Existem Sogras e sogras

Max Wolosker

Max Wolosker

Economia, saúde, política, turismo, cultura, futebol. Essa é a miscelânea da coluna semanal de Max Wolosker, médico e jornalista, sobre tudo e sobre todos, doa a quem doer.

quarta-feira, 04 de dezembro de 2019

No dia 27 de novembro, minha Sogra nos deixou, aos 94 anos. Aliás, esse substantivo grafado com o s maiúsculo é uma homenagem àquela velhinha que tão bem soube cuidar do marido, filhos, netos e bisnetos, genros e noras. Na realidade ela descansou, pois sua doença, uma miocardiopatia diabética (doença do músculo cardíaco causado pelo Diabetes, tornou seus últimos dias um sacrifício doloroso, com uma falta de ar e um cansaço constantes. Desde sua internação de oito dias na UPO (unidade pós operatória) do Hospital São Lucas, uma sedação leve e a visita constante de seus entes queridos, mitificaram seu sofrimento e a deixaram tranquila para partir serena, dessa vida.

Esse artigo é resultado da transcrição do lamento de um neto, que por morar fora do país, não pode estar presente nos seus últimos dias de vida, nem pode comparecer ao seu funeral. Achei-o muito bonito e resolvi publicá-lo, com seu consentimento. Foram feitas algumas correções única e exclusivamente porque o idioma que ele usa, no seu dia a dia é o alemão, e depois de 14e anos de ausência do país, muitas palavras se perdem ou são grafadas de maneira incorreta, assim como a concordância.

“A bengala que tremia nos seu braços se acalmou e as nossas cabeças já não doem pelas pancadas que recebíamos quando fazíamos alguma estripulia; elas doem pelas lágrimas que estamos derramando por você. A cor roxa que tanto te incomodava, agora não a verá mais, a boca que falava o que pensava e a ninguém passava despercebida, se calou. Aquele coração que se preocupava com nossa alimentação ou se simplesmente estávamos bem, parou de palpitar; nos autos e baixos da vida isso se estendia a todos fossem os filhos, netos, bisnetos e as visitas, que não eram poucas.

 São tantos os detalhes da vida que passei ao seu lado, me lembro do gosto da comida que fazia, dos almoços com a casa cheia, mas, simplesmente, de me sentar ao seu lado e conversar, te escutar e rir junto com a senhora. Sei que o tempo não para e não posso me perdoar por não ter conseguido te dar adeus. Com a senhora está indo meu coração, que neste momento está em pedaços. Vou tentar parar de chorar, e transmitir para seus bisnetos todas as lições de vida que me destes e me servem de orientação, até hoje. Obrigado pela sua presença nas nossas vidas, te amo vó, vovó, Dona Ondina, minha segunda mãe, nunca deixarei de pensar em você”.

Antes de colocar um ponto final, nesse artigo, gostaria, em meu nome e por que não, de toda a família, fazer um agradecimento aos médicos, enfermeiras e pessoal de apoio da UPO do hospital São Lucas, pelo cuidado e carinho com que cuidaram de Dona Ondina Vieira Warol e ao conforto prestado aos familiares que lá foram visita-la, nos seus últimos dias de vida. Esse agradecimento é extensivo ao pessoal do Posto de Urgência, pois não fosse a atuação rápida e precisa daquela segunda feira à noite, ela não teria chegado com vida à UPO, no sexto andar.

Adeus minha querida sogra e, que lá de cima, continue a zelar por aqueles que tanto te amaram.

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