiro, do
modo como seus olhos acompanham o cozimento, seu nariz sente o cheiro da
transformação da massa e sua língua testa o sabor. Todo o processo de
elaboração, desde a escolha do chocolate até o modo de embrulhá-lo, requer
suavidade e sensibilidade. O ovo de páscoa reflete o corpo e a alma do seu
feitor.


A beleza da cozinha e os sapatos do cozinheiro são secundários. É um
alimento que precisa de chocolate, calor e movimento. Entretanto, caso o
doceiro não tenha a vontade de doar felicidade a alguém, a massa pode não
ficar boa, e o ovo correrá o risco de ficar esquecido na geladeira, na gaveta da
cozinha ou ser desprezado em algum lugar.

Ah, ninguém faz ovos de páscoa para si, são feitos para ofertar a alegria e
o prazer, e aí está a motivação essencial de cozinhá-lo. Certamente, quem vai
comê-lo vai sentir essa silenciosa intenção; é por isso que se come ovos de
páscoa deste jeito; não se fala, nem se canta, apenas se deixa escapar um
hum... a cada mordida. Sim, morde-se o ovo de páscoa para ingerir o chocolate
e a energia do seu fazedor. Mesmo se for a batedeira de uma fábrica, são as
mãos humanas que a ligam e a conduzem.

O ovo de páscoa é um alimento que faz bem. Chocolate dá bem-estar,
beneficia o coração e as artérias, colabora com a saúde cerebral, cuida das
mães que guardam seus filhos no ventre, diminui os radicais livres do corpo,
evitando a oxidação das células e protegendo-as. Além de ajudar na
recuperação do cansaço e ser um analgésico natural.

O domingo de páscoa é uma comemoração religiosa que reúne pessoas.
É o dia do carinho, da saudade, da mesa compartilhada, do riso e do choro.
Cada páscoa deixa lembranças; se alegres, se tristes há, pelo menos, um
pedaço de um ovo de páscoa presente para reforçar o momento, que é sempre um registro na história de vida. Em cada época, o ovo de páscoa ganha um
sentido, uma forma e um gosto.


Assim, desejo que, neste próximo domingo, ele represente um beijo, um
reencontro ou um aperto de mãos.

Feliz páscoa!

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Tereza Cristina Malcher Campitelli

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Tereza Malcher é mestre em educação pela PUC-Rio, escritora de livros infantojuvenis, presidente da Academia Friburguense de Letras e ganhadora, em 2014, do Prêmio OFF Flip de Literatura.

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