Triste tarde para o futebol do Rio de Janeiro

Max Wolosker

Max Wolosker

Economia, saúde, política, turismo, cultura, futebol. Essa é a miscelânea da coluna semanal de Max Wolosker, médico e jornalista, sobre tudo e sobre todos, doa a quem doer.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2019

Como digo sempre, o futebol retrata o estado onde é praticado. Um estado desmoralizado só pode ter autoridades pífias e dirigentes do pior quilate. Isso ficou escancarado no último domingo, 17, na decisão da Taça Guanabara, o primeiro turno do futebol carioca. Quem se dispôs a assistir a final entre Vasco da Gama e Fluminense, ao ligar a televisão, às 17h, se deparou com um estádio vazio. A essência desse espetáculo, que é a torcida tinha sido impedida de entrar, em função de uma liminar impetrada pela diretoria do Fluminense, obrigando que o jogo fosse disputado com os portões fechados.

A explicação de tal fato mostra a burrice e a insensibilidade de dirigentes que, talvez, nunca tenham colocado calções e jogado futebol com uma bola de meia. O problema data de 1950, quando ao se sagrar campeão carioca, o Vasco teve a oportunidade de escolher o lado das cabines de rádio, onde ficaria sua torcida. Coube a essa agremiação o lado direito, ou setor sul e o setor norte ficou reservado à torcida do Flamengo. Quando ambos enfrentavam o Botafogo ou Fluminense, essas agremiações não tinham escolha ficando ora à direita se enfrentasse os rubro-negros ou à esquerda se o adversário fosse os cruzmaltinos.

Com a privatização do estádio do Maracanã, essa regra continuou a ser respeitada; o problema surgiu quando Flamengo e Fluminense arrendaram o estádio e passaram a mandar seus jogos de maior apelo para o Mário Filho (Maracanã). O Flamengo continuou à esquerda e o Fluminense à direita.

A final da Taça Guanabara foi disputada pelos dois times de melhor campanha, o Vasco como vencedor do grupo B e o Fluminense, vencedor do grupo C. No entanto, o tricolor das Laranjeiras não aceitou colocar sua torcida no setor norte e fez prevalecer seu acordo com o Flamengo, quando do arrendamento do estádio. A diretoria vascaína quis fazer valer o acerto de 1950 e o imbróglio estava formado. A justiça do estado foi acionada e o juiz de plantão decidiu que o jogo seria disputado com portões fechados.

O problema é que a equipe de São Januário já havia vendido 30 mil ingressos e sua torcida foi em massa para o estádio; ao ver os portões fechados iniciou um protesto que virou uma verdadeira batalha campal, contra a Polícia Militar, com muito gás lacrimogênio, cacetadas e feridos. Aos 35 minutos de jogo, para terminar o tumulto, veio a ordem para abrir os portões e os torcedores puderam, enfim, entrar.

A insensibilidade dos dirigentes é tamanha, que a segurança deles é o que menos importa.

Assim, numa demonstração típica de um ante profissionalismo nato, o prejuízo foi a tônica, pois ao contrário dos quase 30 mil presentes, o estádio poderia estar com a capacidade esgotada. Num estado onde o futebol vive de pires na mão, exceção feita ao Flamengo cuja dívida, atualmente, é de pequena monta, jogar dinheiro pela janela é, no mínimo, burrice.

O jogo em si foi muito ruim, pois ambos os times têm um plantel limitado, sem estrelas, com jogadores que nos tempos áureos do futebol do Rio de Janeiro, seriam no máximo reservas. Muita correria e pouca técnica lembrando em muito as peladas de solteiros contra casados, decidido num lance de bola parada. Uma falta do lado direito, próxima à grande área do tricolor das Laranjeiras, muito bem batida pelo vascaíno Danilo Barcelos foi parar no fundo do gol. Para mim, também houve falhas de Rodolfo, goleiro do Fluminense, que custou a pular na bola.

A equipe cruzmaltina e sua torcida estão de parabéns por mais uma conquista, que já a credencia para as finais do campeonato do estado do Rio de Janeiro.

 

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