Autismo, um transtorno mais comum do que se pensa

Max Wolosker

Max Wolosker

Economia, saúde, política, turismo, cultura, futebol. Essa é a miscelânea da coluna semanal de Max Wolosker, médico e jornalista, sobre tudo e sobre todos, doa a quem doer.

quarta-feira, 03 de julho de 2019

Sendo avô de duas crianças com autismo, om nove e quase três anos de idade, resolvi escrever sobre este assunto, pois tal condição é muito mais frequente do que se supõe. O neto de nove anos acompanho desde que ele tinha cinco e desconheço como foi o princípio do problema; no entanto, assisti a mudanças fantásticas na evolução do seu transtorno, podendo afirmar sem medo de errar, que sua vida futura tem tudo para ser ativa e proveitosa.

Quanto à neta, com diagnóstico recentemente fechado, é cedo para qualquer avaliação, mas o envolvimento dos pais, assim como da equipe cuidadora, faz prever uma evolução tão satisfatória como a do menino. Aliás, esse envolvimento por parte dos pais é fundamental na evolução, para melhor, da resolução dos problemas que essas crianças enfrentam. Aqui, o papel da família é de suma importância.

A minha vida profissional de médico foi voltada para as doenças orgânicas, portanto, tenho pouco ou nenhum envolvimento com aquelas da esfera mental, daí que fui obrigado a copiar e colar muito do que cito nesse artigo. Assim, no site, http://entendendoautismo.com.br/artigo/autismo-nao-e-doenca-tea/ fui buscar uma explicação que é de suma importância: “Autismo não é doença”. O autismo ou os Transtornos do Espectro Autista (TEA) são condições médicas que levam a problemas no desenvolvimento da linguagem, na interação social, nos processos de comunicação e do comportamento social da criança. Ele está classificado, hoje, dentro dos Transtornos do Desenvolvimento e atinge cerca de 0,8 % a 1% das crianças, na proporção de um para cada 51 nascimentos. Há muito deixou de ser raro e seus efeitos são severamente sentidos pela criança, pelos cuidadores e pelas instituições que as abrigam.

Aliás, essa cifra é impressionante, pois nos Estados Unidos de cada 50 nascimentos, um terá o problema, muitas vezes havendo duas crianças, na mesma casa. No Brasil, está em torno de um para cada 70/100 nascimentos, o que deixa uma estimativa de dois milhões de crianças com TEA. Não está afastada a hipótese da diferença entre os Estados Unidos e nós se dever a um diagnóstico mais preciso ou precoce, entre os americanos.

Quanto mais precocemente for feito o diagnóstico, normalmente ele surge antes dos três anos de idade, mais cedo começa o tratamento e maiores as chances de uma evolução favorável no desenvolvimento dessas crianças. O termo Transtorno do Espectro do Autismo (TEA), de acordo com o site www.minhavida.com.br/saude/temas/autismo, aparece no Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-V), a partir de 2013. Com essa nova definição, a Síndrome de Asperger passa a ser considerada uma forma mais branda do transtorno. Dessa forma, os pacientes são diagnosticados apenas em graus de comprometimento e o diagnóstico fica mais completo.

A maioria dos pais dessas crianças suspeita que algo está errado antes dela completar 18 meses de idade e busca ajuda antes que atinja dois anos. Entre os sintomas apresentados, elas normalmente têm dificuldade em brincar de faz de conta, interagir socialmente e na comunicação verbal e não verbal.

Uma pessoa com autismo pode apresentar os seguintes sintomas: ter visão, audição, tato, olfato ou paladar excessivamente sensível (por exemplo, eles podem se recusar a usar roupas "que dão coceira" e ficam angustiados se são forçados a usá-las); ter uma alteração emocional anormal quando há alguma mudança na rotina; fazer movimentos corporais repetitivos; demonstrar apego anormal aos objetos.

 A importância do comprometimento familiar está na maneira em lidar com essas crianças, pois as reações delas são totalmente diferentes daquelas sem o problema. Adverti-las com brandura é muito mais eficaz do que tentar corrigi-las de maneira mais ríspida. No entanto, elas devem e tem de ser admoestadas quando for preciso, pois isso faz parte da educação de qualquer criança.

A inteligência delas é muito desenvolvida e isso é comprovado quando tomamos conhecimento de que Einstein, Bethoven, Isac Newton, entre outros, no passado e Woody Allen, Bill Gates e Messi, nos tempos de hoje são autistas. Interessante também é que o autismo ocorre mais entre os homens que entre as mulheres.

O que chama a atenção, também, é que muita gente só se descobriu portadora de TEA, depois de adulta e com a vida totalmente encaminhada. Daí que podemos concluir que ser autista não é o fim do mundo.

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