Comissão de ética da Câmara Federal, uma piada de mau gosto

Max Wolosker

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Economia, saúde, política, turismo, cultura, futebol. Essa é a miscelânea da coluna semanal de Max Wolosker, médico e jornalista, sobre tudo e sobre todos, doa a quem doer.

quarta-feira, 30 de outubro de 2019

Como não estou no Brasil, evito fazer comentários sobre o que se passa no campo da política, pois não tenho condições de separar o joio do trigo e fazer uma análise isenta. No entanto, acompanho o que ocorre em Friburgo, através de A VOZ DA SERRA, para me manter informado sobre o que anda acontecendo na minha cidade e ter noção do que vou encontrar, quando retornar de minha viagem em meados de novembro.

Mas, qual não foi a minha surpresa ao tomar conhecimento do arquivamento, pela comissão de ética da Câmara dos Deputados, em Brasília, do processo aberto pelo PSL, contra o deputado Glauber Braga. Esse processo se deveu à ofensa gratuita de Glauber, contra um ministro de estado, o dr. Sérgio Moro, da Justiça, que foi chamado de juiz ladrão, numa sessão da Comissão de Ética da Câmara dos Deputados. Nesse momento, Moro prestava esclarecimentos sobre mensagens atribuídas a ele e à força-tarefa da operação Lava Jato, no caso que ficou conhecido como Vaza Jato. A intervenção do deputado mostra o alto índice do seu mau caratismo e despreparo para o cargo.

O que mais me chamou a atenção, segundo a reportagem de A VOZ DA SERRA, foi a justificativa dada pelo relator do processo. “Os deputados do Conselho de Ética seguiram o parecer do relator, deputado Flávio Nogueira (PDT-PI), que no último dia 16, já havia proposto o arquivamento da ação. Ao analisar o caso, Nogueira argumentou que o PSL visava "apenas causar prejuízo" a Glauber Braga”. "[As declarações] sequer configuram falta de decoro parlamentar. Não há que se falar em sua existência", afirmou o relator, segundo o site G1”. 

Mas, creio que houve uma inversão de valores, levada a cabo por aqueles que tentam denegrir, achincalhar a pessoa do ministro da Justiça, que quer queiram ou não queiram seus detratores, permanece com o conceito em alta, perante a sociedade brasileira. Afinal, Glauber Braga ofendeu-o, ao chama-lo de juiz ladrão, mesmo que o tenha feito através de uma comparação com um juiz de futebol. Aliás, uma ofensa dupla, pois respingou, também, nos árbitros do velho esporte bretão.

Mas, o que devemos esperar desses políticos eleitos, Deus sabe lá como, é um mínimo de educação e postura, afinal eles se dizem representantes do povo. A intervenção do parlamentar  naquele momento, foi de uma grosseria sem igual, a mesma demonstrada ao invocar o nome de Marighela, ao dar o seu voto contra o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff. Nunca é demais afirmar que existem várias maneiras de aparecer, muitas mais dignas do que essas demonstrações. Mas, que essa comissão de ética deveria, no mínimo, adverti-lo por ter desrespeitado um ministro de estado, não resta a menor dúvida, se fosse uma comissão séria.

Como o descrédito de deputados e senadores é cada vez mais patente, no seio da sociedade brasileira, não é de se estranhar o que foi feito por Glauber, cônscio da impunidade que esses falsos representantes do povo gozam. Segundo a reportagem  do jornal, depois da sessão do Conselho de Ética do último dia 22, Glauber postou um vídeo em uma rede social comemorando o arquivamento do pedido de cassação. “Muito obrigado a todos que enviaram manifestações de solidariedade, que se mobilizaram no Estado do Rio de Janeiro e nos demais estados pelo nosso mandato. E reafirmamos aquilo que já dissemos no passado: a história vai ser implacável. Sérgio Moro, juiz ladrão”, disse o deputado friburguense. 

Nunca nesse país a corrupção foi desmascarada e combatida com tamanha eficácia, como tem sido até agora pela operação Lava Jato e por juízes comprometidos com a Justiça, em sua verdadeira razão de ser. Não aquela justiça fajuta propagada por determinados membros da mais alta corte do país, em vias de libertar bandidos da pior espécie.

A história vai ser implacável sim, principalmente com deputados, senadores e juízes que não têm o menor compromisso com o país, a ponto de acharem que tudo podem, bastando para isso serem eleitos e desdenharem daqueles ingênuos que os elegeram ou os indicaram.

 

 

 

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